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Aqui nesse blog, você pode conferir toda a Primeira Temporada Completa de Elementais e, agora, também poderá conferir a Segunda Temporada.
Pra quem não conhece, Elementais é uma fanfic, ou seja, uma história de ficção que envolve como personagens, as cantoras da banda Pussycat Dolls.
Como sabemos, a banda, hoje, se desfez. Cada cantora segue sua carreira solo, porém, nós fãs ainda mantemos um carinho pra lá de especial com cada uma das dolls e, por conta disso, eu quis escrever Elementais 2: A Idade das Trevas.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

CAP.25 - A BATALHA FINAL

CAP.25 – A BATALHA FINAL

Finalmente chega o grande dia, o dia da batalha final. As dolls, logo cedo, por volta das seis da manhã, já estavam terminando de tomar café e se preparavam para fazer mais uma viagem ao Egito. Elas teriam que vencer a batalha e recuperar a arca.
- Ai... – gemeu Ashley baixinho assim que levantava para levar sua louça suja à cozinha.
- Que foi? – perguntou Nicole.
- Nic, eu tô muito nervosa... – disse Ashley.
- Eu também... Até ontem eu tava até me sentindo confiante, mas agora... – disse Jessica com um olhar preocupado.
- Meninas! – disse Nicole se levantando da mesa. – Não podemos desistir agora!Vamos!Se animem!
- Concordo com a Nic. – disse Melody.
- É... – começou Kimberly. – Eu também fico nervosa, claro... É normal, mas não podemos é perder a confiança em nós mesmas. Eu já me sinto forte o suficiente depois de tantas provações que eu passei esses tempos.
- É verdade. – concordou Jessica pensativa.
- Pois é. – disse Nicole recolhendo parte da louça suja. – Não podemos desanimar. Que vai ser difícil vai, mas temos, ou melhor, VAMOS vencer.
- É isso aí, Nic! – disse Melody batendo palmas.
Assim que elas terminaram de lavar a louça, Gabriel chegou.
- E então?Prontas? – perguntava ele.
- Sim. – disseram as cinco em coro. Elas agora, depois da conversa no café, se olhavam bem mais confiantes.
- Que bom! Vamos fazer o seguinte: vamos juntos para o aeroporto. Lá a gente vê os horários dos vôos. Só não devemos ir no mesmo avião...
- Certo. – disse Nicole. – Mas... Como vamos fazer quando chegar lá no Egito?A gente não combinou direito isso...
- Primeiro,quando eu chegar,irei procurar Martha. – começou Gabriel. – Acredito que ela esteja no hotel, se não estiver lá, certamente estará na tumba.
- Sim. E depois? – apressou-se Melody.
- Como faremos para nos encontrar? – perguntou Ashley.
- Temos que fazer tudo direito. – começou Gabriel. – A Martha não pode desconfiar do nosso plano. É preciso que eu tome o vôo antes de vocês. Tenho que chegar lá antes, falar com a Martha... Aí, eu vou ligar pra vocês. Só que eu acredito que quando vocês chegarem...
- Espere aí! – interrompeu Melody.
- Que foi? – assustou-se Gabriel.
- Você disse que não era bom que a gente fosse no mesmo vôo porque a Martha poderia estar lá no aeroporto te esperando né?
- Sim. – concordou Gabriel.
- Mas... Ela sabe o horário que você vai? – perguntou Melody.
- Não... – disse Gabriel parecendo começar a entender onde a doll queria chegar.
- Então, gente!Nós podemos ir no mesmo vôo sim! – disse Melody adiantando-se.
- Mas Mel... Acho bom não arriscar. – disse Kimberly.
- Bom, qualquer coisa, faz assim: ele vai na frente e a gente dá mais um tempo antes de seguir o Gabriel. Aí, se a Martha não estiver lá, ele dá um toque pro celular da Kim e a gente vai. – concluiu a baby doll.
- É. Parece ser uma boa idéia. – disse Gabriel. – Então está combinado. Vamos juntos e fazemos isso que a Mel disse. No aeroporto, a gente se separa. Eu sigo pra procurar Martha no hotel ou na tumba... E vocês? Vão ficar no aeroporto mesmo?
- A gente podia ir ver o pessoal... Sandrine, Michael, Vanessa e Richard. – disse Jessica. – Os arqueólogos... Lembram?
- Sim. Mas... E o que iríamos dizer a eles? Que voltamos para o Egito pra buscar mais inspirações para o novo cd? – disse Melody.
- Ah... Na hora a gente vê o que vai dizer. – disse Jessica. – Sim. E depois, Gabriel?
- Depois, eu ligarei pra vocês assim que encontrar a Martha. – disse ele nervoso ao imaginar a cena. – Aí, vocês darão um tempo, e só depois, virão ao meu encontro.
- Hum... – disse Ashley. – Ótimo.
- E depois? – perguntou Kimberly.
- Não tem como ficar prevendo tudo... Já combinamos o máximo que podemos. O resto... É deixar acontecer. – disse Nicole.
- Exato. – concordou Gabriel.
Nesse momento, a campainha tocou. Leo e Daniel acabavam de chegar. Eles iriam junto com as dolls nessa viagem.
- Leo! – disse Jessica abraçando o namorado.
Criou-se uma atmosfera de suspense e tensão. Não mais por causa de Kimberly e Daniel, já que os dois agora tinham se acertado, mas por causa de Daniel e Gabriel. Ninguém falava nada no momento.
- Ah... É... – Melody tentou dizer algo, mas só embolou.
Daniel e Gabriel se olhavam cara a cara. Os dois pareciam estar bem sérios. Melody começava a ler alguns pensamentos no momento.
[- Eles vão se atacar de novo!] pensou Ashley.
[- Não faça nada, Gabriel!] pensou Kimberly.
O incrível é que a baby doll não conseguia ler os pensamentos de Gabriel e de Daniel. Parecia que os dois realmente não pensavam em nada no momento, apenas se encaravam.
Para a surpresa de todos, Gabriel estendeu a mão para Daniel. A mão ficou no ar apenas alguns segundos, pois logo em seguida Daniel apertou a mão de Gabriel. Parecia impossível que os dois tivessem dando um aperto de mão.
- Me desculpe... – começou Gabriel.
- Que nada, cara!Eu é que tenho que pedir desculpas... – disse Daniel.
Em seguida, mais inacreditavelmente ainda, os dois deram um rápido abraço. Agora, quem via a cena, diria que os dois pareciam que eram grandes amigos há anos.
As dolls e Leo ficaram felizes ao ver a cena, principalmente Kimberly. Ela se sentia mais aliviada ao ver os dois homens que brigaram por ela, agora fazendo as pazes.
Isso tinha deixado Kimberly tão feliz, tão mais calma, que ela por um momento, pareceu esquecer que dentro de algumas horas estaria enfrentando os Elementais Negros.
- Gente... – começou Leo pigarreando. – Já são quase sete horas. Acho bom nós nos apressarmos.
- É verdade. – disse Nicole.
- Vamos todos juntos? – perguntou Daniel.
- Sim. – disse Gabriel. – Eu já combinei com as meninas... Vamos no mesmo vôo...
E Gabriel fez um rápido resumo para Daniel e Leo sobre o que ele tinha conversado com as dolls.
- Vamos? – perguntou Leo.
As dolls confirmaram que sim e partiram para o aeroporto. O motorista levou as dolls enquanto os três rapazes tomaram um táxi para o aeroporto, já que não teria condições de o carro levar os oito juntos.
Assim que chegaram ao aeroporto, conseguiram comprar logo oito passagens para um vôo que sairia dali a uns vinte minutos. Para a sorte deles não iriam precisar esperar muito tempo. Como estava cedo, o movimento no aeroporto não era tão intenso, ou seja, as dolls não se preocuparam tanto em serem fotografadas por paparazzi àquela hora da manhã. Apenas fizeram questão de tirar fotos com alguns fãs que as viram e dar autógrafos.
Durante o vôo, elas conversavam.
- Nem acredito que não liguei para o Lewis... – desabafou Nicole para Melody, que estava do seu lado.
- Ah, Nic. Não esquente com isso!Eu também nem avisei nada ao Alex... – disse a baby doll muito segura de si.
- Hum... É que eu sinto que devia ter dito a ele... Mas aí, o que dizer?Indo ao Egito de novo... Pra que?E eu não queria contar a ele... Pelo menos acho que não devo.
- É... Eu também fiquei nesse mesmo dilema com o Alex...
- É complicado. A gente não sabe como eles podem reagir a esse segredo...
- Nessas horas é que eu tenho uma certa inveja da Kim e da Jessi. – disse Melody suspirando. – Os namorados sabem de tudo, não tem nada a esconder...
- É...
- Mas, a depender da situação, talvez a gente possa contar pro Alex e pro Lewis.
- Será?
- Acho que sim... Tenho dúvidas, mas... Pode ser que a reação deles seja a mesma do Gabriel quando a Kim contou a ele sobre os poderes: a princípio, eles não acreditam; depois, duvidam e por fim, entendem.
- Será que depois dessa batalha, sei lá, a gente vai voltar ao normal?
- Como assim, Nic?
- Não sei... Se isso é tipo uma missão que temos que cumprir, derrotar os Elementais Negros, será que depois disso a gente perde os poderes e voltamos ao normal? Ia ser tão bom... Voltar a ser como antes...
- Ah não! – disse Melody elevando a voz. – Eu amo meus poderes!
- Sei... Você adora é escutar os pensamentos dos outros... – disse Nicole rindo.
- É... Também. Mas é sério, Nic. Apesar de ter esses problemas de ter que esconder isso dos outros, eu amo meus poderes, amo controlar o Fogo...
- Eu não tenho poderes paralelos como você e as meninas têm. Meu único poder é controlar a Energia.
- Eu sei, mas sem você nós não somos nada. Graças ao seu controle sobre o cristal que a gente consegue usar nossos poderes. E controlar a Energia não é pra qualquer um não viu?Você sabe que é o poder mais forte que tem.
A viagem terminou sendo rápida e logo as dolls estavam mais uma vez no Aeroporto Internacional de Cairo.
Eles fizeram exatamente como o combinado. Gabriel foi logo se adiantando e deu uma volta no aeroporto, procurou por Martha, mas nem sinal dela. Ligou para Kimberly. Era o sinal que elas já podiam encontrá-lo.
Os oito se reuniram em frente a porta de saída do aeroporto.
- Tá na hora do plano entrar em ação. – disse Gabriel.
- Minhas mãos estão geladas... – disse Kimberly.
- Fique calma, amor. – disse Gabriel dando um forte abraço nela. – Vai ficar tudo bem.
- Então agora você vai ver a bruxa velha... Depois, você nos liga e depois de um tempo, a gente vai pra “armadilha”. – disse Melody. – Não é isso?
- Exato. – concordou Gabriel. – Agora, quanto a vocês dois... – disse ele indicando Leo e Daniel. – Acho bom que fiquem com as meninas, mas não entrem na tumba com elas, ou melhor, entrem, mas não deixem que Martha os veja.
- Certo. – disse Daniel.
- Boa sorte pra vocês. – disse Gabriel olhando para as dolls. Em seguida, ele beijou Kimberly e a abraçou mais uma vez. Depois disso, saiu do aeroporto.
- E agora? – perguntou Jessica agarrada a cintura de Leo. – Aonde vamos?
- Como eu disse a vocês ontem... Tenho que entregar uns equipamentos a Sandrine e a Michael. – disse Leo indicando a maleta que ele carregava. – Coisas de arqueólogos...
- Então vamos com vocês! – disse Ashley.
- E o que vamos dizer se eles perguntarem o motivo de nós estarmos aqui de novo? – perguntou Jessica.
- Hum... Sei lá. A gente diz que veio revê-los... Que tava com saudade... Sei lá! – disse Melody sorrindo.
Os sete se dividiram em dois grupos e partiram para o local das escavações, onde certamente encontrariam Sandrine, Vanessa, Richard e Michael.
Um tempo depois e Gabriel já acabava de chegar ao hotel em que ficou hospedado da última vez com Martha e Thomas.
- Pois não, senhor? – disse a recepcionista.
- Eu queria saber se a hóspede Martha Evans se encontra. – informou ele.
- Não podemos fornecer dados dos nossos hospedes, senhor.
- Por favor, moça! – disse Gabriel fazendo uma cara de desespero. – Sou filho dela e preciso saber se minha mãe está aqui ou não. Papai teve um acidente e não consegui falar com ela pelo telefone. Então tive que vir pessoalmente para avisá-la que ele... – e Gabriel começou a forçar até que conseguiu sair umas lágrimas. – Ele... Papai morreu!
A mentira mais louca que ele poderia ter inventado deu certo, pois a recepcionista lhe disse que Martha tinha saído há algumas horas.
- Obrigado, moça! – disse ele assoando o nariz no lenço que ela lhe dera. – Vou procurá-la o mais rápido possível.
- Quer que eu avise a polícia local?Para rastreá-la?
- Não! – disse ele quase gritando. – Digo... Não. Não precisa, acho que sei onde ela pode estar...
Ele partiu rapidamente do saguão do hotel em direção à pirâmide. Queria encontrar Martha o mais rápido possível para acabar logo com tudo isso.
As dolls acabavam de chegar às escavações.
- Olá! – disse Leo cumprimentando os colegas. – Onde está o Richard?
- Ah... Ele pegou uma gripe... Está de cama esses dias. – informou Sandrine ainda fixando o olhar em Leo. Só depois que ela foi se dar conta da presença das dolls. – Ah, meu Deus!Vocês vieram outra vez! – disse ela abrindo um sorriso.
- Vieram buscar mais inspirações para o próximo cd? – perguntou Vanessa.
- É... Não. Na verdade,quando o Leo disse que vinha ver vocês,a gente quis vir pra fazer uma surpresa. – disse Melody colando uma desculpa.
- É.A gente tava com saudade... – completou Ashley.
- Ai!Que lindo!As Pussycat Dolls com saudade da gente!Nossa! – exclamou Vanessa quase desmaiando de emoção enquanto Michael ria da cena.
- Bom, já que o Richard não ta aqui... – começou Leo estendendo a maleta para a amiga. – Tome, Sandrine. Não se esqueça de entregar a ele também viu?Aí estão os equipamentos que vocês me pediram da última vez.
- Ah!Ótimo! – disse ela abrindo a maleta e conferindo os instrumentos.
- Então?O que vamos fazer agora? – perguntou Jessica, impaciente, baixinho para Kimberly.
- Querem passear pelas escavações? – perguntou Michael. – A gente pode mostrar a vocês o que a gente já encontrou por aqui.
- Excelente idéia. – disse Leo.
“Que entediante!” pensou Melody. A baby doll já estava mais do que impaciente e percebeu que Kimberly também estava,ao escutar o pensamento da loura.
[- Porque que o Gabriel não ligou ainda?] pensou Kimberly.
Gabriel acabava de chegar à pirâmide. Foi entrando sem cerimônia e logo encontrou Thomas no caminho que dava para a tumba.
- Gabriel! – exclamou ele. – Ela já está te esperando desde cedo.
- Imagino. – disse Gabriel baixando a voz. – Obrigado por estar do nosso lado...
- Claro. – disse Thomas também em voz baixa. – Agora vá! Ela não pode ver a gente cochichando aqui.
Quando adentrou a tumba, Gabriel viu Martha usando um longo vestido negro. Não estava usando seu tradicional colar de pérolas, mas estava cheia de pulseiras douradas. Estava de costas quando ele entrou, mas pareceu perceber a sua presença.
- Querido? – disse ela ainda de costas para ele.
- Martha... – começou ele sem saber o que dizer. – Você está deslumbrante.
- Obrigada. – disse ela mostrando um sorriso diabólico.
- Então?Posso ligar para as idiotas? – disse Gabriel se odiando por xingar as dolls.
- Ainda não ligou? – Martha deu uma risada debochada.
- Um momento então. – disse ele pegando o celular.Ele suspirou fundo.
- Nervoso? – perguntou Martha estranhando.
- Não.Imagine!
- Sei...
- Alô?Kim?Kim!Você não vai acreditar! – dizia ele enquanto a doll não dizia nada do outro lado da linha. – Eu...Eu encontrei a arca.
- Já está com a Martha aí? – perguntou Kimberly.
- Sim. Encontrei ela aqui na tumba. – disse Gabriel respondendo a pergunta de Kimberly, mas parecendo que falava da arca. Martha estava acreditando na encenação.
- Kim, eu irei passar uns dias aqui junto com a Martha. – dizia ele olhando para a megera, que fazia uma cara de aprovação. – E... Não tem como vocês passarem aqui agora?
- Você é um ótimo ator. – disse Kimberly rindo do outro lado da linha.
- Ótimo!Vão pegar o vôo mais próximo então?Perfeito!
- Daqui a algumas horas estaremos aí. – disse a doll rindo.
- Então ta bom. Até mais tarde. Vocês já sabem onde me encontrar.
- Claro que sei!
- Tchau, Kim.
- Te amo!
- Sim, sim. Estarei aqui naquela mesma pirâmide.
- Seu bobo! – disse ela rindo.
Assim que desligou o telefone, Martha o aplaudia.
- Perfeito. Você é um excelente ator.
- É... Já me disseram isso... – disse ele prendendo o riso. – Agora é só esperar elas chegarem e...
- O cristal será meu! – disse Martha ansiosa. – Digo, será nosso!
- Claro, querida. Claro. – disse ele
- Você está diferente ou é impressão minha? – perguntou Martha o avaliando.
- Impressão sua, querida. – disse ele disfarçando. – Mas me diga... Por que você está tão linda assim?
Ela soltou uma gargalhada.
- Ora, ora... Hoje é um dia especial né? Conseguiremos o cristal e com isso, conseguiremos o tesouro.
- Ah sim... É verdade. Hoje teremos que comemorar! – disse Gabriel ironicamente.
- Com certeza, Gabriel.
- O que faremos até elas chegarem? – perguntou ele sem saber realmente o que fazer.
- Vou lhe contar todo o meu plano para a armadilha. – começou ela. – Irei lhe explicar todos os detalhes...
- Ótimo, Martha. – era tudo o que ele queria: saber tudo o que Martha pretendia fazer contra as dolls.
Enquanto isso, as dolls já entediadas e ansiosas, passeavam com a equipe de Leo nas escavações.
- E esse foi o amuleto que a gente encontrou semana passada. – informou Vanessa muito concentrada.
- Que interessante! – exclamou Ashley.
- Eu não acredito que ela esteja mesmo interessada... – cochichou Melody para Kimberly, que riu baixinho do comentário.
- Não é emocionante? – perguntou Sandrine. – Adoro isso aqui!
- Sim. – disse Nicole. – Tem cada objeto lindo que vocês encontram nessas escavações...
- Ah!Por falar em objeto... – começou Michael. – Eu tenho uma coleção de pedras incrível!A gente acha vários tipos de pedras nesse trabalho. Vocês têm que ver...
- Ah... Não precisa se incomodar, Michael. – disse Melody tentando não o mandar calar a boca. A doll estava muito impaciente. Não via a hora de ir logo à tumba e usar seus poderes Elementais.
- Não vai ser incômodo nenhum. Venham. – Michael fez menção para eles o seguirem. Daniel fez uma cara de nervosismo para Kimberly.
As dolls foram fortes o suficiente para agüentar mais uma hora e meia vendo toda a coleção de pedras de Michael e ouvindo todas as informações que os arqueólogos lhes davam acerca das escavações.
- Nic, vem cá... – disse Ashley se afastando mais do grupo e indo pra um lugar onde não havia ninguém por perto.
- Que foi, Ash? – perguntou Nicole.
- Eu tava olhando o relógio aqui... A gente já deve ter quase duas horas aqui.
- Nossa!Já? – Nicole consultou seu relógio também. – É mesmo. Graças a Deus!Já tô ficando impaciente.
- Só você?Não agüento mais ver essas pedras do Michael! Já tô com vontade de jogar uma na cabeça dele. – disse Ashley fazendo uma cara brava.
Nicole se acabou de rir.
- Nic, temos que avisar as meninas que já ta na hora de ir à pirâmide. – disse Ashley.
- Sim. – disse Nicole se recuperando do ataque de risos. – Vamos avisá-las.
E as duas voltaram para perto do grupo.
- E essa pedra aqui... Ah!Essa é especial... – dizia Michael bastante empolgado quando Ashley o interrompeu.
- Meninas!Tá na hora de ir! – disse ela meio sem graça.
- Sério? – disse Melody consultando o relógio do seu celular. – Até que enfim!Quer dizer... Puxa vida!Que pena... Passou tão rápido...
- Aonde vocês vão? – perguntou Vanessa.
- Não acredito que vocês não vão terminar de ver a coleção do Michael. – disse Sandrine com as mãos na cintura.
- É... É uma pena mesmo... – disse Jessica meio nervosa. Ela não sabia o que dizer. – Mas é que nós ainda temos uma apresentação para fazer agora à tarde. Por isso, temos que pegar o vôo mais próximo.
[- Que desculpa mais louca que eu inventei!] pensou ela. Melody ouvia tudo.
- Exatamente. – completou a baby doll para ajudar Jessica. – Como a gente disse, só viemos mesmo rever vocês. Se não tivéssemos essa apresentação hoje, ficaríamos aqui o dia todo vendo todas as pedras da coleção adorável do Michael.
- Ah... – disse Michael com uma cara triste. – Tá bom então. Mas voltem mesmo ta?Adorei mostrar a minha coleção pra vocês,quando vocês voltarem,eu juro que termino de mostrar. Se bem que até lá terei novas pedras na coleção, ou seja, mais coisas pra vocês verem. – disse ele abrindo um largo sorriso.
- Claro, Michael. – disse Kimberly forçando um sorriso também.
Não que a coleção de pedras não fosse interessante, mas as dolls naquele dia estavam muito mais preocupadas em vencer a batalha contra os Elementais negros e por isso, não conseguiam sequer prestar atenção em nada. Seus pensamentos só eram voltados para a batalha e mais nada.
- Daniel, você vai com elas? – perguntou Vanessa.
- Ah... Sim. – respondeu ele meio despreparado para a pergunta.
- Você disse que quando voltasse ia ficar por um tempo com a gente.
- É, eu sei. – disse ele. – Mas... Ainda tenho certas coisas para resolver lá em Nova Iorque e talvez eu passe uns dias com a família, no Brasil. Só depois eu volto pra cá.
- Hum... – disse Sandrine. – Entendi.
Assim que eles se despediram dos três arqueólogos, se dividiram mais uma vez em dois carros e partiram para a pirâmide. A hora estava chegando e as dolls estavam mais do que ansiosas.
Chegaram em frente a pirâmide.Os carros pararam.Os sete ficaram juntos com a pirâmide as suas costas.
- Fiquem calmas o máximo que puderem. – disse Leo olhando para cada uma.
- Vai ser difícil! – disse Jessica. – Olha como eu estou! – ela mostrou a mão tremendo.
- Não adianta ficar assim. – disse Daniel. – Só vai piorar a situação.
- Tentem ficar calmas e lembrem-se de tudo o que fizemos nos treinamentos. Lembrem-se de como vocês progrediram... – disse Leo tentando tranqüilizá-las.
- E estão lembradas dos versos? – perguntou Daniel
- Ah! – exclamou Nicole. – Acho que não lembro direito...
- Tome. – disse Daniel tirando um pedaço de papel do bolso e entregando a Nicole. – Eu anotei os versos. Imaginei que precisasse.
- Bom garoto! – disse Melody.
As dolls leram mentalmente os versos várias vezes para fixar.
- Prontas? – perguntou Nicole.
- Sim. – responderam as quatro em coro.
- Boa sorte! – disse Leo abraçando cada uma e em especial, deu um beijo em Jessica.
- Vão lá e arrasem! – disse Daniel também abraçando cada uma. – Mostrem quem é que manda!
- Entraremos logo depois de vocês, mas ficaremos espiando de longe. Qualquer coisa que for preciso entraremos na batalha também. – disse Leo.
- Mas vocês não têm poderes! – exclamou Jessica preocupada com o namorado.
- Não se preocupem. Vai dar tudo certo. – disse Daniel.
Leo concordou com a cabeça.
As cinco deram as mãos e foram andando em direção à pirâmide. Os cinco corações agora batiam mais forte do que nunca. O cristal de Etafa, no pescoço de Nicole, parecia mais verde do que o comum.
Elas iam entrando lentamente na pirâmide e caminhavam em direção a tumba. Logo no caminho viram Thomas. Ele deu uma piscadela para elas querendo dizer que estava do lado delas.
- Esse deve ser o Thomas. – Jessica cochichou para Ashley.
Assim que entraram na tumba, elas estavam super nervosas e ainda assim, sabiam que tinham que fazer toda a encenação. Martha tinha que acreditar que elas tinham caído na armadilha.
Quando Gabriel as viu entrando também ficou nervoso e corou um pouco, mas logo entrou em ação.
- Meninas! – disse ele segurando a arca nas mãos. – Vejam o que eu encontrei.
- Onde você achou? – perguntou sonsamente Kimberly.
- É. Onde você achou?A gente procurou tanto aqui e em todos os lugares possíveis. – completou Jessica.
- Eu achei! – disse Martha saindo detrás de uma parede na tumba.
- Quem é você? – disse Nicole fingindo espanto. Ela sabia que aquela era Martha.
- Martha Evans. Muito prazer. – disse ela rindo diabolicamente. – Agora, Gabriel deve contar a vocês o que vai acontecer agora.
- Isso tudo foi uma armadilha. – começou ele.
Martha estava orgulhosíssima.
- Exatamente. – continuou ela. – E ele nunca esteve do lado de vocês. Agora, eu quero o cristal! – disse ela olhando para o cristal no pescoço de Nicole.
- Não! – Nicole gritou.
- Não? – disse Martha com uma voz desdenhosa. – Como ousa falar assim comigo, mocinha?
- Pois é... Isso tudo foi uma armadilha. – disse Gabriel.
- Sim, querido. Você já disse isso. – disse Martha irritada.
- Uma armadilha contra você, Martha! – continuou Gabriel caminhando para o lado das dolls e deixando Martha sozinha no outro canto. – Eu tô com elas agora.
- Hã? Ah... Eu... Não... Como ousa? – disse ela surpresa. – Gabriel!Deixe de gracinhas!Você não pode ter ido para o lado delas...
- Por que não? – perguntou ele levantando a sobrancelha.
- E o nosso tesouro? – perguntou ela assustada.
- Meu maior tesouro já está aqui... – e ele olhou para Kimberly na hora.
- Que patético! – resmungou Martha.
- Martha, por que você não se rende logo? – disse Gabriel ainda segurando a arca nas mãos. – Vamos embora com a arca e você nos deixa em paz. Prometemos nem chamar a polícia nem nada.
- Polícia? – começou ela rindo sarcasticamente. – Você também é ladrão, amor. Esqueceu suas origens?
- Não sou mais! – gritou ele. – Não sou mais um verme imundo como você!
- Não fale nesse tom comigo, seu... Seu traidor! – gritou mais ainda ela. – E passe a arca pra cá!
- Não! – gritou ele segurando forte a arca.
Ela começou a balbuciar algumas palavras certamente em egípcio e a arca tomou vida própria e conseguiu com toda a força, se soltar de Gabriel e ir flutuando lentamente na direção de Martha. Martha a agarrou.
- É minha agora sabiam? – ela deu a tradicional gargalhada diabólica e fez menção de abrir a arca.
- Não faça isso, Martha! – disse Gabriel em voz alta.
E ela abriu a arca. A luz negra bastante forte saiu de dentro dela e num outro instante, a tumba estava ocupada pelos quatro seres já conhecidos por Martha: os Elementais Negros.
- Agora, mais uma vez. – começou Martha com uma falsa voz calminha. – Me dêem o cristal!
- Não! – gritou Nicole. – Você não vai tê-lo.
- Se eu comando a arca agora, ela pode muito bem fazer com que o cristal volte para dentro dela. – Martha estava blefando enquanto caminhava em direção as dolls.
- Se afaste! – gritou Jessica, fazendo Martha ser arremessada até o outro canto da parede.
Caindo sentada, Martha foi se levantando com a ajuda de Barbalo Negro.
- Insolente! – gritou ela para Jessica.
- Gabriel, querido traidor, acho bom que se junte ao Thomas e saia daqui. – disse Martha com uma voz mansa. – Não quero que você se machuque... – e ela fez uma cara má.
- Vá, Gabriel. – disse Nicole. – É melhor.
Ele beijou Kimberly na testa e saiu da tumba. No caminho para fora da tumba, lá estavam Daniel, Leo e Thomas. Os quatro ficaram juntos observando o local onde ocorreria a grande batalha.
- Agora sim. – começou Martha. – Uma luta justa... Cinco contra cinco.
- Se você ganhar, te entregamos o cristal. Se nós ganharmos, ficamos com a arca. – disse Nicole bem séria.
- Combinado. – disse Martha. - Que comece a batalha!
Assim que Martha disse isso, os quatro Elementais Negros se posicionaram ao lado dela. As meninas fizeram o mesmo: ficaram ao redor de Nicole, deixando-a na frente.
Houve um silêncio irritante. Ninguém dava uma só palavra. Apenas os olhares falavam no momento.
Martha cortou aquele momento de tensão:
- E então? – disse ela olhando furiosa e intensamente para as dolls. – Vamos começar ou não?
As meninas nada responderam. Apenas fizeram o que tinham combinado no caminho para a pirâmide: deram as mãos formando um círculo e em seguida, em alto e bom som pronunciaram os versos que lhes davam uma maior força com relação aos poderes Elementais.

“Poderes Elementais
Venham a nós, Grandes Deusas.
Terra, Água, Fogo e Ar, liguem-se ao quinto elemento
Para a Energia formar.”

Assim como no dia anterior, o mesmo processo aconteceu: elas levitaram, uma forte luz saiu do cristal, depois cada uma adquiriu uma luz própria. O que aconteceu de diferente vem agora: ao invés de caírem desmaiadas como no dia anterior, elas simplesmente conseguiram voltar ao chão sem cair e, além disso, para a surpresa de todos, inclusive delas, as roupas estavam diferentes. Elas não estavam usando os mesmos vestidos do dia anterior. Parecia que o cristal sabia que aquela era a hora da grande batalha e com isso, ele tinha fornecido uma quantidade ainda maior de poder. Isso era visível nas vestes das dolls. Agora, cada uma usava uma espécie de túnica. Eram longas vestes pretas, só que cada uma possuía detalhes da cor do seu poder Elemental. Melody era a única que não possuía uma túnica cobrindo completamente as pernas. Quem sabe o cristal tinha até acertado no estilo da doll? Cada detalhe das vestes parecia ser bordado com fios de ouro ou algo muito brilhante. Estavam perfeitamente lindas. Lindas como verdadeiras deusas. Para Ashley aquele era um bom sinal. Se na sua premonição elas estavam com roupas diferentes, significava que talvez a batalha não acontecesse do jeito ruim como ela previra.
Martha estava impressionada e sentiu até certo medo quando viu a cena, mas obviamente ela não queria demonstrar isso.
- Muito bem! – disse ela batendo palmas. – Isso daria um belo truque circense.
- A única palhaça aqui é você! – disse Melody fazendo uma cara feia.
- Psshh!Mel! – disse Ashley segurando a amiga.
- Cale a boca, sua idiota! – disse Martha com um ar superior.
- Vou te mostrar quem é idiota... – Melody fechou os olhos rapidamente e quando os abriu, estendeu a mão direita e começou a criar uma bola de fogo. Mas antes que ela pudesse jogar a bola em Martha, sentiu sua mão ficar completamente encharcada. A bola de fogo havia sumido.
- Obrigada, querida. – disse Martha para a Dama Perdida. Ela tinha apagado a bola de fogo que Melody estava criando.
- Vamos acabar logo com isso. – vociferou Sol Negro fazendo uma bola de fogo (maior do que a de Melody) surgir no ar. Ele com certeza iria jogar na baby doll, mas as dolls logo perceberam que eles queriam lutar contra o próprio poder Elemental e elas não iriam cair nesse jogo. Ashley logo se lembrou do seu esquema que tinha elaborado no dia anterior e se posicionou diante de Melody. Ela iria enfrentar o Sol Negro. Foi o exato momento em que ele acabava de jogar a imensa bola de fogo na direção de Melody, que tinha Ashley à sua frente agora. Ashley lembrou-se dos treinos e com toda a concentração e força que pôde, mirou a bola de fogo e antes que esta pudesse atingi-la no peito, Ashley a congelou. A bola de fogo, agora congelada, caiu no chão e se espatifou em mil pedacinhos.
- Bom... Muito bom. – disse Sol Negro. – Agora agüente isso! – e dizendo isso, ele soltou uma imensa rajada de fogo na direção de Ashley. Ela automaticamente estendeu as mãos na direção da rajada e com isso, fez água jorrar das mãos e apagar o fogo.
- Hum... Ela é boa. – disse Sol Negro. – Será que é melhor do que você, Dama?
- Pode ter certeza que não! – disse a Dama Perdida se posicionando agora para frente de Ashley. Os Elementais Negros insistiam na idéia de cada um lutar contra o seu próprio poder. Kimberly se lembrou da estratégia de Ashley, comentada no dia anterior, e se posicionou para lutar contra a Dama Perdida.
- Não quero lutar contra o AR, querida. – disse Dama Perdida rindo debochadamente.
- Mas vai! – e dizendo isso, Kimberly soltou uma imensa rajada de vento na direção da Dama Perdida, fazendo ela atravessar rapidamente a tumba e bater violentamente contra uma parede do lado oposto.
- Desgraçada! – bradou o Barbalo Negro.
“Esse deve ser o Elemental Negro do Ar”. Kimberly pensou e estava certíssima. Jessica logo veio para o lado de Kimberly e se preparou para enfrentá-lo.
Ele foi mais rápido que Jessica e fez uma corrente de ar derrubá-la no chão.
- Jessi! – exclamou Melody enquanto Kimberly ajudava a levantar Jessica.
- Estou bem. – disse Jessica com uma expressão forte no rosto, parecendo a mesma do dia em que ela, nesta mesma tumba, controlou as pedras que caíam no desmoronamento.
Jessica também não perdeu tempo. Fez um buraco se abrir bem embaixo de onde o Barbalo Negro estava. Ele iria cair no momento se não fosse a Senhora da Árvore, que tinha o segurado.
A Senhora da Árvore mudou completamente sua feição de pânico, ao ver o Barbalo quase caindo no buraco, e abriu os braços em direção a Jessica. Das mãos dela, começaram a sair enormes caules espinhosos. Certamente ela queria amarrar Jessica até ela não agüentar ou mesmo, enforcá-la. Foi então que Melody entrou em ação e soltou grandes bolas de fogo nos caules de Senhora da Árvore, que ficou chamuscada.
- Muito bem. Já chega! – disse Martha irritadíssima. – Não vai dar certo. Elas não querem lutar contra o próprio poder.
- Exatamente. – disse Nicole séria. – Não queremos e não vamos.
- Se vocês quiserem lutar, que seja assim desse jeito. – informou Kimberly de braços cruzados e cara bem poderosa.
- O que acham? – perguntou Martha para os Elementais Negros, que concordaram. – Ótimo. Mas você... – disse ela apontando para Nicole. – É minha!Eu é que vou acabar com você!
- Não, Martha. – disse Nicole se preparando para usar seu poder. – EU é que vou acabar com você. – e dizendo isso, ela fez Martha levitar até onde dava e soltou uma rajada ofuscante de luz branca, que atingiu Martha em cheio.
Ela caiu deitada no chão. Parecia desmaiada, mas no momento, acabava de se levantar.
- Acabem... Com elas. – disse ela com uma voz meio rouca enquanto se recuperava da queda.
Novamente a luta seria recomeçada. Jessica se posicionou em frente ao Barbalo Negro; Kimberly, em frente à Dama Perdida; Melody, em frente à Senhora da Árvore; Ashley, em frente ao Sol Negro e Nicole, em frente à Martha.
Cinco batalhas ocorriam de uma só vez. Enquanto Nicole se desviava dos disparos negros e ofuscantes de Martha; Kimberly ficava invisível e fazia a Dama Perdida ficar literalmente perdida sem conseguir encontrá-la; Jessica fazia Barbalo Negro ficar preso à parede; Melody detonava várias rajadas de fogo em direção à Senhora da Árvore e Ashley, agora, se recuperava do ataque que sofrera do Sol Negro. Ele tinha soltado uma rajada de fogo em sua direção que fez seu braço ficar com uma terrível queimadura. Ela então,como se controlasse as moléculas de água do seu corpo,fez o tecido da pele se renovar, passando apenas a mão (água) em cima.
Leo, Daniel, Gabriel e Thomas acompanhavam tudo quase sem piscar os olhos. Gabriel já tinha se controlado diversas vezes para não interferir na batalha. Ele queria ajudar as meninas, mas sabia que não teria condições.
A batalha parecia estar chegando ao fim. Barbalo Negro, agora estava fraco. Jessica tinha usado sua telecinésia para paralisá-lo e ele não conseguia mais se mover. Além disso, ela tinha feito raízes surgirem do chão da pirâmide e o prenderem.
Senhora da Árvore também não estava nada bem. Sua cor esverdeada tinha sido substituída por uma cor negra. É que Melody tinha soltado tantas bolas de fogo nela, que ela estava totalmente chamuscada. Melody estava bem, apesar de ter alguns arranhões causados pelos irritantes espinhos da Senhora da Árvore. Ashley ainda não tinha vencido totalmente o Sol Negro. Ele era um dos mais fortes. Nicole ora parecia vencer Martha, ora parecia estar perdendo. Kimberly também não conseguia se defender direito da Dama Perdida. Ela também era bastante forte.
Jessica e Melody,com medo de seus respectivos adversários se recuperassem,resolveram ficar alerta. Jessica continuou controlando Barbalo com sua mente e manteve as raízes o prendendo com mais força. Melody continuou soltando bolas de fogo em Senhora da Árvore quando ela tentava se levantar do chão. De repente, ouviu-se um forte baque. Todos se viraram para olhar o que era. Kimberly estava desmaiada no chão. Tinha caído com os braços abertos. Daniel que via a cena junto com Gabriel, Leo e Thomas, não agüentou e sem querer soltou um grito:
- Nããããão!
Já a reação de Gabriel foi ficar imóvel e num instante seguinte, lágrimas começaram a cair dos seus olhos. Ele já ia sair correndo na direção da tumba, mas Thomas e Leo o impediram.
- Me larguem! – gritou Gabriel chorando.
- Pare! – disse Leo. – Você não pode fazer nada lá!
- É verdade. – disse Thomas nervoso. – Você não tem poderes.
Gabriel lutava contra os dois, mas eles conseguiram o segurar.
Jessica e Melody largaram seus adversários e foram ver Kimberly enquanto Nicole e Ashley continuavam lutando.
- Kim! – dizia desesperadamente Jessica. – Acorda, Kim!
- Ah não!Será que a visão da Ashley tava certa? – dizia Melody rapidamente. – Se tiver... O Elemental Negro do Ar vai atacar a Nic pelas costas!
- Mas o Elemental Negro do Ar eu já derrotei. – disse Jessica nervosa.
- Então só pode ser... – disse Melody olhando ao redor. – A Elemental da Água!Ela vai atacar a Nic pelas costas!Corra, Jessica!
Jessica chegou bem na hora em que Dama Perdida iria mesmo atacar Nicole enquanto ela lutava contra Martha.
- Hei! – gritou Jessica.
Dama Perdida se virou.
- Não te ensinaram que atacar pelas costas é feio? – e dizendo isso,Jessica fez Dama Perdida ficar se debatendo nas paredes da tumba.Em seguida,assim como fez com Barbalo Negro,Jessica fez grossas raízes saírem do chão e prenderem Dama Perdida.Depois disso,ela voltou rapidamente para ver Kimberly.
- Ela está respirando? – perguntou Jessica.
- Não! – disse Melody chorando desesperadamente.
Em meio a isso, Ashley conseguiu finalmente “apagar o fogo” do Sol Negro. Ela começou lançando o máximo de água que pôde e em seguida, conseguiu congelá-lo. Ashley correu para ver Kimberly enquanto Nicole continuava lutando.
- Ah!Kim! – dizia Ashley começando a chorar. – Meu Deus!
Nicole aproveitou que Martha se distraíra um pouco olhando para as meninas em volta de Kimberly e soltou um disparo de luz branca que fez todos fecharem os olhos na hora. O disparo atingiu Martha em cheio e foi bastante forte. Martha sentia a dor mais forte do que nunca. Ela urrava de dor.
- Renda-se! – disse Nicole tentando prender o choro ao ver de relance Kimberly caída no chão.
- Nunca!Ah! – dizia Martha em meio aos gemidos de dor. – Eu quero o cristal!
Nicole correu para as meninas.
- Não pode ser... – dizia ela sem conseguir conter as lágrimas. – Não... Kim...
Agora, Gabriel e os outros já estavam na tumba e viam a triste cena.
- Kim... Meu amor... Não... – dizia Gabriel em meio a soluços e lágrimas.
- Não há nada que se possa fazer? – perguntou Leo. – Jessica, tente controlar o corpo dela com sua telecinésia.
Jessica tentou se concentrar, mas não conseguiu. Ela estava muito nervosa e não queria acreditar no que via.
- Não consigo! – dizia ela chorando. – Não consigo!
Nicole então pensou inteligente e rapidamente e tirou o cristal do pescoço e colocou em cima do peito de Kimberly.
- Ajude-nos, cristal! – pedia Nicole, embora achasse que não daria certo.
O cristal emitiu uma luz intensa e flutuou em cima do corpo de Kimberly. Imediatamente o corpo dela parecia inteiramente verde. O corpo estava coberto pela luz do cristal. Em seguida o cristal se apagou e pousou no mesmo lugar onde Nicole tinha deixado.
Nicole começou a chorar desesperada. Se aquilo não tinha dado certo, ela não sabia mais o que fazer.
Foi então que para surpresa e alívio de todos, Kimberly começou a tossir e depois abriu os olhos. Ela deu um impulso e ficou sentada. Parecia que estava com falta de ar, mas logo melhorou.
- O que aconteceu? – dizia ela puxando o ar fortemente.
- Você quase... – começou Melody. – Morreu.
- Vamos, Kim. – disse Nicole enxugando as lágrimas. – Precisamos de você!
As cinco caminharam em direção a Martha que ainda se contorcia de dor no chão, mas não se dava por vencida.
- Vamos. – disse Nicole. – Vamos dizer os versos novamente e o final, eu improviso.
Elas deram as mãos e começaram a dizer os mesmos versos de antes e o final, Nicole improvisou:
- Invoco a força suprema do bem.
E que a nossa força combinada
Seja capaz de banir o mal deste lugar.

Nicole nem sabia como tinha dito tudo aquilo. Talvez por intuição mesmo. De dentro do círculo que elas fizeram ao dar as mãos, uma imensa bola de energia surgiu. E de dentro de cada doll, foi saindo uma bola de uma cor. As cinco bolinhas (branca, azul, lilás, verde e vermelha) penetraram a grande bola. Elas entenderam que ali seria a união de toda a força delas, assim como Nicole tinha dito nos versos que fizera. Essa imensa bola contendo as outras dentro, foi girando pela tumba e ao passar por cada Elemental Negro, ia sugando-o. Dentro de poucos segundos, todos os Elementais Negros tinham sido sugados pela imensa bola e quando ela chegou em Martha,pareceu a engolir também.Depois disso,houve quase que uma explosão de energia.
Assim que puderam abrir os olhos, as dolls notaram que Martha ainda estava ali e desmaiada.
Thomas checou e viu que ainda estava respirando. Ela abriu nervosamente os olhos.
- Martha? – disse Thomas com medo.
- Quem? – disse ela. – Estou com uma dor de cabeça terrível. Quem é você?
- Xi!Ela perdeu a memória! – disse Melody.
- Quem são vocês? – dizia Martha sentada no chão. – Onde estou?Socorro!Eles vão me matar!
- Quem? – perguntou Thomas.
- Eles... Eles estão me vendo agora... Você está vendo eles? – dizia Martha olhando para os lados repetidas vezes.
- Quem Martha? – disse Thomas.
- Fale baixo!Eles estão ouvindo nossa conversa! – dizia ela tapando os ouvidos.
- Deus do céu!Ela ficou maluca! – disse Jessica.
- Bem feito! – completou Melody. – Bem merecido...
- Coitada. Agora deu até pena. – disse Ashley.
- Pena? – disse Melody rindo. – Essa aí não merece a compaixão de ninguém.
- Vamos embora. – disse Leo pegando a arca que estava num canto da tumba.
- Acho que isso deve ficar aqui. – disse Nicole tirando o cristal e guardando na arca.
Nessa hora, elas mudaram as roupas novamente. Voltaram a usar as mesmas roupas de antes e não mais as túnicas.
- Ah!Que pena! – exclamou Leo. – Vocês estavam tão lindas...
- Kim?Você está bem? – perguntou Gabriel percebendo que ela estava com um olhar vago.
- Sim. É que não acredito que isso tudo acabou. – disse ela. – Graças a Deus.
Eles levaram Martha para o hotel. Chegando lá ela estava completamente descontrolada e então resolveram encaminhá-la para uma clínica psiquiátrica. Os nove partiram logo em seguida para o aeroporto.
Por sorte, acharam um vôo que estava acabando de se preparar pra sair. Em algumas horas, chegaram a Nova Iorque.
As dolls estavam exaustas. Tinham passado por emoções muito fortes e desafios perigosos. O que elas mais poderiam fazer naquele dia? Sair pra comemorar!E foi isso que fizeram à noite.
Mandaram reservar um restaurante especialmente para aquela noite. Cada doll estava com seu namorado. Daniel tinha levado Katy (que nem acreditava que estaria jantando com as Pussycat Dolls e Lewis Hamilton). E Thomas também estava presente.
- Vamos brindar! – disse Gabriel se levantando da mesa.
- Brindar a que? – perguntou Lewis.
- Brindar à vida, brindar a mim, a você, a todos nós! – disse Nicole também se levantando da mesa.
Os outros se levantaram também.
- Porque a vida é cheia de coisas Elementais... – disse Kimberly sorrindo.
Kenny, Lewis, Alex e Katy obviamente não entenderam o comentário de Kimberly, mas sorriram e estenderam a taça para fazer o brinde.
Elas nunca mais se esqueceriam de tudo o que passaram durante os últimos meses e em especial, nunca se esqueceriam daquele dia.
E assim terminou a noite de um dia tão agitado e cheio de emoções como aquele. Uma noite extremamente perfeita.

domingo, 14 de junho de 2009

CAP.24 – GRANDES DEUSAS

CAP.24 – GRANDES DEUSAS

Véspera da grande batalha. As dolls estavam mais ansiosas do que nunca. Logo cedo, pela manhã, por volta das sete horas, lá estavam elas na sala de dança. Leo e Daniel estavam lá para ajudar no treino final. Para a surpresa de todos, inclusive de Kimberly, Daniel estava agindo estranho. Ele estava com um sorriso diferente no rosto e olhava pouquíssimas vezes para Kimberly. Será que ele conseguira realmente esquecer a doll?
- Sei que é bastante cedo... – começou Leo, sendo interrompido por um enorme bocejo de Melody. – Mas,como vocês sabem,é necessário que vocês estejam bastante preparadas.
- É... Fazer o quê... – resmungou Ashley.
- E então?O que vamos treinar hoje? – perguntou Nicole.
- Eu acho que a única coisa que vocês não treinaram foram os escudos de proteção. – disse Leo.
- É verdade. – começou Daniel que carregava um livro velho e grosso. – Aqui neste livro mesmo fala que quem dominava os poderes Elementais, tinha a capacidade de criar escudos de Energia, Terra, Água, Fogo e Ar.
- Hum... Que demais! – exclamou Melody. – Então posso criar um escudo de Fogo para me proteger... Que perfeito!
- É isso então. – disse Leo muito calmo. – Hoje, daremos importância aos escudos no treino e depois a gente pode fazer um treino geral, relembrando cada passo, cada detalhe...
- Ótimo. – disse Kimberly.
- E já sabem né?Amanhã... Talvez este seja o plano deles: fazer cada uma lutar contra seu próprio poder Elemental, mas nem pensem em ceder ao desejo deles. Se vocês lutarem contra o próprio poder, vão ficar em desvantagem.
- E como é que eu vou saber com quem eu vou lutar? – perguntou Jessica confusa.
- Só na hora, Jessi... – disse Nicole. – O que eu sei é que eu vou ter que lutar contra a Martha.
- Podemos deixar um esquema armado... – começou Ashley. – Tipo assim: eu luto contra o de Fogo; Kim contra o de Água; Mel contra o de Terra e você, Jessi, contra o de Ar.
- É... Pode ser... – concordou Jessica. – Mas realmente só poderemos decidir isso na hora. Só não podemos é lutar contra nosso próprio poder Elemental e pronto!
- Daniel? – disse Leo.
Ele não respondeu. Estava lendo bastante concentrado uma página do velho livro.
- Daniel?O que foi? – perguntou Leo já preocupado com a feição do rosto do amigo. – Encontrou alguma coisa nova, interessante?
- Hã?Ah... Sim. Digo, não. – Daniel parecia confuso agora que terminara de ler a página do livro e prestava atenção na pergunta de Leo.
- O que é que você ficou todo paralisado aí? – começou Melody puxando o livro das mãos dele. – O que é você tava lendo?
A doll começou a ler em voz alta a página que Daniel tinha acabado de ler.
- Hum... Vejamos. – disse a baby doll bem séria. – “Segundo a lenda, a grande deusa, que possuía os poderes Elementais contidos na arca, dominava todos os elementos através de um cristal, o Cristal de Etafa.”
- Ah!Isso a gente já sabe! – exclamou Kimberly.
- Mas não era exatamente isso que eu tava lendo... – disse Daniel. – Veja no fim da página, Mel.
- “Para o ritual de obtenção máxima dos poderes, a grande deusa proferia os seguintes versos:
Poderes Elementais
Venham a mim, Grande Deusa
Terra, Água, Fogo e Ar, liguem-se ao quinto elemento
Para a Energia formar.”
- Hum... Legal. – disse Ashley meio desapontada. – Achei que era algo mais interessante que você tava lendo, Daniel.”
- Por que você ficou todo espantado com esse “feitiço”? – perguntou Melody. – Não tem nada demais. Se fosse pra acontecer algo, tinha acontecido...
- É porque esses versos era a grande deusa que fazia, mas agora, não é uma mulher só que está com os poderes, são cinco.
- Então você acha que se todas nós falarmos isso juntas, alguma coisa vai acontecer? – perguntou Jessica ansiosa.
- Olha, é difícil dizer... Se tanta coisa dessa lenda que eu achava que era só uma lenda é real, por que não isso também? - disse Daniel.
- Bom, não custa nada tentar... – disse Melody ainda segurando o pesado livro nas mãos.
- Vão em frente. – disse Leo encorajando-as. – Só não se esqueçam de modificar algumas palavras dos versos.
- Toma, Nic. – Melody deu o livro para Nicole segurar. – Acho melhor você ficar com ele...
As dolls se posicionaram. Nicole ficou no meio e as meninas ao seu redor. Elas leram mentalmente e cochicharam sobre as palavras que iriam mudar quando proferissem o tal encantamento.
- Prontas? – Nicole perguntou.
- Sim. – disseram as quatro de vez e em seguida, pronunciaram juntas:

“Poderes Elementais
Venham a nós, Grandes Deusas.
Terra, Água, Fogo e Ar, liguem-se ao quinto elemento
Para a Energia formar.”

Houve um silêncio.
- Não aconteceu nada! – disse Melody frustrada e irritada.
- É... Então essa parte deve ser só uma lenda mesmo... – disse Daniel pegando o livro das mãos de Nicole.
Após alguns segundos, algo inexplicável aconteceu. Algo que nem mesmo Leo, Daniel e nem as dolls poderiam explicar. Elas começaram a levitar bem devagar. Estavam a quase um metro do chão. O cristal de Etafa se agitava sem parar no pescoço de Nicole, até que com um impulso, conseguiu sair do pescoço dela, levando a corrente consigo.
O cristal,como se tivesse vida própria,se posicionou diante delas e liberou uma intensa e ofuscante luz. Leo e Daniel chegaram a fechar os olhos, as dolls fizeram o mesmo. Certamente qualquer um que não fizesse isso poderia até ficar cego no momento.
Após a intensa luz ir se enfraquecendo, cada doll parecia estar dentro de uma luz própria. Nicole envolvida por uma luz meio amarelada, esbranquiçada; Ashley, por uma luz azul clara; Kimberly, lilás; Melody, vermelha e Jessica, verde. Daniel e Leo já podiam abrir os olhos. Eles viam a cena e nada entendiam.
As dolls pareciam estar desmaiadas enquanto flutuavam no ar. Estavam de olhos fechados e apenas se balançavam com o movimento do ar. De repente, cada luz, começou a ficar forte e forte, até que mais uma vez, ninguém conseguiu enxergar nada na sala de dança. Após esse momento, ainda de olhos fechados, Leo e Daniel perceberam que as intensas luzes tinham cessado. Assim que abriram os olhos, viram as dolls caídas no chão e nem sequer perceberam a diferença: todas estavam vestidas de um modo novo, assim como Ashley tinha previsto.
- Meninas! – dizia Daniel em voz alta tentando acordar as dolls – Levantem!
- Calma, Dan. – disse Leo. – Elas estão bem...
As dolls começaram a abrir os olhos como se acabassem de acordar de um longo sono.
- O que... O que aconteceu? – disse Nicole confusa se levantando.
- Minha cabeça... – dizia Jessica com a mão na testa.
- Foi tudo tão rápido e... – começou Melody. – Hei!Que roupas são essas?
Agora é que todas as dolls e os meninos foram realmente notar a grande diferença: todas estavam usando vestidos brilhantes, uns longos e outros mais curtos. Cada um de uma cor e estilo diferente.
- Gente! – exclamou Ashley. – Foi assim que eu vi no sonho!Eu tava com esse vestido... – ela pegava o vestido longo azul e o examinava.
- Impressionante. – dizia Leo boquiaberto.
- Vocês realmente são as Grandes Deusas. – disse Daniel admirado.
- Meninas!O cristal! – dizia Nicole desesperada enquanto percebia que o cristal não estava no seu pescoço.
- Calma, Nic. – disse Kimberly se agachando e pegando o cristal que estava embaixo de uma mesinha. – Aqui!
- Obrigada, Kim. – disse Nicole colocando o cristal no pescoço. – Como foi que ele saiu do meu pescoço?Foi tudo tão rápido...
- Nem nós conseguimos ver direito tudo o que aconteceu. – disse Leo.
- Havia uma luz, ou melhor, luzes tão ofuscantes que tivemos que fechar os olhos. – disse Daniel.
- Então esses versos funcionaram... – disse Melody.
- E nós ficamos mais fortes ao pronunciar isso? – perguntou Jessica.
- Ao que tudo indica, sim. – disse Daniel (re) consultando o livro.
- Ou seja... Vocês estão em maior vantagem agora. Se antes, já estavam fortes, agora então... – disse Leo orgulhoso.
- E nossas roupas?Sumiram e deram lugar a essas... Como a gente faz pra voltar? - disse Kimberly preocupada.
- Isso eu não faço idéia. – disse Daniel.
- Nem eu. – completou Leo.
- Talvez... Se eu conversar com o cristal... – disse Nicole se sentindo meio louca ao dizer aquilo.
- Você ta doida?Conversar com o cristal? – disse Melody.
- Foi ele que saiu do meu pescoço... Ele meio que ganhou vida própria né... Então, quem sabe... – disse Nicole olhando firmemente para o cristal. – Desejo que nós voltemos a usar nossas roupas de antes.
A princípio nada aconteceu.
Algumas dolls riram.
- Tá vendo que eu disse que você tava ficando doida? – disse Melody dando altas gargalhadas.
Antes que Melody conseguisse rir mais, ela percebeu que não usava mais o vestido vermelho e sim, sua blusa amarela e calça preta. Todas as dolls estavam usando novamente as mesmas roupas de antes.
- Hei!Minha... Nossas roupas! – exclamou a baby doll.
- E agora?Quem é a doida? – disse Nicole dando uma piscadela para Melody.
Todos riram na hora.
- Bom, vamos continuar então. – disse Leo. – Os escudos ou círculos de proteção podem ser bastante úteis...
Enquanto o treino seguia sem parar, Gabriel, no seu apartamento, pensava em tudo o que tinha acontecido no dia anterior.
Ele nem acreditava que finalmente, depois de tantas dificuldades e quase impossivelmente, tinha conseguido reconquistar o amor de Kimberly. Parecia um sonho... Um sonho que se realizava. Agora, ele não tinha mais porque ter medo de perdê-la. Ela agora tinha voltado para ele...
Perdido em seus pensamentos, Gabriel foi interrompido quando o telefone tocou.
- Alô? – disse ele com uma voz meio rouca.
- Gabriel! – berrou Martha euforicamente do outro lado da linha.
- O que foi?
- Só quero confirmar com você... Está tudo certo para amanhã?
- Sim. Está.
- Perfeito! – dizia ela suspirando. – Ai, ai... Nem acredito que amanhã eu terei o maldito cristal em minhas mãos e o tesouro... Será meu! – ela parou de repente. – Quer dizer... Será nosso!
Gabriel nem ligava mais pro que Martha falava a respeito do tesouro. Ele não fazia mais questão de tê-lo, pois o maior tesouro para ele, ele já conseguira: ter o amor de Kimberly.
- Claro, querida...
- Fico feliz que você tenha conseguido enganar essas idiotas mais uma vez, Gabriel. Você realmente superou minhas expectativas.
- Obrigado, Martha.
- Então você já sabe. Amanhã, venha pra cá logo cedo e assim que chegar aqui ligue para elas e diga que conseguiu achar a arca.
- Claro, Martha. – dizia ele já impaciente.
- Vou desligar, querido.
- Tudo bem.
- Até amanhã.
- Até.
Gabriel sabia que à uma hora daquelas, como Kimberly havia lhe dito, elas estariam treinando. E sabia também que Daniel estaria lá, então resolveu esperar mais um tempo antes de ir à casa das dolls.
As horas passaram rapidamente e por volta das duas da tarde, como combinado, elas pararam o treino. Já estavam exaustas. Tinham treinado a manhã toda e não tinham parado nem pra almoçar, só fizeram um lanche rápido.
- Bom, meninas... Acho que agora já ta na hora de descansar mesmo. – disse Leo. – Eu vou aproveitar e vou logo pra casa. Tenho que separar uns equipamentos que Sandrine e Michael me pediram.
- Ah, amor!Você já vai? – disse Jessica fazendo uma cara triste.
- Jessi... Vocês... Precisam descansar... Uma boa noite de sono vai ser essencial para manter a força amanhã.
- Ele tem razão. – disse Nicole.
- Então, meninas, durmam bem,relaxem,descansem... Amanhã vai ser um grande dia! – disse Daniel com um sorriso imenso.
Ashley e Melody saíram da sala para irem aos seus respectivos quartos. Jessica acabava de se despedir de Leo dando-lhe um enorme beijo e agora, saía também da sala, só que em direção à cozinha. Quando Leo e Daniel finalmente se viraram de costas para irem embora, Kimberly os interrompeu:
- Hei!Daniel!Preciso falar com você... – disse ela com uma voz firme, mas baixa.
Nicole na hora percebeu que também deveria sair da sala e foi direto para a cozinha fazer companhia a Jessica.
- Eu... Eu te espero lá fora, no carro. – disse Leo saindo da casa e deixando Kimberly e Daniel a sós.
Os dois ficaram a sós.
- Então? – disse Daniel querendo manter uma postura forte.
- Não precisa disfarçar... Eu notei que você está diferente... – disse Kimberly olhando séria para ele.
- Não estou entendendo, Kim.
- Daniel, não se faça de sonso!Eu não sou boba!Num dia você sai irritado daqui de casa porque queria saber se eu gostava de você ou não e agora, você nem sequer olha pra mim direito... Você tá diferente... Não conversamos mais, você tá meio frio comigo...
Ele nada respondeu, apenas concordou com a cabeça.
- Então, o que eu quero dizer... – começou ela. – É que agora eu tenho uma resposta. Me desculpe,mas...Eu sei que você não vai gostar,mas a verdade é que eu amo o Gabriel e já o perdoei por tudo.
- Ótimo, Kim.
- Ótimo? – Kimberly apesar de estar aliviada, não entendeu a reação dele. – Você ta mesmo diferente... O que aconteceu?Achei que você iria me odiar quando eu dissesse isso...
- Olha, Kim... Tem muita coisa que você não sabe.
Kimberly se sentou no sofá e pediu para que ele fizesse o mesmo.
- Primeiro, queria me desculpar por tudo. – começou ele.
- Ah, Dan... Eu entendo...
- É sério!Eu fui um completo idiota!
- Não diga isso...
- Eu te pressionei muito pra você dizer se gostava de mim ou do Gabriel. Isso não se faz com ninguém...
- É... Mas eu entendi sua situação.
- Então você me perdoa?
- Claro! – dizendo isso, Kimberly o abraçou.
- A segunda coisa que eu quero dizer, é que com tudo isso, talvez eu deva mesmo ter confundido a situação sabe? – começou ele meio envergonhado. – Eu realmente achava que eu era apaixonado por você como pessoa, como mulher... Mas agora eu vejo que ainda tenho essa paixão por você, mas é uma paixão de fã sabe?Você é meu ídolo. É esse tipo de amor, paixão que eu sinto quando vejo você nas revistas, nos palcos...
- Entendo. – disse ela sorrindo compreensiva.
- E a terceira e última coisa que eu tenho pra falar...
- Sim?
- Eu nem disse isso ao Leo... – começou Daniel corando. – Sabe o dia do atropelo?
- Sei.
- Quem me atropelou foi uma mulher chamada Katy. Ela é super legal, bonita... Ela me deu socorro até o hospital e ficou comigo lá até a hora que ela pôde.
- Como assim?
- Ela infelizmente teve que sair antes... Ela é advogada, mas ficou comigo a maior parte do tempo. Na verdade, fui eu que mandei ela não se atrasar até. Fiquei bastante preocupado com ela.
- Hum... – disse Kimberly dando um sorrisinho. – Dan... Eu tô percebendo isso ou é impressão minha?
- O que?
- Que você está apaixonado por ela!
Daniel ficou vermelho. Ele sabia que estava apaixonado por Katy. Ele nem conseguiu falar na hora, apenas deu um sorriso nervoso. Suas mãos estavam geladas quando Kimberly as pegou.
- Dan, quero que saiba que estou muito, muito, muito feliz por você. – disse ela com toda a sinceridade do mundo.
- Obrigado, Kim. Também fico feliz que você tenha finalmente se decidido e que agora, você não está mais triste nem magoada.
- Obrigada. Agora... Vocês não estão namorando, estão?
- Ainda não. Estamos nos conhecendo melhor... Mas eu acredito que vai dar tudo certo sim.
- Que bom, Dan!Boa sorte!Você merece ser feliz!E essa Katy vai ser muito sortuda por ter você ao lado dela.
- Gabriel também é um felizardo em ter você...
Os dois se abraçaram na sala. Não era um abraço com segundas intenções. Era um abraço de dois amigos. Em seguida, Daniel foi embora, já que Leo devia estar esperando impacientemente no carro.
Por volta das cinco da tarde, Gabriel acabava de chegar à casa das dolls.
- Gabriel! – exclamou Ashley ao abrir a porta. – Tudo bem?
- Tudo, Ash. – respondeu ele com um sorriso encantador.
- Gabriel! – disse Kimberly saindo da cozinha correndo quando ouviu a voz dele. A doll o abraçou com toda a força que pôde. – Que saudade!
- Mas nós nos vimos ontem... – disse ele rindo.
- Pra você ver como eu fico sem te ter por perto, ainda que sejam algumas horas... – disse Kimberly. – Eu morro de saudade...
- Que lindo! – disse Melody rindo e descendo as escadas.
- Como assim, vocês se viram ontem? – perguntou Ashley confusa.
Ninguém respondeu a pergunta de Ashley. Nicole e Jessica vieram logo para a sala em seguida.
- Então?Tudo pronto pra amanhã? – perguntou Gabriel.
- Claro. – disse Jessica segura de si.
- Sim. Estamos prontas. – completou Nicole.
- Temos que decidir que horário iremos para o Egito. – disse Ashley.
- Martha disse que era pra eu ir bem cedo. – informou Gabriel.
- Então vamos com você logo cedo. – disse Kimberly.
- Não. – começou ele. – Andei pensando... Não podemos arriscar. E se a Martha tiver me esperando no aeroporto?Ela vai ver vocês e aí iria dar tudo errado.
- Nossa!Você tem razão! – disse Nicole. – Nem pensamos nisso...
- Pois é. Com a Martha não se brinca. – disse ele sério. - Ainda bem que o Thomas também está do nosso lado.
- Ótimo. – disse Melody. – Ele pode ser útil.
Ashley estava com uma cara de dúvida. Parecia intrigada.
- Que foi Ash? – perguntou Nicole.
- Nada... É que a Kimberly disse que tava com saudade do Gabriel mesmo tendo visto ele ontem. – começou a loura com a mão no queixo. – Só que... O Gabriel não veio aqui ontem, veio?
Kimberly e Gabriel se olharam e prenderam o riso. A pergunta de Ashley mais uma vez não foi respondida.
- Ah, Kim! – começou Nicole como se lembrasse de algo que há muito tempo queria dizer. – Era pra eu te perguntar hoje cedo e esqueci...
- O que, Nic? – disse Kimberly meio nervosa.
- Este abajur... – disse Nicole pegando o abajur torto e sem lâmpada. – O que aconteceu?Ele caiu?
- Sua pergunta será respondida agora, Ash. – disse Kimberly piscando o olho para a amiga.
E ela contou brevemente e sem tantos detalhes o que tinha acontecido na noite anterior quando ela estava sozinha em casa. Após essa conversa, as dolls jantaram na companhia de Gabriel que em seguida foi embora. Logo depois, as dolls se deitaram. Sabiam que tinham que estar calmas, relaxadas, tranqüilas e preparadas para o dia seguinte. Esse dia prometia muitas coisas e as dolls teriam que se sair bem de qualquer jeito.

terça-feira, 9 de junho de 2009

CAP.23 – EU TE AMO...

ELEMENTAIS

CAP.23 – EU TE AMO...

- E então?Tudo pronto? – perguntava Martha com uma voz diabolicamente feliz.
- Sim, querida. – dizia Gabriel com uma voz triste, ainda abalado com tudo o que acontecera no dia anterior.
- Perfeito!Então você já sabe... Venha depois de amanhã pra cá e quando chegar aqui, você vai ligar pra elas e... – dizia ela na maior empolgação, quando foi interrompida por ele.
- Dizer que eu encontrei a arca. – disse ele com uma voz desanimada.
- Que voz é essa? Está sentindo alguma coisa, querido?
- Não é nada... É impressão sua, Martha. – disse ele disfarçando a voz.
- Ah bom. Então é isso, tenho que desligar, vou ver se o imprestável do Thomas já retornou do mercado.Mandei ele comprar umas coisinhas pra mim...
- Tudo bem então.
- Tchau, querido. Até depois de amanhã.
- Até.
Assim que desligou o telefone, Gabriel pensou em ir à casa das dolls, mas ficou com receio de encontrar Daniel outra vez e então resolveu simplesmente ligar. Já estava escurecendo, o relógio já marcava quase seis da tarde.
- Alô? – disse uma voz feminina conhecida do outro lado da linha.
- Melody? – disse ele arriscando um palpite.
- Sim. Quem fala?
- Sou eu. Gabriel.
- Oi. Nem conheci sua voz...
- Eu pensei em dar uma passada aí, mas... Preferi ligar mesmo.
- O que foi?
- Não é nada. É só pra avisar que Martha ligou e disse que é pra eu ir ao Egito depois de amanhã.
- Hum... O que significa que nós também teremos que ir depois de amanhã.
- Exato.
- E significa também que... Nossa!Já ta perto da hora em que nós vamos usar nossos poderes.
- Vocês estão preparadas né?
- É... O Leo... Preparou bem a gente... – ela disse tentando não falar o nome de Daniel.
- Que bom! Amanhã eu passarei aí para a gente combinar direito o horário que vamos nos encontrar lá no Egito ou se vamos juntos... Essas coisas.
- Combinado.
- E aí?Como a Kim está?
- Está bem. – Melody achou que não seria apropriado contar o que Kimberly dissera na noite anterior às outras dolls. Kimberly terminou se abrindo com as amigas e contou tudo o que sentia por Gabriel e que ainda o amava. – Ela agora ta na sala de dança com as meninas e o Leo.
- Vocês estão treinando?Agora?
- Sim.
- Que estranho... Geralmente vocês estavam treinando sempre pela manhã.
- Se você quer saber... Não. O Daniel não está aqui.
- Mas eu nem... – Gabriel tentou conter a curiosidade. – Sério? Daniel não está aí?
- Não. Nem te conto... Ontem, assim que ele saiu daqui, todo irritadinho, parece que teve um acidente com ele.
- Um acidente?
- Sim. Ele foi atropelado, foi o que o Leo nos disse. Mas ele está bem. Não teve nada.
- Ainda bem...
- É... Já vou! – disse Melody gritando. – Desculpe. As meninas estão me chamando.
- Tudo bem, Mel. Não se atrase.
- Olha... Se eu fosse você, passaria aqui hoje à noite. A Kim vai estar em casa e vocês poderiam conversar. E o melhor... Daniel não estará aqui.
Gabriel sorriu do outro lado da linha.
- Bom, agora tenho que desligar mesmo ta?Antes que a Nic me mate. – ela riu.
- Tá certo então. Tchau.
- Tchau. – e desligou o telefone. - Já tô indo! – dizia ela correndo para a sala de dança, local dos treinos.
- Quem foi no telefone? – perguntou curiosamente Jessica.
- Gabriel. – disse Melody olhando para Kimberly.
- O que ele queria? – perguntou Ashley.
- Avisou que Martha já pediu para ele ir ao Egito depois de amanhã. – disse a baby doll.
- Depois de amanhã? – espantou-se Kimberly.
- Então nós já teremos que lutar depois de amanha?Meu Deus! – exclamou Nicole.
- Hei!Por que esse desespero todo? – começou Leo. – Vocês estão indo muito bem com os poderes. Tiveram um avanço significativo.
- É bondade sua. – resmungou Melody.
- Não!É verdade. A Jessica já controla melhor sua telecinese e seu poder de TERRA; você já domina melhor o FOGO e é expert em ler pensamentos, Mel; a Kim consegue controlar o AR, só não consegue ainda é controlar a invisibilidade, mas já ta melhorando; Ashley já consegue dominar melhor a ÁGUA e Nic também está progredindo com a ENERGIA.
Elas ficaram alguns segundos em silêncio e refletiram tudo o que Leo disse.
- É verdade. – começou Nicole. – O Leo tem razão. Nós melhoramos muito com esses treinos.
- E ainda vão melhorar ainda mais. Se a viagem é depois de amanhã, ainda temos o restinho do dia pra treinar e temos amanhã. – disse Leo.
- Amanhã a gente podia treinar o dia todo! – disse Melody empolgada.
- Poderia ser uma boa idéia, mas acho que se vocês ficarem muito cansadas vai ser pior. – disse Leo. – Prefiro que vocês treinem só pela manhã e quem sabe, um pouco pela tarde. Mas a preferência é só pela manhã mesmo.
- Ai, meu Deus! – exclamou Ashley.
- Que foi? – perguntaram os outros em coro.
- É que acho que com esse treino de amanhã, não vai dar pra eu arrumar minhas malas direito... – disse Ashley pensativa.
- Arrumar malas? – começou Jessica. – Mas a gente nem vai passar uns dias lá mesmo. Só vamos pra acabar com a Martha e os Elementais Negros.
- Tem certeza? – perguntou Kimberly. – A gente podia passar uns dias lá...
- Não, não e não! – adiantou-se Melody. – Desta vez não vamos a passeio, vamos a negócios. Venceremos a batalha e recuperaremos nossa arca.
- Muito bem, Mel. Assim que se fala. – disse Leo.
- Ah, que pena. Queria tanto arrumar as malas... Eu inclusive tinha comprado umas coisinhas para a mala reserva... – disse Ashley se lamentando.
Os outros caíram na risada.
- Vamos continuar então. – disse Leo.
Eles continuaram o treino por mais algumas horas.
- Nossa! – disse Melody sentando-se numa cadeira mais próxima, na sala de estar. – Não agüento mais por hoje. Estou cansada.
- Você foi muito bem hoje, Mel. – elogiou Leo. – Conseguiu fazer um círculo de fogo em volta daquele objeto. Muito bom mesmo.
- Obrigada! – disse a baby doll com um sorriso gigante.
- Bom, acho que eu já vou indo. Já são... – disse ele consultando o relógio. – Oito horas.
- Oito horas já? – disse Melody pulando do sofá quando conferiu seu relógio também. – Meu Deus!
- Que foi, Mel?
- Eu vou me atrasar!Marquei com o Alex hoje! – disse ela subindo as escadas correndo. – Tchau, Leo. Até amanhã!
- Tchau. – disse Leo rindo do desespero da doll.
- Hum... Eu também acabo de me lembrar que tenho que falar com a Robin. – disse Nicole. – Eu vou lá no apartamento dela agora à noite.Preciso acertar uns detalhes da turnê.
- Quer que a gente vá com você, Nic? – perguntou Ashley.
- Não sei, Ash. Vocês que sabem. – respondeu Nicole.
- Eu não tô com muita vontade de sair. – disse Kimberly.
- Então eu vou com você, Nic. – disse Ashley.
- Eu também. – disse Jessica.
- Hei!E eu? Você vai me deixar sozinho? – disse Leo dando um beijo em Jessica. – Não acredito que você não quer mais sair comigo hoje...
- Mas Leo... Não marcamos nada pra hoje, marcamos?
- Não!Eu que estou chamando você agora. – disse ele dando uma piscadela.
- Ah!Seu bobo! – disse ela dando um tapinha no ombro dele. – E eu achei que eu tivesse esquecido, sei lá...
Ele sorriu.
Leo saiu logo em seguida, foi direto pra casa. Lá encontrou Daniel pensativo.
- Que foi, cara? – perguntou Leo.
- Nada... – Daniel tentou disfarçar.
- O.k. Então... Vou fingir que acredito... – disse Leo sorrindo. – Olha, sabe de uma coisa?
- O que?
- Eu vou sair com a Jessica daqui a pouco.
- Sim...
- Nicole e Ashley vão ver Robin Antin e Melody vai sair com o namorado.
- Aonde você quer chegar? – disse Daniel tentando fingir que não entendeu.
- Ah!Não se faça de bobo!O que estou querendo dizer, é que a Kimberly vai estar sozinha em casa hoje à noite. Pode ser uma boa oportunidade pra vocês conversarem.
Daniel parou por uns segundos e ficou pensando em Katy e no almoço do dia anterior.
- Não, Leo. – começou ele dando um longo suspiro. – Acho que vou ficar em casa mesmo.
- Sério?Achei que você ia adorar a notícia, que você ia querer ir lá falar com a Kimberly...
- Não... Acho que não...
- Bom, deixa eu ir me arrumar.Daqui a uma hora tenho que passar lá pra pegar a Jessica.
- Vai lá, cara! – disse Daniel forçando um sorriso.
Ele pensou em ir contar a Kimberly todos os detalhes do acidente. Contar que conhecera Katy e que talvez estivesse gostando dela. Mas pensou duas vezes e achou que isso só o deixaria mais confuso e também deixaria a doll bastante confusa.
Algum tempo depois, Melody, já pronta (usando uma blusa azul bem decotada e uma calça preta), recebeu uma mensagem no celular. Era do Alex, dizendo que já estava na porta da casa.
Melody foi logo ao encontro dele. Como de costume, ele estava encostado na sua moto vermelha. Ele estava usando calça e jaqueta jeans e uma camisa verde-musgo.
- Oi, amor. – disse ele dando um beijo demorado nela.
- Oi. – disse ela recuperando o fôlego. – Aonde vamos?
- Você que escolhe...
- Ah... Eu não tenho idéia.
- Posso dar uma sugestão então?
- Claro. Qual?
- Venha. Você logo vai saber aonde vamos. – e dizendo isso, Alex sentou na moto e colocou o capacete. Melody fez o mesmo.
Enquanto isso, em casa, Kimberly acabava de tomar um banho. Agora, estava deitada no sofá assistindo a uma serie de TV. A sala estava totalmente escura, exceto pela luz que vinha da televisão e do abajur (uma luz bem fraca). Nicole e Ashley tinham saído de casa há alguns minutos.
A campainha tocou.
“Elas devem ter esquecido alguma coisa.” Kimberly pensou.
Ao abrir a porta, sentiu seu coração pulsar cada vez mais forte e acelerado.
- Gabriel? – disse ela quase embolando a voz.
Os dois ficaram se olhando por mais alguns segundos, mas a vontade, o desejo, a força de atração entre os dois foi mais forte que tudo. Gabriel avançou para ela e começou a beijá-la loucamente. Era um beijo mais que apaixonado.
Dessa vez, como já sabia o que queria, Kimberly não pensou em resistir. Como ela queria estar novamente nos braços daquele homem. Ela o perdoaria de tudo. O que ela queria agora era esquecer tudo de ruim que ele tinha feito e se entregar de corpo e alma a esse amor.
Gabriel continuou beijando Kimberly enquanto acariciava seu corpo. Ele conseguiu fechar a porta da sala com o pé e foi andando e beijando Kimberly pela sala. Em meio a esse acesso de paixão e loucura, os dois iam se batendo nos móveis da casa. Em um desses choques, sem querer, eles derrubaram o abajur que ficava numa mesinha ao lado do sofá. Percebendo o barulho e a falta de luz (a lâmpada tinha quebrado), eles pararam de se beijar.
- Desculpe. – disse Gabriel se agachando e pondo o abajur (já meio torto) em cima da mesinha.
Kimberly não disse nada. Ainda recuperava o fôlego. Pensou em ligar a luz da sala para catar os cacos da lâmpada quebrada, mas achou que cortaria o clima daquele momento. Preferiu deixar a sala como estava: iluminada só pela luz da televisão, que no momento estava programa na opção “mudo”.
- Desculpe, Kim. É que eu não resisto a você.
O coração dela batia mais aceleradamente ainda.
- Eu... – começou ela. – Eu também não resisto a você. Você é tudo pra mim.
- Nossa! – disse ele respirando aliviado. – Você não sabe o quanto que é bom ouvir isso. – ele ficou acariciando os cabelos dela. – Eu te amo, Kimberly.
- Eu também te amo. E muito! – disse ela nervosa. – E quero que saiba que eu te perdôo. Eu perdôo tudo o que você fez. Perdôo porque eu te amo.
E os dois voltaram a se beijar loucamente pela sala.
Enquanto isso, Melody acabava de ver aonde Alex quis levá-la no encontro. Ele quis levá-la ao local do primeiro encontro dos dois, o local onde eles deram o primeiro beijo. Foi bem ali, com aquela vista para a Ponte do Brooklyn toda iluminada
- Pronto. – disse ele parando a moto e tirando o capacete.
- Não acredito... – disse a baby doll emocionada. – Esse lugar...
- Sim. É mágico né?E foi aqui que tudo começou.
- Sim. Foi aqui. – disse ela agarrando o pescoço dele e dando-lhe um beijo.
- Mel...
- Sim?
- Eu trouxe você aqui e tudo mais... Eu quero te perguntar uma coisa.
- Diga.
- Queria saber se entre nós aconteceu alguma coisa.
- Como?
- Eu não pude deixar de notar que a gente se afastou mais. A gente se ama muito, mas a gente ta com uma relação um pouco estranha, distante... Foi alguma coisa que eu fiz ou disse?
- Não, amor. – disse Melody tentando parecer ingênua. Ela sabia que eles tiveram um certo distanciamento sim, assim como Nicole se afastou um pouco do Lewis e Ashley do Kenny. Com toda a confusão da arca, a viagem ao Egito, Elementais Negros e outras coisas, elas terminaram deixando um pouco de lado a vida amorosa. Quem mais tinha tempo para o namorado era Jessica, já que via Leo freqüentemente, ainda mais com os treinos. A questão era que Melody não queria contar pra Alex sobre os poderes e tudo o que incluía a lenda e a arca. Primeiro porque seria mais uma pessoa envolvida nisso tudo e segundo, por não saber direito como contar.
- Não mesmo?
- Não. É impressão sua. Talvez por causa dos meus compromissos a gente tenha deixado de se ver...
- É. Deve ser então.
- Alex... Quero que saiba que eu te amo. Aconteça o que acontecer.
- Aconteça o que acontecer?Por que você ta falando isso?
- Não sei... – ela mentiu. Embora soubesse que o poder de clarividência era de Ashley, ela pressentia que talvez algo ruim acontecesse no Egito. Ela esperava que estivesse enganada. Não podia pensar coisas negativas, teria que ter muita coragem e fé para que desse tudo certo.
- Eu te amo, Mel. – e dizendo isso ele a beijou. E os dois ficaram ali envolvidos pelas luzes ao fundo e pela brisa noturna.
E enquanto Melody e Alex, Kimberly e Gabriel estavam em momentos perfeitamente românticos, o encontro de Jessica e Leo ainda não estava tão romântico assim, apesar de eles estarem num ambiente reservado na varanda do restaurante. Só havia a mesa deles na varanda, mais ninguém ali. Os dois conversavam sobre a futura batalha.
- Então você acha que nós temos grandes condições de vencer não é? – perguntou Jessica.
- Claro!Não vejo porque não...
Os dois ficaram se olhando por um tempo. Era hora de o momento romântico chegar.
- Sabe... Esses dias fiquei lembrando como a gente se conheceu... – disse Leo.
- Hum... Eu sei. Também gosto de relembrar. Quando a Mel atingiu você com uma bola de fogo no peito, aí eu fui tirar sua camisa pra cuidar do ferimento... Aí a gente ia se beijar e a Melody interrompeu, perguntando se você preferia açúcar ou adoçante no suco.
Leo começou a rir sem parar.
- Foi mesmo. – disse ele já se recuperando do ataque de risos. – E depois, no outro dia, ainda teve aquele lance que eu entrei no banheiro e a Kim ficou invisível... Lembra?
Desta vez foi Jessica que se acabou de rir.
- Foi nesse dia, da invisibilidade da Kim... Nesse dia que a gente realmente começou a namorar. – disse Jessica suspirando.
- É... Eu lembro. Depois da confusão a gente marcou pra sair à tarde e aí... – disse Leo, mas logo foi interrompido por Jessica que tinha o beijado.
- E aí nós começamos a namorar. – disse ela assim que pararam o beijo.
- Você é incrível, Jessica. Eu te amo. – disse Leo acariciando as mãos dela.
- Eu também te amo, Leo. Não sei o que seria de mim sem você...
E os dois continuaram se beijando. Se não fosse Nicole e Ashley, que naquele momento conversavam sobre a turnê com Robin Antin, essa noite seria completamente ótima. Se as duas tivessem naquele momento com Lewis e Kenny respectivamente, a noite seria simplesmente romântica para todas as dolls. Mas, os três casais já davam conta de tornar essa noite incrivelmente perfeita. Três casais apaixonados que juravam amor eterno...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

CAP.22 – ARMAÇÕES DO DESTINO

ELEMENTAIS

CAP.22 – ARMAÇÕES DO DESTINO

Diferente de Gabriel, que evitou entrar no quarto de Kimberly, Daniel tomou coragem suficiente e decidiu fazer isso. A cabeça de Daniel estava uma completa loucura. Ele passava e repassava a cena que ocorrera há alguns minutos. ”Será que ela ainda gosta dele?” era o que Daniel não parava de pensar.
Chegando em frente ao quarto dela, ele não hesitou e abriu a porta. Viu a cena que Gabriel não quis ver: Kimberly deitada na cama, agarrada a um travesseiro e se acabando de chorar.
- Kim... – começou ele, fechando a porta ao entrar.
Ela escondeu o rosto vermelho e enxugou as lágrimas, o que foi em vão, já que ela não parava de chorar.
- Kim... – repetiu ele.
- O que é? – ela disse com uma voz embolada.
- Eu... Tenho que saber...
- O que?
- Sei que é difícil, ainda mais nessa situação, mas... Eu tenho que saber se você gosta de mim ou do Gabriel. – o rosto de Daniel começava a ficar vermelho, por causa do nervoso.
Kimberly balançou a cabeça em sinal negativo. Aquela não era a pergunta que ela queria responder naquela hora e além de não querer responder, ela nem saberia o que responder.
- Responde, por favor...
E ela novamente balançou a cabeça em sinal negativo.
- Não... – começou ela em meio a soluços – Não me faça essa pergunta agora...
- Mas Kim... – ele se sentou numa cadeira perto da cama dela. – Eu... Eu te amo muito e acho que você sabe disso. Sei que aconteceu muita coisa nesses últimos tempos e eu... Eu sempre quis namorar você, mas por causa do outro... Terminei aceitando ser somente seu amigo, mas ainda tinha os mesmos interesses de antes. Então,quando eu vi que você e ele não estavam mais juntos,pensei ter uma nova oportunidade de te conquistar e...Por isso que eu quero saber então, mesmo depois de tudo o que aconteceu agora, se você realmente gosta de mim também ou se você ainda ama o Gabriel.
A loura quase que não conseguia falar.
- Daniel... Por favor... Não me faça essa pergunta agora...
- Mas Kim...
E ela continuava chorando. Dentro de sua cabeça, essa pergunta começava a gerar uma resposta. Mesmo com tudo o que tinha acontecido, ela ainda amava Gabriel. Sim, parecia mentira e até mesmo impossível, mas todos os acessos de raiva que ela tinha quando via ele, depois que soube da verdade, eram provas do amor que ainda sentia por ele, mas queria esconder, negar.
“Eu amo o Gabriel.” Era o que Kimberly pensava nesse momento em que Daniel olhava fixamente para ela. Ela não queria contar isso pra ninguém no momento, muito menos para Daniel. Nem ela mesma acreditava que ela agora tinha aceitado que gostava do Gabriel, mesmo depois de tudo o que ele fez. O beijo roubado foi o que fez Kimberly tirar todas as suas dúvidas. Ela agora tinha certeza que queria ficar com o seu amado Gabriel, só não queria dizer isso a ninguém, pelo menos por enquanto.
- Não, Daniel... Não...
- Que droga! – ele levantou da cadeira tão rápido que a virou sem querer, derrubando-a em seguida. – Eu sabia...
E ele saiu resmungando do quarto dela, ele estava bastante nervoso e irritado. Ele sabia que tinha sido inconveniente por ter insistido tanto, mas era o que ele queria saber. E o pior de tudo era que ele ainda não sabia se Kimberly gostava dele ou do Gabriel.
Daniel saiu da casa batendo a porta com a maior força que pôde. Com a zoada as dolls e Leo saíram da sala de dança diretamente para a sala de estar.
- Nossa! – exclamou Melody abrindo a porta para ver se ainda via ele.
- O que deu nele? – perguntou Ashley.
- Tava estressado! – disse Melody por fim, fechando a porta.
- Foi a briga... – começou Leo. – Ele deve ter se chateado muito...
- Não... – disse Nicole com a mão no queixo. – Pensem bem... Ele não saiu após a briga. Houve uma demora. Ele estava em outro lugar...
- Kimberly! – exclamaram Ashley e Jessica juntas.
- Vão falar com ela. – disse Nicole.
Ashley e Jessica subiram correndo as escadas para ver Kimberly, enquanto Nicole, Melody e Leo conversavam na sala.
- Kim! – Jessica disse ao abrir a porta do quarto da doll.
Kimberly agora não estava mais chorando. Ela estava sentada na cama, olhando para o nada e seus olhos meio inchados
- Kim, o que foi que houve? – perguntou Ashley sentando-se ao lado da amiga.
- Por que o Daniel saiu daqui desse jeito? – perguntou Jessica.
Kimberly saiu do transe e como se acabasse de perceber a presença das amigas ali, começou a falar:
- Daniel ficou irritado. Ele queria porque queria saber...
- Saber o que, Kim? – disse Jessica colocando de pé a cadeira que Daniel tinha derrubado. Em seguida, sentou-se.
- Ele queria saber se eu gostava dele ou do Gabriel. – suspirou Kimberly profundamente.
- Que coisa chata... – disse Ashley.
- Ele não devia ter feito isso... Isso não é coisa que se pergunte assim do nada... – disse Jessica indignada.
- E ainda mais nesse estado dela... Você tava chorando né? – disse Ashley abraçando Kimberly.
- É... Eu tava chorando sim e bem na hora que ele chegou. – começou Kimberly ainda revivendo em sua cabeça a cena do beijo. – Eu... Eu não consegui resistir ao beijo do Gabriel.
Jessica fez uma cara feia quando ela disse isso.
- Eu nem queria dizer isso a ninguém, mas... Já que uma hora isso ia ter que acontecer mesmo né... – disse Kimberly respirando profundamente.
- O que é? – perguntou Ashley curiosa.
- Eu... Eu amo o Gabriel. – disse Kimberly com um leve sorriso apaixonado.
- Kim!Não é possível!Depois de tudo e... – Jessica começava a falar, mas Kimberly se adiantou.
- Eu sei, eu sei. Depois de tudo o que ele fez: mentiu pra mim, pra nós,nos enganou,ajudou a roubar a arca... Mesmo assim, eu sei que o amor que ele sente por mim é igual ao que eu sinto por ele, é amor verdadeiro.
- Ai! Que lindo! – exclamou Ashley com os olhos brilhando.
- Eu ainda acho que isso tudo está sendo muito precipitado por você. – disse Jessica. – Não que eu não goste do Gabriel, não é isso. Eu até concordei com ele nos ajudar e tudo, mas essa agora pra mim é demais. Eu realmente acho que ele não merece ter o seu amor...
- Mas Jessi... – começou Ashley.
- Contudo... – continuou Jessica. – Eu sei que você, Kim, já é bem grandinha e sabe tomar suas decisões. Então, se você acha que o Gabriel é o homem da sua vida, o que eu posso fazer?Nada. A não ser, desejar “Boa sorte” e dizer que... Você merece toda a felicidade do mundo, amiga. Vá em frente!
Jessica e Kimberly se abraçaram. Depois Ashley também se juntou às duas e um abraço triplo se formou.Tudo estava resolvido,pelo menos para a Kimberly,naquele momento.
Enquanto isso,Daniel agora parava um pouco de andar rápido.Estava ofegante.Ele acabava de sair da rua das dolls e entrava na rua principal.Ele descansava,encostado num poste.Aquilo não podia estar acontecendo.Para onde ele iria?Nem ele saberia ao certo dizer. Não estaria indo para a casa de Leo, já que ele estava na casa das dolls. Daniel não estava indo a lugar algum, estava andando sem rumo.
Após um tempo de descanso e ainda pensando em tudo aquilo (a briga, o beijo que ele viu, a conversa com Kimberly...),Daniel retomou sua caminhada,desta vez,com passos mais lentos.
Daniel andava devagar enquanto olhava pra frente, sempre pra frente. Ele realmente ia andando sem olhar direito para nada. Ia se esbarrando nas pessoas enquanto continuava andando. Ele estava ali, mas seus pensamentos ainda eram os mesmos. Ele não conseguia entender o porquê de Kimberly não dizer logo que o amava, se é que ela o amava.E ele ainda gostava tanto dela. “Por que ela não disse logo que me amava?” era a frase que mais rondava a sua mente. Ainda andando distraidamente, Daniel nem sequer teve noção de olhar na hora de atravessar a rua. E foi justamente ao atravessar que o inesperado aconteceu: um cantar de pneus irritante e em seguida, ele foi empurrado para o chão.
Daniel ficou desacordado alguns segundos, mas logo em seguida ele foi começando a apurar os ouvidos. Ouvia um murmúrio de pessoas que certamente deveriam estar em volta dele. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que viu foi um par de sapatos femininos azuis. Em seguida, viu a dona dos sapatos se agachando e viu bem o rosto dela.
- Oi?Você está bem? – disse a mulher de pele alva e longos cabelos negros encaracolados.
Ele nada disse. Estava ainda contemplando a imagem da mulher. “Ela é um anjo?” “Estou no céu?” Foi o que ele pensou na hora.
- Moço, por favor, me ajude aqui. – a mulher disse para um forte rapaz que estava em pé ao lado dela.
Eles levantaram Daniel e o sentaram no banco do carona do carro dela.
- Vou levar você para o Hospital. – disse ela.
- Não... Não precisa. Estou bem... – disse Daniel colocando a mão na cabeça e sentindo uma dor terrível perto da nuca. – Aaaah!
- Sei... Você está muito bem não é, mocinho? – disse ela dando a partida no carro e dirigindo na direção do hospital mais próximo. – Olha, eu estava super atrasada para ir ao trabalho. Foi minha culpa. Por favor, me desculpe. Eu irei pagar todos os remédios que você precisar e...
- Não, moça!A culpa foi minha... Eu que nem olhei ao atravessar a rua.
- Então... Enquanto não chegamos ao hospital, vamos conversar um pouco. Não vou deixar você dormir... Dizem que quando se bate a cabeça, não é bom sentir sono nem dormir. Parece que faz mal para o cérebro... Algo assim.
- Hum... – disse Daniel bocejando.
- Hei! – ela deu um gritinho. – Nem pense em dormir, mocinho!Vamos conversar!Olhe pra mim!
- O que foi?
- Vamos nos apresentar então... Meu nome é Katy.
- Muito prazer, Katy. Me chamo Daniel.
- Oi, Dan. – disse ela. – Posso te chamar de Dan né?
- Claro. – ele sorriu. – E então? Você trabalha em que?
- Sou advogada. Tinha um encontro com um cliente agora, mas... Ele vai ter que esperar. – disse ela sorrindo. – E você?O que faz da vida?
- Sou arqueólogo.
- Mentira!É sério?Nossa!Que perfeito!Quando eu era pequena, sonhava em ser arqueóloga. Meu maior desejo era descobrir tesouros e múmias nas pirâmides... – disse ela rindo. – É um trabalho fantástico né?
- Muito.
- Parece até que nós já nos conhecemos há anos... – disse Katy intrigada enquanto estacionava numa vaga próxima à porta principal do Hospital.
-Vamos! – disse ela saindo do carro e indo até a porta do carona para abri-la.
-Não precisa... – disse Daniel rindo. – Eu estou bem.
- Sei...
- Olha... Pode me deixar aqui. Não se atrase mais do que já esta atrasada.
- De jeito nenhum!Não vou deixar você aqui sozinho. E deixe de conversa... Vamos logo.
Chegando à recepção, eles pediram para ir à Emergência. Enquanto não chamavam o nome de Daniel, Katy aproveitou para ligar para seu cliente e pedir para que esperasse mais um tempo, ela teve que explicar toda a situação. Alguns minutos depois eles já estavam sendo atendidos.
Após Katy explicar ao médico tudo o que tinha acontecido, ele examinou Daniel.
- Faremos uma radiografia do crânio. – informou o doutor. – Mas antes, irei fazer uns testes aqui.
O médico mediu a pressão de Daniel. Estava normal. Em seguida, auscultou o coração.
- Pronto. Tudo certo. Vamos fazer a radiografia?A senhora pode esperar aqui na sala mesmo. – disse o médico para Katy, que concordou com a cabeça.
Os dois saíram da sala e após alguns minutos estavam de volta.
- Aguardem na sala de espera. Quando a radiografia ficar pronta, eu mando chamá-los outra vez.
Na sala de espera, eles conversavam ainda mais.
- Nossa!Já são quase onze e meia da manhã! – exclamou Katy olhando o relógio no pulso.
- Eu já disse... Pode ir... Eu estou bem, já fiz os exames e tudo.
- Mas Dan... Não posso te deixar aqui sozinho... Eu me sinto culpada pelo que aconteceu e...
- Eu já disse que a culpa foi minha e...Eu vou ficar bem.Não se preocupe.Pode ir.Muito obrigado por me trazer aqui,mas não se atrase.
- Tudo bem então. Você me convenceu. Não posso perder esse cliente... – disse ela procurando alguma coisa na bolsa. – Tome!Quero que me ligue quando chegar em casa. – ela entregou um cartãozinho a ele.
- Eu acho que vou demorar um pouco pra ligar pra você...
- Por quê?
- Estou ficando na casa de um amigo, só que ele... Não ta lá agora e, além disso, eu não tenho a chave do apartamento dele.
- Puxa vida!Que chato!E você tava indo pra onde então?
- Não sei. – ele sorriu. – Aconteceram umas coisas chatas hoje e eu meio que, estava andando sem rumo, sabe?
- Sei... Olha, faz assim então, antes que meu cliente me mate, eu tenho que chegar logo lá, já está passando o tempo de espera que eu pedi a ele. Assim que você sair daqui do Hospital, me ligue. Nós podemos almoçar em algum lugar... É bom que você me faz companhia.
- Hum... Combinado. Mas e seu namorado?Não vai se zangar por você estar almoçando comigo? – disse Daniel sem pensar.
- Quem disse que eu tenho namorado? – ela sorriu.
Daniel corou na hora.
- Bom, agora eu tenho mesmo que ir. – disse ela abraçando ele. – Se cuida viu?E não se esqueça de me ligar. – em seguida ela lhe deu um beijo no rosto.
Daniel ficou todo derretido.
“Eu devo estar pirando!” pensava ele. “Não posso estar apaixonado por essa mulher que mal conheci... E a Kimberly? Não é ela que eu amo?” sua cabeça rodava agora de tantas imagens que lhe vinham em mente. Seria o destino fazendo de tudo para ele conhecer uma nova pessoa e esquecer a Kimberly?Seria apenas uma coincidência?Ele ainda estava apaixonado por Kimberly?Estava gostando da Katy?Tudo isso era perguntado na mente de Daniel, enquanto as imagens de Kimberly e Katy se misturavam em seus pensamentos.
- Senhor Daniel. – anunciou a atendente. – Pode se dirigir a sala 02.
E logo seus pensamentos foram cortados pela voz da atendente.
O médico informou que por sorte, não havia problema algum com ele. Apesar de a queda ter sido feia, só causou alguns arranhões nos braços. Estava tudo normal com ele. O médico ainda quis, só por precaução, receitar alguns remédios, caso ele sentisse dores no local da pancada.
Assim que saiu da sala, respirando aliviado, pegou o celular e ligou para Katy.
- Katheryn Matthews falando. Pois não?
Daniel sentiu um friozinho na barriga por ouvir a mesma voz encantadora da mulher também encantadora que estivera com ele há algumas horas.
- Oi, Katy. – disse ele meio sem jeito. – Sou eu,Daniel.
- Oi, Dan.
- Estou te interrompendo?
- Não! Na verdade a reunião com o cliente acabou tem uns dez minutos. Eu só estava esperando você me ligar.
- Nossa!E como você teve certeza que eu ia ligar? – perguntou ele rindo.
- Eu sabia que você ia ligar. Simplesmente sabia... – disse ela num tom de voz que dava até pra ele imaginar o lindo sorriso que ela devia ter no rosto naquele momento.
Katy ou Kimberly?Essa era agora a grande dúvida de Daniel. Com isso, ele até se sentia na pele de Kimberly que tinha que decidir entre ele e Gabriel. E agora, ele percebia o quanto tinha sido duro com a doll, pedindo para ela dizer de quem realmente gostava. Ele, enfim, entendia como era complicado estar numa situação daquelas.