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Aqui nesse blog, você pode conferir toda a Primeira Temporada Completa de Elementais e, agora, também poderá conferir a Segunda Temporada.
Pra quem não conhece, Elementais é uma fanfic, ou seja, uma história de ficção que envolve como personagens, as cantoras da banda Pussycat Dolls.
Como sabemos, a banda, hoje, se desfez. Cada cantora segue sua carreira solo, porém, nós fãs ainda mantemos um carinho pra lá de especial com cada uma das dolls e, por conta disso, eu quis escrever Elementais 2: A Idade das Trevas.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

CAP.21 – O BEIJO ROUBADO

CAP.21 – O BEIJO ROUBADO

Os dias iam passando e as dolls melhoravam cada vez mais o controle sobre os poderes. Graças aos constantes treinamentos feitos com a ajuda de Leo e Daniel, as dolls estavam realmente progredindo. Jessica, por exemplo, tinha melhorado excepcionalmente sua telecinésia.
Mas se por um lado uns estavam ótimos, outros não estavam. Gabriel mesmo, ainda não aceitava essa idéia de Kimberly namorar o Daniel, embora a doll nem estivesse namorando de fato. O ciúme que corroía Gabriel por dentro era a prova (inclusive para ele) do amor que ele sentia pela doll.
Mas enquanto Gabriel, em Nova Iorque, estava mergulhado em seus pensamentos, Martha, no Egito, conversava com seus Elementais Negros.
- Então como eu disse, Gabriel terminou sendo descoberto. E o pior de tudo é que não tenho mais idéias de como roubar esse maldito cristal. – resmungou Martha.
Houve um breve silêncio que foi em seguida interrompido pela mulher de pele azul-arroxeada, a Dama Perdida:
- Eu acredito que a melhor opção é ir direto ao ataque. – disse ela com uma voz dura.
- Concordo. Se não vai por bem, vai por MAL. – completou a outra mulher, Senhora da Árvore.
- E como seria esse ataque? – perguntou Martha intrigada e ao mesmo tempo assustada. – Vamos direto a casa delas?
- Não!Infelizmente nós só temos poderes aqui no Egito. Se nós migramos para outro local, no caso, Nova Iorque, ficamos mais enfraquecidos. – disse Sol Negro.
- Não entendo o porquê.Se elas conseguem usar os poderes lá por que vocês também não conseguem? – perguntou Martha em tom de desdém.
- Por que nós estamos diretamente ligados com toda a lenda. Nós ainda somos os mesmos Elementais Negros da lenda. Por isso, só temos força e energia suficientes aqui. – começou Barbalo Negro.
– E por elas terem recebido os poderes lá em Nova Iorque, elas não estão tão presas à lenda como nós. – completou Sol Negro.
- Exatamente. – disse Dama Perdida. – Elas são a nova fonte de poder Elemental do Bem, o que até foge da regra, que era para somente uma mulher receber os poderes e não cinco…
- Mas então… – disse Martha interrompendo. – Isso quer dizer que aqui no Egito então, elas não serão tão fortes como vocês?Perfeito!
- Pelo contrário. Aqui,o poder delas duplicará,triplicará… – disse Senhora da Árvore.
- E vocês serão capazes de enfrentá-las? – perguntou Martha.
- “Vocês” não, NÓS! – disse Sol Negro. – Você também vai lutar conosco. Foi você quem nos libertou e então, nós quatro ficaremos muito mais fortes tendo você na liderança.
- Eu?Mas… Eu pensei que você fosse o líder… – disse Martha meio preocupada.
- Você é a líder. Você é a alma negra que abriu a arca. – disse Sol Negro.
Martha engoliu em seco. Ela não esperava que tivesse que lutar contra as Pussycat Dolls.Achou aquilo tudo uma completa loucura.
- Mas… Eu… Eu nem sei usar meus poderes… – disse ela. – Se é que eu tenho mesmo…
- Sim, minha senhora. – disse Dama Perdida. – Você tem um grande poder… A Energia.
- Nós iremos ensinar tudo o que você deve saber… – disse Barbalo Negro.
- Ótimo. E quanto ao ataque?Vai ser aqui no Egito a batalha, mas como vamos fazer para trazê-las aqui? – perguntou Martha.
- Tenho uma idéia. – disse Senhora da Árvore com seu olhar penetrante e maléfico. – Podemos simplesmente trazê-las aqui por meio de uma armadilha.
- Gabriel… – murmurou Martha.
- O que disse? – perguntou Sol Negro.
- Nada… Apenas estou pensando na armadilha… – disse Martha com um leve sorriso.
Martha acabara de ter uma idéia. Precisava imediatamente ligar para Gabriel para lhe contar. Ele iria atrair as dolls para o Egito fingindo ter encontrado a arca, depois iria dizer que tinha procurado a arca e agora iria entregar a elas como um pedido de desculpas, já que estava bastante arrependido. Essa era a idéia de Martha. O que ela não sabia, contudo, é que Gabriel estava do lado das dolls e essa armadilha certamente não daria certo.
Assim que saiu da tumba com os Elementais Negros dentro da arca, Martha foi diretamente para o mesmo hotel em que estivera hospedada da última vez que foram ao Egito.
Chegando ao hotel ela correu pro quarto e ligou para Gabriel.
- Alô? – disse ele com uma voz meio deprimente.
- Querido, sou eu!Martha! – disse ela super enérgica.
- M-Martha?Oi. Conseguiu alguma coisa aí? – perguntou ele fingindo entusiasmo.
- Se consegui? – ela deu uma gargalhada. - Já está tudo resolvido, quer dizer, quase. Agora só depende de você. Esta vai ser a sua parte no plano.
- Que plano?
- Estive conversando com os Elementais Negros há pouco tempo e nós decidimos que teremos que atrair as Pussycat Dolls para cá. Não há outro jeito. Depois te explico melhor o porquê. Agora, o que você tem que fazer é o seguinte: vá a casa delas, finja que está arrependido e diga que você vai voltar para o Egito para procurar a arca para elas.
Gabriel escutava tudo calado.
- Obviamente você não precisa vir pra cá. Apenas diga isso a elas e então, dentro de alguns dias, você vem pra cá, liga para elas e diz que está no Egito com a arca. Elas virão correndo ao seu encontro, com certeza.
Gabriel tinha achado a idéia a mais estúpida possível.
- Excelente, Martha! – disse ele.
- Também acho… – disse ela sem modéstia.
- Então vou desligar. Vou aproveitar para ir ensaiando aqui. Tenho que ter um texto pronto para enganar aquelas idiotas novamente. – disse Gabriel com uma certa pena por estar tendo que falar das dolls daquele jeito.
- Isso, querido. Assim que se fala. E breve o tesouro será… Nosso! – disse Martha quase dizendo “meu” ao invés de “nosso”.
Assim que desligou o telefone, Gabriel se arrumou e correu para a casa das dolls, não para aplicar o plano de Martha, mas para contar a elas tudo o que Martha tinha dito.
Para azar de Gabriel, Daniel estava na casa das dolls. Ele e Leo continuavam os treinamentos com as meninas.
- Agora, Jessica, sinta a vibração que vem da terra… – dizia Daniel quando a campainha tocou.
- Quem será? – perguntou Nic indo abrir a porta. Ela saiu da sala de dança e rapidamente chegou a sala de estar.
- Oi. – disse Gabriel com o sorriso de sempre.
- Gabriel!Você adora vir na hora dos treinos hein? – disse Nic rindo.
- Ah!Desculpa. Não sabia que vocês estavam treinando. – disse ele confuso. – Mas o que eu quero contar hoje é muito importante e eu não podia esperar.
- O que foi?
- Eu prefiro dizer com todas vocês juntas…
- Venha. – disse ela indicando para ele a seguir.
Os dois chegaram até a sala de dança e a reação de Kimberly e Daniel não poderia ser outra.
- Ah não! – disse Kimberly revirando os olhos. – Ninguém merece!
- Esse cara ta aqui outra vez… – resmungou Daniel.
- Bom, eu não vou mais falar isto. Vocês não são crianças, não é difícil entender. – começou Nicole. – O Gabriel foi errado sim, a gente sabe disso, mas… O que passou, passou. Ele agora ta do nosso lado e, aliás, o que você quer mesmo contar pra gente? – disse Nicole se virando para olhar Gabriel.
- A Martha me ligou há alguns minutos e me contou o novo plano dela. – começou ele tentando evitar os olhares de Kimberly e Daniel.
- Ah meu Deus! – exclamou Ashley. – O que essa bruxa quer agora?
- Bom, como eu não tinha contado que vocês sabiam que a arca tava com ela… Agora ela quer que eu finja que estou indo para o Egito procurar a arca e depois, dizer que achei. – disse ele.
- Miserável! – resmungou Melody.
- Ela acha que com isso, vocês iriam diretamente para lá, depois que eu dissesse que eu tinha achado a arca. Só que ela não sabe que eu tô do lado de vocês agora.
- Só não entendi por que a gente tem que ir ao Egito de novo… – disse Jessica.
- Minha visão… Era lá que acontecia. Lembram? – disse Ashley paralisada se lembrando do sonho.
- Pois é… Ela não me explicou direito por que a “grande batalha” tem que ser lá no Egito, mas pelo que eu entendi, só pode acontecer lá. – disse Gabriel pensativo.
- Deve ser algo relacionado à lenda. – disse Leo.
- Bom, o recado está dado. Pelo que ela disse, esse plano vai se concretizar dentro de alguns dias…Então…Se preparem para “cair na armadilha”. – disse Gabriel dando uma piscadela para as meninas.
- Gabriel, você não sabe o quanto que está sendo importante a sua ajuda. – disse Nicole.
- Que bom, Nic. Pelo menos algumas de vocês reconhecem isso… – disse ele olhando para Kimberly de relance.
- Nem venha com suas piadinhas! – disse Kimberly andando lentamente para a direção de Gabriel. – Você fez o que fez comigo e ainda acha que pode ficar dando suas indiretas pra cima de mim?
E ela estava agora a alguns centímetros do rosto de Gabriel. Ele estava apenas parado, contemplando o rosto (furioso) dela, enquanto ela continuava seu discurso:
- E quer saber o que mais?Pra mim, isso já… – mas ela não conseguiu terminar a frase porque Gabriel começou a beijá-la. Inicialmente Kimberly resistiu e tentou afastá-lo, mas aos poucos ela foi gostando e aprovando o mesmo beijo de sempre. O beijo que ela tinha tanta saudade; o beijo de um homem que tinha fingido ser quem não era pra conseguir algo; o beijo do mesmo homem, agora arrependido; o beijo do entregador de pizzas; o beijo do ladrão; o beijo do seu (amado) Gabriel.
Assim que os lábios se afastaram, ela olhou Gabriel com um olhar apaixonado, assustado e ao mesmo tempo, triste. Seus olhos brilhavam e ela sentiu uma vontade de chorar. Umas lágrimas chegaram a cair dos seus olhos. Ela não teve mais reação nenhuma naqueles segundos que se passavam. Os segundos pareciam horas para Kimberly e Gabriel. Cada um contemplando o olhar do outro com uma vontade de beijar mais uma vez.
Ela então, parecendo sair do seu transe e se dando conta de todos que estavam ali, inclusive Daniel, tomou uma reação que nem esperava fazer: deu um tapa no rosto de Gabriel. Ela estava satisfeita e ao mesmo tempo arrependida de ter feito aquilo com ele.Ela estava confusa.
Gabriel abaixou a cabeça enquanto Kimberly saiu correndo da sala de dança e ia direto para o seu quarto.
- Você não tem noção não, cara? – perguntou Daniel irritado.
Gabriel levantou a cabeça, olhou firme nos olhos do outro e nada respondeu.
- Você não acha que já chega?Não acha que a Kim já sofreu muito por causa de você?
E Gabriel continuou calado.
- Responde!Eu tô falando com você! – disse Daniel quase gritando.
Gabriel não respondeu. Ao invés disso, ele respirou fundo e deu um soco no rosto de Daniel, que caiu derrubando uma mesinha com uns livros.
- Gabriel! – exclamou Nicole indo acudir Daniel no chão. – Por que fez isso?
A boca de Daniel estava partida e sangrava no momento. Ele limpou o sangue com a manga da camisa e se levantou com a ajuda de Nicole. Ele certamente iria partir pra cima de Gabriel se não fosse Jessica.
A doll se pôs no meio dos dois.
- Sai da frente, Jessica! - disse Daniel. – Ele vai aprender a não magoar mais as pessoas!
Gabriel tentava escapar de Melody, que o segurava por trás e atacar diretamente Daniel. Ele conseguiu se soltar e já ia diretamente pra cima do outro quando Jessica usou sua telecinésia. Ela fez os dois voarem e ficarem presos na parede.
- Uau!Como você fez isso, Jessi? – perguntou Melody espantada.
- Nem eu sei… – disse a doll meio sem graça enquanto mantinha os dois fixos à parede. Eles tentavam se mexer, mas todas as tentativas eram em vão.
- Jessica… – chamou Nicole logo atrás dela.
Nesse momento de distração, Jessica se virou para olhar Nicole e parou de encarar os dois “emparedados”, que sem a força psíquica de Jessica para mantê-los ali pendurados na parede, caíram no chão fazendo o maior baque.
- Sim? – perguntou Jessica sem se dar conta da queda dos dois, apesar do barulho.
- Nada… Eu ia pedir pra você descer os dois para o chão, mas… Você já fez isso… – disse Nicole prendendo o riso.
A sala tinha ficado um estrago. Mesinhas reviradas, livros espalhados, quadros caídos… Tudo isso por causa de uma cena que não durou nem mesmo uma hora.
- Tá vendo o que você fez? – disse Daniel se levantando e olhando para a sala.
- Eu?Isso tudo é mais culpa sua do que minha. – disse Gabriel se levantando e ajeitando a gola da camisa.
- Minha culpa? – Daniel deu uma risada debochada.
- Meninos!Parem já com isso! – disse Ashley tentando manter a calma.
- Tudo bem, Ash. Eu já estava de saída mesmo. – disse Gabriel saindo da sala de dança.
- Eu te levo até a porta então… – disse Ashley.
- Não. Não precisa. Eu sei o caminho… – disse ele já desaparecendo de vista.
Quando chegou à sala, antes de abrir a porta, ele subiu silenciosa e lentamente as escadas. Chegando ao corredor do andar de cima, ele decidiu por fim ver Kimberly. Ele já ia andando na direção do quarto dela. Apesar de não ter ido muitas vezes à casa das dolls, ele lembrava que o quarto dela era logo o terceiro do corredor.
A porta estava fechada. Ele chegou a colocar a mão na maçaneta para abrí-la, mas terminou desistindo. Colocando o ouvido na porta, ele conseguiu ouvir Kimberly do outro lado, chorando. Uma onda de tristeza também tinha o invadido. Novamente ele sentiu vontade de abrir a porta e abraçar Kimberly, mas achou que seria outra confusão para aquele dia e então ficou ali parado mais alguns segundos e em seguida, desceu as escadas e foi embora.
O choro de Kimberly, nem ela sabia ao certo por que motivo era.Seria por ter acontecido aquilo na frente de todo mundo?Seria por que ela tinha gostado do beijo?Seria por ela ter batido em Gabriel?Seria por Daniel ter defendido ela e ela sentir que estava gostando dele também?
Sua cabeça estava mais do que confusa naquela hora. Ela não sabia mais se estava gostando do Daniel, se estava gostando (ainda) do Gabriel ou se estaria apaixonada pelos dois. Ela sabia que não seria nada fácil decidir se ficaria com o homem que tanto a acolheu quando ela precisou e que agora, estavam começando a ser mais que amigos; ou se ficava com o homem que a tinha traído com uma farsa terrível e que mesmo assim ainda amava verdadeiramente ela. De fato, Daniel e Kimberly não estavam namorando. Ainda eram amigos, mas tanto ela quanto ele sabiam que iria acontecer algo além de amizade, era só questão de tempo. Só que agora, depois desse beijo roubado, a cabeça da doll estava uma confusão só. Ela não sabia mais o que fazer. E o pior de tudo é que ela sabia que essa era uma dúvida que somente ela poderia tirar.

CAP.20 – TREINAMENTO

CAP.20 – TREINAMENTO

Assim como tinham combinado, logo pela manhã, as dolls ligaram para Leo e o chamaram para ir urgentemente lá. Assim que ele chegou à casa das dolls, acompanhado por Daniel, as dolls contaram tudo o que tinha acontecido na noite anterior.
- Que canalha! – disse Daniel sem pensar. – Depois de tudo o que ele fez à Kim ainda teve coragem de voltar aqui.
- Pois é… – disse Kimberly olhando para Daniel.
- Mas ele quer mesmo nos ajudar. – disse Nicole se adiantando.
- É verdade. Eu consegui ouvir os pensamentos dele. São verdadeiros. – disse Melody.
- Sim, mas chega desse assunto. Vocês me chamaram aqui por um motivo mais urgente: a visão da Ashley. – disse Leo.
- Sim. – elas concordaram.
- E vocês querem que eu as ajude a desenvolver melhor os poderes. – continuou ele.
- Exatamente. – disse Ashley.
- O Daniel também poderá ajudar. Não só pelo fato de ele já saber o segredo, mas por ele também conhecer toda a lenda, assim como eu. – disse Leo.
- Sim. Ficarei satisfeito em ajudar vocês. Conheço toda a lenda tão bem quanto o Leo. – disse Daniel.
- Ótimo. – exclamou Kimberly.
- Então?O que vocês desejam nesse momento? – perguntou Leo.
- Como a gente já disse… Na visão da Ash a gente perdia a batalha. – começou Nicole. – Então o que a gente realmente quer e precisa no momento é aprender a dominar nossos poderes e claro, conhecer mais sobre cada um deles.
- Certo. – disse Daniel. – Quando começamos então?
- Agora. – disseram as cinco dolls de vez, como se tivessem combinado.
Leo e Daniel foram buscar alguns livros e objetos que precisariam e logo em seguida, estavam de volta à casa das dolls.
Eles foram para a sala de dança, onde as dolls ensaiavam para os shows. As dolls aguardavam ansiosas as instruções que Leo e Daniel iriam dar.
- Vejam. Esse livro fala que os poderes estavam inteiramente ligados aos sentimentos. – disse Leo segurando um pesado livro que parecia bastante velho.
- É verdade… Eu só consegui usar minha telecinésia uma vez… Quando íamos bater o carro. – disse Jessica se lembrando do dia em que conheceram Alex. – Eu estava muito nervosa naquela hora e acho que isso deve ter ajudado.
- É mesmo. Eu soltei aquela bola de fogo no Leo… – começou Melody -… porque estava com muita raiva.
- Estão vendo?Os poderes Elementais estão ligados aos sentimentos. – disse Daniel.
- E como a Melody consegue controlar tão bem a leitura de pensamentos? – perguntou Ashley.
- Tá com inveja é? – disse Melody rindo.
- Vamos começar então. – disse Leo fingindo não escutar os comentários das duas.
Na sala em que estavam, Daniel e Leo tinham posto no centro uma planta morta, um copo d’água, uma lâmpada e duas velas.
- Hoje, vamos começar com um exercício bastante complicado pra vocês que nunca treinaram. Digamos que eu tenha até acelerado um pouco o nível das coisas, mas como não sabemos exatamente quando vocês irão enfrentar os Elementais Negros, temos que estar preparados o mais rápido possível. Hoje, treinaremos seus poderes Elementais.
- Quem quer começar primeiro? – perguntou Leo fingindo não ver a mão de Kimberly já estendida. – Alguém?
- Hei! Você não ta vendo ela aqui não? – resmungou a baby doll.
- É que… Seu exercício depende da Melody, Kimberly. – disse Daniel. – Acho melhor deixar pro final.
- Eu começo então… – disse Melody.
- Tem certeza, Mel? – perguntou Kimberly.
- Eu acho que estou preparada… – arriscou Jessica rindo de nervoso.
- Ótimo, amor. – disse Leo. – Está vendo essa planta morta?
- Claro que ela ta vendo!Ela não é cega! – disse Melody rindo em voz alta.
- Shhhhh!Fique quieta, Mel! – disse Nicole rindo com o comentário dela.
- Então… Como você tem o poder de TERRA, sua tarefa é fazer essa planta reviver. – disse Leo.
- Nossa!Isso vai ser complicado… – disse Jessica. – O que eu vou fazer então?
- Se concentre apenas na planta. Esvazie tudo de sua mente, deixe apenas que a planta a preocupe no momento. – disse Daniel.
- Ok. – disse Jessica fechando os olhos e respirando fundo.
- Agora, tente imaginar a planta crescendo e florescendo. É isso que você quer. – disse Leo.
Jessica fez exatamente o que eles mandaram e já tinha a imagem da planta crescida em sua mente.
- E agora? – disse ela de olhos fechados e ainda com a imagem da planta na mente.
- Se concentre. – disse Leo.
Após mais alguns segundos, a doll abriu os olhos.
- Ah!Não funcionou! – disse Jessica infeliz.
- Calma, amor. – disse Leo - Isso que você fez agora foi somente um exercício de concentração para você realmente visualizar a planta crescendo.
- E então?O que eu faço agora? – perguntou ela.
- Agora, tente focalizar tudo o que você mentalizou para um canal. – começou Leo.
- É. Você pode usar seus olhos, suas mãos… – completou Daniel.
- Entendi. – disse Jessica estendendo as mãos em direção a planta. – E depois?
- Vamos mexer com os sentimentos agora. Se concentre em algo que mexa muito com seus sentimentos. Pode ser alguma lembrança ou mesmo algo inventado, que nunca existiu. – continuou Leo.
- Ok.Estou pronta. – disse a doll. - E agora?
- Agora é com você. – disse Daniel. – Vamos!Tente fazer a planta florescer.
Jessica se concentrou em fazer a planta crescer e usou toda a raiva que pôde se lembrando de um show que foi cancelado certa vez e ela tinha se preparado muito. A doll então deixou suas mãos estendidas sobre a planta e não parava de concentrar.
Surpreendentemente, uma espécie de raio de luz esverdeado saiu das mãos dela e atingiu a planta, fazendo-a começar a se mover pra cima. A planta ia se contorcendo e ganhando uma cor mais viva. Dentro de mais alguns segundos a planta já estava completamente verde e agora, começava a florescer.
- Nossa! – disse Jessica arfando. – Acho que consegui.
A planta tinha ficado completamente renovada. Em vez de morta e sem vida, estava agora cheia de flores.
As outras dolls vibraram e correram para abraçar Jessica.
- Parabéns! – disse Ashley. – Foi lindo o que você fez!
- Estou impressionada… – disse Nicole.
- Perfeito! – disse Melody.
- Arrasou, amiga! – disse Kimberly.
- E agora? Quem vai ser a próxima? – perguntou Daniel.
- Eu! – disse Ashley meio sem saber se era isso mesmo que ela queria na hora.
- Ótimo, Ash! – disse Leo. – Vamos lá.
As dolls ficavam num canto da sala, olhando para o centro, onde agora estavam Ashley, Leo e Daniel.
- Acho que sua tarefa é mais complicada que a da Jessica. – disse Daniel.
- Como seu poder é ÁGUA, você tem umas opções a fazer. – começou Leo. – Você pode mexer com os estados físicos da água se quiser, podendo fazer ela evaporar,se solidificar…Ou pode fazer a água ganhar tanta força a ponto de quebrar o copo.
- Uau! – exclamou Ashley. – Eu posso fazer tudo isso?
- E então?O que vai fazer? – perguntou Daniel.
- Acho que vou tentar fazer essa água virar gelo. – disse a loura.
- Ótimo. – disse Leo. – Agora, faça o mesmo que a Jessica fez. Esvazie a mente, se concentre no que você deseja e tenha um pensamento forte que mexa com seus sentimentos.
Após fazer o que Leo mandou, Ashley já estava bastante preparada. A doll estava tão preparada que quando olhou fixamente para o copo, terminou fazendo a água pular e derramar no chão.
- Ai! – exclamou Ashley. – Que droga!Derramei tudo!
- Muito bem, Ashley! – disse Daniel.
- Você conseguiu controlar a água! – disse Jessica.
- Consegui? – disse Ashley ainda surpresa. – É mesmo… Eu consegui!
- Muito bem, Ash! – disse Melody.
- Mas não era bem isso que eu queria fazer com a água… Queria congelar… – disse Ashley insatisfeita.
- Calma, Ash. Tudo tem seu tempo. Você conseguiu hoje já foi um avanço. – disse Nicole.
- Agora, será que nós já podemos? – perguntou Melody.
- Eu disse que era melhor deixar o poder de vocês pro final, mas… Já que vocês insistem tanto… – disse Leo. – Vamos. Venham cá para o centro.
As duas foram para o centro da sala.
- Já sabe o que tem que fazer não é, Melody? – perguntou Daniel.
- Claro!Esvaziar a mente, pegar um pensamento que mexa com meus sentimentos e…O que eu vou fazer com a lâmpada?
- Não!A lâmpada é para a Nicole. – disse Daniel. – Você e a Kimberly ficam com as velas.
- Você vai fazer um trabalho até frágil e simples para o seu poder. Você irá acender o pavio dessa vela. Apenas isso. – disse Leo. - Apesar de esse trabalho ser simples, como o FOGO é um poder colossal e poderoso, isso vai ser bem difícil pra você.
- E eu? – perguntou Kimberly.
- Você, apagará a chama da vela usando seu poder de AR. – disse Leo.
- Vai ser fácil!É só ela assoprar a vela. – disse Melody se acabando de rir. As outras dolls também riram.
- Meninas!Isso é sério! – exclamou Leo prendendo sua risada.
Após fazer todo o exercício de concentração, Melody tinha uma lembrança bastante forte: lembrou-se de quando ela, já no fim de um show, tropeçou e caiu no palco. Essa lembrança tinha a deixado com tanta raiva que quando ela apontou para a vela, não conseguiu acender o pavio e sim, incinerar completamente a vela.
- Uhu! – exclamou Melody. – Consegui!
- Não, mocinha… – disse Nicole. – Você usou seu poder, claro, mas não conseguiu acender somente o pavio.
- Ah, Nic!Deixe de ser estraga-prazeres… A Ashley também não conseguiu fazer a água congelar como ela quis. – resmungou Melody.
- É verdade. – concordou Ashley.
- Mas eu escolhi esse exercício para você. Controlar fogo é uma tarefa muito complicada. – disse Leo. – Imaginei que você ia tocar fogo na vela, por isso trouxe essa a mais. – disse ele apontando para a outra vela.
[Vamos, Mel! Se concentre... É só o pavio da vela...] dizia Nicole. Melody ouvia seus pensamentos.
Após mais uns minutos, Melody reforçou sua lembrança, mas tentou usar mais calma do que raiva. Enfim, conseguiu apontar para a vela e fazer com que uma pequenina bola de fogo saísse de seu dedo indicador e atingisse o pavio da vela.
- Agora sim!Parabéns, Mel! – disse Daniel.
A baby doll estava boquiaberta. Ela não acreditava que finalmente tinha conseguido acender a vela.
- Uau!Consegui!Eu-sou-demais! – disse Melody pulando sem parar.
- Sua vez agora, Kim. – disse Daniel pegando nas mãos dela. – Fique calma. Você já sabe o que fazer.
- Sim. – disse ela.
- Boa sorte. – disse Daniel dando-lhe um beijo no rosto. Ela corou.
Apesar de ter ficado nervosa e envergonhada com o beijo que Daniel lhe dera, Kimberly se concentrou e dentro de alguns minutos, já estava mais do que pronta. A lembrança que ela usou não poderia ser diferente: o ódio que sentia por Gabriel.
Ela agitou as mãos delicadamente e fez, com um pequeno jato de ar que saiu de suas mãos, a chama da vela se apagar.
- Excelente! – disse Daniel abraçando ela em seguida.
- Agora, sua vez, Nic. – começou Leo. – Mas antes, quero deixar claro que seu poder, é bastante forte. Esse exercício seria algo inútil diante da grandeza do seu poder. A ENERGIA é muito importante e difícil de controlar. Exige bastante concentração, paciência e domínio.
- Certo. – disse Nicole engolindo em seco.
- Vamos. Se concentre e tente usar sua energia para acender a lâmpada. – disse Leo.
Nicole se concentrou, usou um forte pensamento e olhou fixamente para a lâmpada. Nada aconteceu.
- Não consegui… – disse Nicole.
- Calma, Nic. Talvez você precise usar as mãos como canal de transferência para o seu poder. – disse Daniel.
- Vamos. Tente de novo. – disse Leo.
Nicole se concentrou mais uma vez e quando achou que finalmente estava pronta, foi interrompida pela campainha da casa que tocava naquela hora.
- Ah não! – disse ela chateada. – Quem será?
- Deixa que eu atendo. – disse Ashley saindo da sala de dança e indo diretamente para a sala de estar.
Era Gabriel que tocava a campainha.
- Gabriel? – disse Ashley assustada. - O que foi?Alguma coisa?Ah não!Nao me diga que a Martha fez alguma coisa e…
- Calma, Ash. – disse ele. – Eu só quis passar aqui pra fazer uma visita.
- Só uma visita? – desconfiou Ashley.
- Na verdade, quero contar uma coisa a mais… A Martha está com idéias absurdas… Ela quer voltar para o Egito. – disse ele.
- Voltar para o Egito?Pra quê?
- Nem eu sei direito… Ela apenas falou que precisava de mais tempo com os Elementais Negros. Disse que precisavam ter idéias de como roubar o cristal de vocês.
- E por que ir ao Egito?
- Ela diz que não está conseguindo fazer com que eles saiam da arca aqui em Nova Iorque. Por isso, ela vai voltar ao Egito, mais precisamente àquela tumba, para tentar fazer um novo contato com eles.
- Hum… Entendi, mas… Por que ela não quer levar você com ela?
- Ela disse que é pra eu ficar aqui com o Thomas. Que é para a gente também tentar bolar algum plano pra roubar o cristal de vocês.
- Hum…
- A propósito, onde estão as meninas?Saíram?
- Não… Estão na sala de dança e…
- Ah, me leva lá então. Quero falar com as outras também sobre isso que eu te falei.
- Não!Não precisa, Gabriel. Não acho uma boa idéia… A Kim não ia gostar muito de te ver aqui de novo.
- Por favor, Ash… Prometo que vai ser rápido… Só uma visita rápida às meninas…
Enquanto ele tentava convencer Ashley a levá-lo à sala de dança, Nicole se concentrava para a sua terceira tentativa de fazer a lâmpada acender, já que a segunda tentativa também não tinha dado certo.
- Vamos, Nic!Você consegue!
Desta vez, ela usou a lembrança mais forte que pôde: boatos de que ela só estaria namorando o Lewis Hamilton para fazer fama em sua carreira. Apesar de a imprensa não usar mais esses boatos, isso tudo ainda a deixava bastante irritada.
Nic então se concentrou só nessa lembrança e em acender a lâmpada.
Ela finalmente posicionou as mãos para a lâmpada e conseguiu: fez a lâmpada começar a acender. Lentamente a lâmpada foi ganhando luz. Em seguida, a energia que Nicole liberou foi aumentando e a luz foi ficando mais forte.
- Não pare ainda. – sugeriu Leo.
- Gente, olha quem ta aqui… – disse Ashley chegando à sala de dança seguida por Gabriel.
Kimberly olhou furiosa para ele e Daniel fez o mesmo.
- O que esse cara ta fazendo aqui? – resmungou Daniel.
- Hum… Quem é esse Kim?Seu novo namorado? – perguntou Gabriel com uma voz sarcástica. Ele fez realmente de propósito, pois estava morrendo de ciúmes. Ele ainda era apaixonado por ela e não queria vê-la nos braços de outro.
- E se for? – começou Kimberly alteando a voz. – Isso não é da sua conta!
Nicole se virou para olhar a cena, mas ainda assim mantinha as mãos no mesmo lugar e continuava a gerar energia para a lâmpada.
- Não pare, Nic! – disse Leo. – Concentre-se.
- Calma, Kim. – começou Gabriel ainda com um tom de voz sarcástico. – Eu não queria te ofender…
- Não queria me ofender? – disse Kimberly furiosa. – E O QUE VOCÊ ACHA QUE FEZ COMIGO? VOCÊ ME OFENDEU!VOCÊ MENTIU PRA MIM! – dizia ela gritando sem parar.
Aquilo tudo, deixava Nicole tão nervosa que a lembrança que tinha na cabeça deu lugar àquela discussão, fazendo com que ela liberasse uma energia tão intensa e tão poderosa que fez a lâmpada estourar e por sua, vez, espalhar vidro por todo lado. Em meio a isso, tudo em fração de segundos, Jessica instintivamente conseguiu desviar os minúsculos pedaços de vidro da lâmpada para uma direção contraria a Nicole.
- Nic!Você está bem? – perguntou Melody.
- S-sim. Acho que sim. – ela ainda estava impressionada com tudo o que fizera. – Se não fosse a Jessica eu teria me cortado feio. Obrigada, Jessi.
- Que é isso, Nic… Não precisa agradecer. Aliás, foi tudo tão rápido que eu nem imaginava usar a telecinésia de novo. – disse Jessica sorrindo.
- O que você faz aqui? – perguntou Leo para Gabriel. – Alguma coisa?
E Gabriel começou a contar o mesmo que tinha dito à Ashley antes e tentou não ligar para as caras de reprovação (e raiva) de Kimberly e Daniel.

CAP.19 – UMA NOVA PARCERIA


CAP.19 – UMA NOVA PARCERIA

No dia seguinte ao grande show, as dolls acordaram um pouco mais tarde que o comum. A sala de estar mais parecia um jardim, pois havia ali cinco vasos com lindas flores em cada. O vaso que mais chamava atenção era o de Kimberly. Os girassóis realmente roubavam a cena devido a sua enorme beleza. Nem mesmo as belas rosas vermelhas que Nic tinha ganho,nem os lírios da Ashley chegavam à beleza dos girassóis.
- O show foi maravilhoso! – disse Jessica enquanto lia uma matéria no jornal falando do show da noite anterior.
- Maravilhosas foram as surpresas de ontem… – disse Kimberly suspirando.
- O Daniel fez uma linda surpresa pra você… – disse Nic sorrindo.
Como não teriam mais nenhum show para fazer na semana, as dolls estavam relaxadas e aproveitariam para descansar e se preparar para os próximos shows que seriam nas semanas seguintes.
Era quase noite quando Ashley foi correndo procurar a Nicole.
- Nic! – disse ela arfando.
- Que foi, Ash?Que aconteceu? – perguntou a morena se levantando da cama.
- Acabaram de ligar da portaria. Você não vai acreditar quem está aí fora e quer entrar. Disse que é urgente…
- Quem é?
- Gabriel.
- Gabriel?Meu Deus!
- É… E agora?O que a gente faz?
- Vai deixar ele entrar?
- Não!A Kim ia nos matar!
- Mas Ashley… Pense bem. Se ele está aí fora, depois de tudo o que aconteceu… Deve ser algo importante.
- É, talvez você tenha razão.
- Onde a Kimberly está?
- Saiu com a Jessica. Foram no apartamento de Leo.
- Hum… Então ótimo. Deixe ele entrar.
- Tudo bem então.
Ashley avisou aos seguranças para deixar Gabriel entrar e alguns minutos depois, lá estava ele dentro da casa das dolls.
As três dolls sentaram-se no sofá e ficaram de frente para Gabriel, que estava sentado numa cadeira.
- Sei que o certo era vocês nunca mais me verem depois de tudo o que fiz, mas… – começou Gabriel sério.
- Exatamente! – vociferou Melody.
- Shhh! Calma, Mel! – disse Ashley.
- Mas eu acho que vocês têm que saber de umas coisas… – continuou ele sem se importar com o comentário de Melody.
- Que coisas, Gabriel? – perguntou Nicole cruzando os braços.
- Eu cheguei a tentar contar à Kim, mas ela não deixou… Martha roubou a arca, ela abriu…
- Abriu? – interrompeu Melody mais uma vez.
- Sim. Ela conseguiu abrir a arca. – disse Gabriel. – De dentro da arca, saiu uma luz negra que atingiu a Martha e depois disso, ela criou… Não sei explicar direito, mas apareceram quatro… Quatro seres estranhos… Quatro pessoas eu acho.
As dolls ouviam tudo em silêncio e estavam espantadas com tudo o que Gabriel contava.
- Eram tão estranhos… Tinha um homem todo vermelho, uma mulher verde e… – continuou ele.
- Hei!Espere aí!Mulher verde, homem azul… Que maluquice é essa?Você quer o que com a gente? Nos enganar de novo? E com essa maluquice… – disse Melody se levantando do sofá.
- Eu não estou mentindo! – disse Gabriel irritado. – Aliás, minha intenção é justamente o contrário. Quero ficar ao lado de vocês. Agora que a Martha tem esses poderes, acho que eu devo ajudar vocês.
- Quem disse que a gente quer a sua ajuda? – disse Melody irritada.
- Melody!Sente aí e fique quieta! – disse Ashley tentando se controlar.
- Gabriel… Por que essa mudança toda? – perguntou Nicole. – Por que você quer nos ajudar? Você ta querendo alguma coisa em troca? Dinheiro…
- A única coisa que eu quero é me redimir com a Kimberly e com vocês, claro. Acho que de todas as coisas que fiz com a Martha durante alguns anos, nunca nada mexeu tanto comigo como a Kimberly. Eu sei que era tudo um plano, mas eu realmente me apaixonei por ela e como eu a magoei, isso tudo me magoa muito também.
- Que lindo! – exclamou Ashley baixinho.
- E então como você quer nos ajudar? – perguntou Melody mais calma.
- Eu sei de tudo o que a Martha quer, os planos dela… Só que agora, ela não sabe e nem vai saber que eu tô do lado de vocês. – disse ele.
- Bom. – disse Nic pensativa.
- E o que exatamente ela quer no momento? – perguntou Ashley.
- O tesouro. – disse ele.
- Tesouro? – disseram as três de vez.
- Sim. O tesouro que está por trás da lenda do cristal. – disse ele.
- É… Acho que o Leo comentou mesmo algo sobre um tesouro… – disse Melody.
- Ela conversou com… Como é que ela chamou mesmo? Ah, lembrei! Os Elementais Negros. – disse ele.
- Elementais Negros? – repetiu Nicole.
- Sim. Pelo visto, eles têm os mesmos poderes que vocês. Eles disseram a ela que só Elementais do Bem, vocês, podem abrir o portal para o tesouro. E disse que para nós, quer dizer, ela abrir o portal, é necessário ter o cristal de Efata.
- Etafa. – corrigiu-o Nicole.
- Sim. Etafa. – disse ele sorrindo.
- Ela quer o nosso cristal? – perguntou Ashley nervosa.
- Sim. Ela queria que eu roubasse, só que ela não imaginava que vocês já sabiam tudo sobre mim.
- E você contou a ela que nós sabemos de tudo? – perguntou Melody.
- Terminei contando, mas… Fingi que irei ajudar ela mesmo assim. Disse que tentarei outro plano. – disse ele coçando o queixo.
- Ótimo. – disse Nicole. – Então podemos mesmo contar com você?
- Sim. – disse ele estendendo a mão para Nicole. – Parceiros então?
- Parceiros. – disse ela apertando a mão dele.
Nesse momento, Kimberly acabava de entrar na sala junto com Jessica. Elas acabavam de chegar.
- O-que-ele-tá-fazendo-aqui? – perguntou Kimberly falando pausadamente.
- Calma, Kim. A gente pode explicar. – disse Nicole se levantando do sofá e indo em direção à amiga.
- Não, não e não!Não me peçam para ter calma! – disse a loura quase gritando. – Eu não admito encontrar esse… Esse homem aqui em nossa casa.
- Kim… – disse Gabriel se levantando.
- Se afaste de mim! – disse ela em alto tom.
- Gabriel, venha. Sente aqui. – pediu Ashley indicando o lugar no sofá ao lado dela.
- O que ta acontecendo aqui? – perguntou Jessica por fim.
- Ele veio aqui para dizer que a Martha abriu a arca e… – começou Melody.
- Abriu a arca? – perguntou Jessica incrédula.
- Sim. E agora ela tem poderes e criou uns tais Elementais Negros. – disse Melody apressadamente.
- E ele agora ta do nosso lado. – continuou Nicole.
- Me diz que isso é mentira… – resmungou Kimberly.
- Aliás, o Thomas também está comigo e por sua vez, conosco. – disse Gabriel.
- Thomas? – perguntou Nicole.
- Ele é o outro membro da “equipe”. – disse Gabriel. – Ele ta me ajudando contra a Martha.
- Ótimo. – disse Nicole.
- Se tem uma coisa que quando a gente perde é difícil de encontrar é a CONFIANÇA. Pra mim já chega. Vou para o meu quarto. – disse Kimberly saindo da sala e subindo as escadas rapidamente.
Jessica fez menção em segui-la, mas Nicole impediu dizendo:
- Deixa. Isso tudo ainda é muito complicado para ela.
- É verdade… – disse Gabriel. – Eu nunca deveria ter feito isso com ela…
- Agora não adianta chorar pelo leite derramado. – disse Jessica séria.
- Exatamente. O que passou, passou. – disse Melody. – E se ele agora está do nosso lado, temos que recuperar o tempo perdido e entrar em ação.
- Muito bem, Melody. – disse Gabriel. – Estou mesmo disposto a ajudar vocês.
- E a arca? Está com ela não é? – perguntou Jessica.
- Sim. – respondeu ele.
- Temos que ter a arca de volta. – disse Jessica.
- Acho melhor não. A arca deve estar possuída pela energia negra da Martha e isso poderia prejudicar nossos poderes. – disse Nicole.
- É mesmo… – disse Ashley pensativa.
- Mas não se preocupem com a arca por enquanto. O que a Martha realmente quer está com vocês: o cristal. – disse Gabriel sorrindo.
Houve um breve silêncio.
- Bom, tenho que ir. Ela não pode sequer suspeitar que eu estive aqui… – disse Gabriel se levantando.
As dolls o levaram até a porta e assim que ele saiu, as dolls começaram a falar:
- Nossa!Como as coisas mudam hein? – disse Ashley.
- Ninguém ia imaginar que ele ia ficar do nosso lado. – disse Nicole confiscando se tinha trancado a porta e ligado o alarme.
- Eu ainda não confio nele. – resmungou Jessica.
- Eu também não confiei no início, mas você precisava ver o que ele falou da Kim. Ele não ta mentindo, sei que não. Os pensamentos dele também eram sinceros. – disse Melody calma.
- Já que é assim, então tudo bem. Se vocês confiam nele, eu confio. – disse Jessica. - Mas e a Kim?
As dolls ficaram ali conversando por mais um tempo. Kimberly só desceu na hora do café e ninguém tocou no assunto sobre Gabriel.
Enquanto as dolls dormiam profunda e tranquilamente (inclusive Kimberly), Ashley dormia inquieta. Se mexia o tempo todo. A doll estava tendo um sonho, ou melhor, um pesadelo horrivelmente curioso.
Elas estavam no Egito novamente. Dentro da pirâmide, mais ou menos no lugar onde houve o desabamento, estavam elas. Elas estavam diferentes, usavam roupas estranhas e brilhantes. Cada uma parecia mais forte que o comum e cada uma trajava uma roupa de uma cor. Nicole usava um vestido branco longo e brilhante; Jessica, um vestido verde; Ashley, um azul e Kimberly e Melody, vestidos lilás e vermelho respectivamente.
Mas elas não estavam sozinhas na tumba. Em frente a elas, podiam-se ver mais cinco figuras estranhas: Martha à frente, trajando um vestido negro e atrás dela, os quatro Elementais Negros. Na tumba, também se encontravam Gabriel, Thomas, Daniel e Leo.
- Mê dê o cristal! – gritou ferozmente Martha para Nicole.
- Nunca. Você não vai ter esse cristal e muito menos o tesouro. – disse Nicole muito séria. A morena estava realmente deslumbrante naquele vestido.
Em seguida, lá estavam elas lutando contra os Elementais Negros. A luta foi entre elementos comuns: Fogo versus fogo, água versus água e assim por diante.
Pareciam bem no começo, mas logo começaram a ficar enfraquecidas e logo a Kimberly desmaiou.
Elas continuaram lutando, só que estavam em desvantagem por estar sem a Kim. A desvantagem foi tanta que o Barbalo Negro conseguiu atacar Nicole pelas costas, fazendo a morena desmaiar também. As três que restaram (Jessica, Ashley e Melody), terminaram se rendendo aos Elementais Negros e entregaram o cristal.
- Nãããããããããão! – gritou Ashley acordando e sentando-se na cama. Ela estava ofegante.
Com o grito, as dolls acordaram e foram correndo ver o que a Ashley tinha.
- Ash? – disse Nicole entrando no quarto e ligando a luz.
- Nic! – dizia Ashley chorando sem parar.
- O que foi? – perguntou Kimberly preocupada.
- O cristal… Eles vão nos vencer e… – dizia Ashley em meio a soluços.
- Calma, Ash. Alguém pegue água para ela, por favor. – pediu Nicole.
Melody desceu rapidamente e pegou um copo d’água para a loura. Logo que tomou a água, Ashley pareceu se acalmar mais e assim que parou de chorar, conseguiu contar o sonho que tivera.
- Eu vi… Vi coisas horríveis. – começou Ashley. – Nós estávamos no Egito e os Elementais Negros,eu os vi,são como o Gabriel descreveu…
- Ash… Não foi só um pesadelo? – perguntou Jessica.
- Não!Vocês não se lembram das outras visões?Estavam certas. Só que agora, foi como um pesadelo, mas eu sinto que foi uma visão… – disse Ashley nervosa.
- Então o que realmente você viu? – perguntou Nicole.
- Nós estávamos tão lindas na tumba… O Daniel estava lá, o Gabriel, o Leo e um homem que deve ser o Thomas. Uma mulher, que só podia ser a tal da Martha estava bem a nossa frente. Ela liderava quatro seres estranhos, os Elementais Negros.
- O que mais? – perguntou Melody curiosa.
- Eles queriam o cristal de qualquer jeito, mas a Nic disse que não ia deixar que eles ficasse com o cristal nem com o tesouro. Ai, Nic!Você tava linda com um vestido branco… – disse Ashley fechando os olhos para lembrar a cena. – Só que nós lutávamos contra nossos próprios elementos e talvez isso tenha dado errado, porque logo ficamos enfraquecidas e a Kim desmaiou. Depois o Elemental negro que deveria ser o do AR, atacou a Nic pelas costas e ela também desmaiou. Aí eu, a Jessi e a Mel tivermos que nos render e entregamos o cristal e depois… Eu acordei.
- Uau! – exclamou Melody.
- Mas… Isso não pode acontecer. – disse Kimberly preocupada. – Não podemos perder a batalha, nem deixar que eles fiquem com o cristal.
- Nem com o tesouro! – completou Nicole.
- Ash, então com o que você observar, o que realmente deu errado nessa batalha? – perguntou Jessica tentando manter-se calma.
- Bom, pelo que eu pude observar, parece que o que deu mesmo errado foi nós escolhermos o nosso próprio poder para lutar contra. Eu mesma lutava contra uma mulher meio azulada que tinha o poder da ÁGUA. Acho que isso não pode dar certo. – disse Ashley angustiada.
- É. Faz sentido. – começou Jessica. – Não podemos lutar contra nossos poderes. Eu não posso lutar contra TERRA… Tenho que lutar contra qualquer outro poder, menos o meu.
- Mas e o poder da Nic? – perguntou Melody. – Que é o maior que tem…
- Bom, o poder da Nic deve ser equiparado ao poder que a Martha tem agora. Por ser o quinto elemento, ENERGIA, ela só pode lutar contra a Martha, que também tem o maior poder entre os Elementais Negros. Lembrem que foi ela quem abriu a arca também. – disse Ashley.
- É verdade. – comentou Nicole parecendo assustada.
- Só sei uma coisa então… – disse Kimberly.
- O que? – perguntaram as dolls em coro.
- Temos que correr com isso. Fazer algum treinamento, sei lá.As visões da Ashley não falham,digo por experiência própria. – continuou Kimberly.
- O problema é que a gente não tem noção de quando que vai realmente acontecer essa visão. – disse Melody.
- Por isso mesmo, vamos aproveitar essa semana que não temos mais shows para fazer e pediremos a ajuda do Leo para nos ensinar mais sobre os elementos e como controlá-los, usá-los. – disse Nicole muito decidida.
- Isso mesmo, Nic!Boa idéia. – disse Ashley.
- Amanhã mesmo a gente liga para o Leo e conta tudo que houve hoje. Aposto que o Daniel também poderá nos ajudar. – disse Jessica
- Aposto que sim. – disse Kimberly sorrindo.
- Kim, por falar em tudo o que aconteceu hoje… – começou Nicole.
- Se é sobre o Gabriel, esqueçam! – disse a loura amarrando a cara.
- Kim!Você tem que ouvir a gente. – começou Ashley. – Não queríamos estar ao lado dele. A gente também sofreu com tudo o que aconteceu… Mas agora ele realmente quer nos ajudar. Ele está do nosso lado e a gente só tem a ganhar com isso.
Kimberly cruzou os braços e sacudiu a cabeça em sinal negativo.
- Kimberly, o Gabriel vai estar com a gente, você querendo ou não. – disse Nicole. - Você não é obrigada a falar com ele nem a perdoá-lo. Apenas aceite a ajuda dele nessa luta contra a Martha e os Elementais Negros.
- Tudo bem então. – disse Kimberly secamente. – Já que não há outro jeito…
- Meninas… Vamos dormir. Amanhã temos muitas coisas para fazer. – disse Ashley.
E seguindo o conselho de Ashley, as dolls cessaram a conversa e foram para os seus respectivos quartos. Ashley ficou ali sozinha deitada em sua cama pensando mais um pouco. Aquele pesadelo tinha realmente tirado seu sono.

CAP.18 – GIRASSÓIS

CAP.18 – GIRASSÓIS

Chega o dia do show e as dolls estão mais do que preparadas. Com o esforço de Kimberly para esquecer Gabriel, o ensaio tinha sido super importante e elas estavam muito seguras de si.
O local do show estava lotado. O número de pessoas que estavam ali para ver as dolls era inexplicável. Assim que Lady GaGa acabou sua apresentação e saiu do palco,alguns minutos depois,as dolls já subiam cantando “Take Over the World”.O público como sempre foi ao delírio ao som das Pussycat Dolls.
O show foi perfeito como sempre e assim que foi encerrado, as dolls se dirigiram ao camarim. Chegando ao corredor do camarim, onde inúmeras pessoas (fotógrafos, dançarinos, produtores, maquiadores…) estavam, as dolls tiveram uma grande surpresa. Uma não, quatro: Lewis, Alex, Kenny e Leo aguardavam as suas respectivas namoradas ansiosamente. Cada um trazia em mãos um lindo buquê de flores. Para Kimberly isso realmente não era nada bom. Ver todas suas amigas recebendo rosas, dando beijos nos namorados e ela ali, sozinha. Sozinha não por que ela queria, mas porque o homem que ela achava ser o amor da sua vida era uma farsa.
- Vocês combinaram foi? – perguntou Nicole rindo.
- Inacreditavelmente não! – disse Lewis.
- Acho que todos nós tivemos a mesma idéia do Lewis. – disse Kenny sorrindo para Ashley.
- É. Verdade. E eu que achava que só eu que viria trazer umas flores pra Mel… – disse Alex meio envergonhado.
- Leo… Eu ainda nem acredito que você tá aqui! – disse Jessica super emocionada, agarrando o pescoço do namorado. – Você nem me avisou que já iria voltar do Egito…
- Exatamente!Foi uma surpresa. – disse ele beijando Jessica. – Aliás, falando em surpresas… – e Leo tirou do bolso do casaco um envelope e entregou a Kimberly.
- O que é isso, Leo? – perguntou a doll intrigada.
- Veja você mesma…
Assim que Kimberly leu o que estava dentro do envelope, se emocionou. Era uma carta do Daniel. Não era nada extenso, apenas algumas frases em poucas linhas.

Kimberly,
Sei que só somos amigos, mas estou com muita saudade de você.
Aqueles dias no Egito foram maravilhosos para mim, porque você estava lá.
Não me leve a mal ta? Amigos também sentem saudades um do outro né?
Eu estou quase terminando umas escavações e breve talvez volte para o Brasil, ainda não sei.
E você? Como está? Como vai o Gabriel? Espero que tudo esteja bem.
Um abraço carinhoso.
Daniel

Kimberly quase chorou quando terminou de ler.Nem ela mesma saberia explicar por que ficou tão emocionada com a carta.Se era por ele ter citado o Gabriel ou por saudades do Daniel.
- Kim?Tudo bem? – perguntou Melody.
- Sim, sim.
- O que foi? Quem te mandou isso? – perguntou Ashley curiosa.
- Daniel. De lá do Egito. – respondeu Kim tentando forçar um sorriso.
Agora que ela não estava mais com o Gabriel, tentava imaginar como seria se ela tivesse chegado no Egito e o Daniel a pedisse em namoro.De repente um arrependimento caiu sobre ela.
“Mas como eu poderia imaginar que ele (Gabriel) era um mau caráter? Se eu soubesse com quem eu estava lidando, teria ficado com o Daniel…” pensava a doll em meio a tantas outras idéias em sua cabeça.
Apesar disso tudo, no fundo, ela mesma achava que ainda gostava do Gabriel, mas não queria acreditar que isso era verdade. Gabriel era passado. Disso ela tinha certeza.
Em meio a tantos pensamentos em alguns segundos, Kimberly nem se deu conta de que ficara parada olhando para o nada.
- Kim?Você ta aí? – brincou Nicole rindo.
- Ah! Oi. – disfarçou ela agora que acabava de sair dos seus pensamentos.
- Gente, por que vocês não dão uma olhada no camarim? – sugeriu Leo.
- O que você ta escondendo aí?Mais surpresas? – perguntou Jessica espantada.
Assim que elas abriram a porta do grande camarim, se depararam com um homem de costas. Um homem alto, de cabelos castanhos, alguém que elas sabiam que conheciam.
Ouvindo o som da porta abrindo, ele se virou mostrando um lindo buquê de girassóis. Naquele momento, as dolls não souberam dizer o que era mais lindo: os girassóis ou o sorriso apaixonado e encantador do Daniel.
- Daniel? – disse Kimberly quase boquiaberta. Ela não estava acreditando que ele estava ali naquele momento.
- Oi, Kim. Pra você! – disse ele estendo o buquê para ela.
Kimberly correu na direção dele e lhe deu um abraço bem apertado.
- Gostou da surpresa? – perguntou ele ainda abraçando ela.
- Ainda nem acredito que você ta aqui… – ela segurava firme o buquê enquanto abraçava ele.
- Bom… – começou Lewis, interrompendo a cena. – Eu reservei um restaurante perto daqui. Vamos?
- Amor!Que ótimo! – disse Nicole beijando ele.
E os casais se dividiram para ir ao restaurante. Melody foi com o Alex. Ela adorava andar de moto com ele, principalmente porque podia ir bem agarradinha. Nicole foi com o Lewis; Ashley foi com o Kenny; Jessica, Leo, Daniel e Kimberly foram juntos no carro do Leo.
No restaurante, eles ficaram numa enorme mesa. Já tinham escolhido o prato principal e aguardavam enquanto comiam uns aperitivos.
- Dan… Você me emocionou muito viu? – disse Kim
- Que bom, Kim. Essa era a minha intenção. – disse ele sorrindo. – Quando o Leo me disse que vinha para cá pra fazer uma surpresa pra vocês eu quis vir com ele.
- E a carta?
- Foi um disfarce. Mas tudo ali é verdade. Eu já to terminando as escavações e acho que vou passar um tempo no Brasil.
- Hum…
- Mas então, como estão as coisas por aqui?
- Pra falar a verdade, não vão nada bem.
- O que houve?
- Eu descobri que o Gabriel é na verdade um ladrão de jóias e artefatos.
- Sério? Mas como…
- Ele se fez passar por um entregador de pizzas só pra poder tentar roubar a arca da gente. E ele conseguiu né?
- Meu Deus!Não to acreditando nisso… Como alguém pode ser tão mau a ponto de enganar o coração de outra pessoa?
- Pois é. Eu também não acreditei e nem queria acreditar nisso, mas foi o que aconteceu. E em pensar que ele sabe do nosso segredo…
- Ele sabe dos poderes? – perguntou Daniel assustado.
- Infelizmente sabe…
- Eu não vou deixar que ele faça mais nenhum mal a você e nem às meninas.
- Obrigada. – disse ela com os olhos brilhando. – Mas então… Você vai voltar pro Egito pra terminar as escavações?
- Vou ficar uns dias aqui em Nova Iorque. Leo disse que posso ficar no apartamento dele.
- Ótimo!A gente pode marcar pra sair…
- Claro, Kim.
- Olha… Sei que já falei isso, mas vou repetir: você me pegou de surpresa mesmo. As meninas sabem que eu estou tentando bancar a forte esses dias, mas a verdade é que eu ainda to muito abalada.Mas você hoje,me fez sentir muito bem.Acho que foram esses girassóis que me encheram de alegria e…
- O que?
- Ver você também me deixou muito feliz… – disse ela sorrindo.
Daniel corou na hora. Sentia seu corpo fervilhando de emoção. Não acreditava que a doll estava tão feliz em vê-lo. Apesar de ainda serem amigos, Daniel sentia que agora era uma nova chance de conquistar a doll.
O jantar foi maravilhoso para todos. Todos se deliciaram com a comida, conversaram muito, riram… Um excelente fim de noite, principalmente depois de um show tão lindo como aquele.
Nessa mesma noite, Gabriel teve uma surpresa ao consultar o rastreador e ver que Martha estava em… Nova Iorque!Ele checou diversas vezes para ver se estava errado, mas não. O rastreador estava realmente indicando que Martha e provavelmente Thomas, estariam em Nova Iorque. Mais precisamente no aeroporto. Deviam ter acabado de chegar.
Após um tempo, Martha chegou com Thomas em seus calcanhares. O coitado estava apinhado de malas e ela, apenas carregava uma bolsa (com a arca dentro). Gabriel teve que fingir o maior espanto quanto viu Martha entrar na sala. Ela não sabia que ele tinha posto um rastreador nela.
- Martha?Querida?O que houve? – disse ele fingindo estar assustado.
- Novos planos, querido. Novos planos… – disse ela sentando-se no sofá. – Thomas!Trate de levar minhas malas para o quarto. Agora!
- S-sim, senhora. – disse ele fazendo um sinal com as sobrancelhas para Gabriel assim que foi para o quarto de Martha.
- Gabriel, querido… – começou ela. – Agora eu acredito em você. Eu vi!Vi os poderes que a arca tem. E melhor, acho que fui eu que criei os quatro Elementais Negros. E agora, eles vão me ajudar a encontrar o tesouro.
- Ótimo! – disse Gabriel fingindo entusiasmo.
- Só que para conseguir isso, precisamos do Cristal de Etafa. O cristal que está com as Pussycat Dolls.
- Hum…
- E vai ser muito fácil conseguir esse maldito cristal. É só você ir lá e roubá-lo.
- Meu bem… Acho que não vai ser mais tão fácil quanto você pensa.
- Por quê?
- Aconteceram umas coisinhas…
- Diga logo!
- A Kimberly não conseguiu falar comigo desde que elas tinham voltado do Egito e aí ela foi me procurar na pizzaria e então descobriu que eu não trabalhava lá.
- Que idiota essa menina… E você obviamente mentiu mais uma vez não é?
- Não.
- Não?!
- Não, Martha. Ela me pegou de surpresa. Não consegui inventar nada na hora e terminei contando a verdade.
- A verdade? Você ficou maluco? O que você contou?
- A verdade. Que eu roubava jóias…
- Idiota!
- Desculpe, Martha…
- Imbecil!
- Eu não…
- Cale a boca! – ela deu um longo suspiro tentando se acalmar. Já estava de pé ao lado da janela. – Não acredito que você jogou todo o nosso plano por água a baixo.
- Já disse que o problema foi que eu fui pego de surpresa.
- Mas você foi idiota!Podia ter mentido…
- Eu não ia conseguir.
- Inútil!
- Pare de me ofender, Martha.
- Como posso parar de ofender você depois de tudo o que eu ouvi agora!Seu… Demente!
Houve um silêncio breve.
- Não acredito. – dizia ela com a mão na cabeça. – Meu plano… Arruinado!
- E não tem mesmo outro jeito de conseguir o tesouro sem ser com o cristal?
- Não. Só as Pussycat Dolls poderiam abrir o tal portal… Para nós podermos abrir sem elas, só com a ajuda do cristal.
- Hum…
- Não tenho mais idéia de como conseguir meu precioso tesouro.
- Seu só? Nós não íamos dividir?
- Sim, claro… – ela disfarçou na voz.
- Ah bom…
- Estou quase tendo um ataque cardíaco aqui e você nessa calma toda!Não te entendo.
- Marthinha, querida… Não adianta se estressar. Fique calma, você acabou de chegar de viagem. Quer um conselho?Vamos dormir e amanha a gente começa a resolver esse problema.
- É. Você tem razão, querido. Pode ir indo para o quarto. Eu vou tomar um banho e já vou.
Gabriel foi para o quarto, se trocou e deitou na cama a espera de Martha. Ele odiava aquilo tudo e só estava com ela esperando o momento certo para quando achassem o tesouro, ele roubar tudo para ele. Só que no fundo, depois de tudo o que tinha acontecido entre ele e Kimberly, Gabriel já nem sabia mais se queria esse tesouro ou não. Ele,por incrível que pareça,estava mais preocupado agora com a felicidade da doll. Ele sabia que a tinha magoado e queria desfazer isso ou pelo menos tentar contornar essa situação.
“Eu acho que já sei o que vou fazer… Vai ser uma boa tentativa de me reaproximar da Kim e das dolls e também vai ser uma boa forma de eu me desculpar por tudo o que eu fiz” pensava Gabriel olhando fixamente para o teto do quarto.
“Mas a Martha não pode saber disso, senão ela vai achar que eu estou querendo me reaproximar das dolls para roubar o cristal e eu não vou fazer isso, não vou!”

CAP.17 – O PACTO


CAP.17 – O PACTO

- Vocês ouviram tudo? – perguntou Kimberly.
- Sim. – disse Nicole.
- Kim, nós também estamos assustadas. – disse Jessica.
- Não acredito que esse sacana te traiu e ainda conseguiu roubar a arca! – disse Melody.
- Ele me enganou. Ele nunca iria me namorar se não fosse pela arca. – disse Kimberly quase chorando.
- Calma. Não pense nisso agora. – disse Jessica.
- Como ele pôde fazer isso com a gente?Traiu toda a nossa confiança! – disse Nicole.
- E eu achei que estava ficando maluca quando tive as visões dele no Egito… – disse Ashley. – Ele esteve mesmo lá.
- É, Ash… Você estava mesmo certa. – disse Kimberly. – Eu é que sempre estive errada. Sempre acreditando nele…
Ela começou a chorar. Já estava ficando com dor de cabeça.
- Kim. Você precisa é de um bom banho e de uma boa noite de sono. – disse Nicole.
- Mas eu ainda nem jantei e nem estou com sono… – disse a loura em meio a soluços.
- Tome um banho, deite e já, já eu levo um café pra você. – disse Nicole.
Assim que Kimberly entrou no quarto, as dolls desceram as escadas e foram para a cozinha preparar o café da Kimberly.
- Meninas, ainda não estou acreditando nisso tudo. – disse Melody.
- Coitada da Kim. Ela não merecia isso. – disse Jessica.
- E o pior é que ele agora sabe de nós… E se essa tal de Martha também já souber de tudo? – disse Nicole enquanto colocava uma água pra ferver.
- Agora que me dei conta! – disse Jessica. – Vou ligar para o Leo e avisar para ele nem perder mais tempo procurando a arca lá na pirâmide. Ele não vai encontrar nunca.
- É verdade. – disse Ashley.
- Foi impressão minha ou teve uma hora que ele abaixou a voz e disse algo a ela? – perguntou Nicole.
- Eu não ouvi nada… – disse Melody.
- Teve uma hora que ele começou a abaixar a voz sim, Nic. Agora que eu tô lembrando… Acho que ele falou algo sobre a arca, só que foi tão baixo que não deu pra escutar. Só perguntando à Kim o que foi. – disse Ashley.
- É. Só que nós só podemos perguntar a ela depois. De preferência, amanhã. – disse Jessica.
- É. Hoje ela não está mais com condições de falar nada sobre esse… Desgraçado! – disse Melody.
Após arrumarem uma bonita bandeja com café e torradas para Kimberly, as dolls ficaram na dúvida se iam juntas levar ou não.
- Vai você, Nic. – disse Melody.
- Acho melhor ir a Jessica ou a Ashley. Afinal, vocês conversam mais com ela. – disse Nicole.
- Eu até poderia ir, mas tenho medo de ela começar a se culpar por não ter acreditado nas minhas visões… – disse Ashley. – Não quero magoá-la mais.
- Então eu vou. Sem problemas. – disse Jessica pegando a bandeja e indo em direção ao quarto de Kimberly.
Assim que entrou, Jessica viu Kimberly olhando tristemente para o teto do quarto. Ela estava deitada e toda enrolada no edredom.
- Kim, aqui está seu café. Como você gosta… – disse Jessica pondo a bandeja num banquinho do lado da cama.
- Não sei se vou conseguir comer… – disse Kimberly se levantando e sentando na cama.
- Vamos, Kim. Faça uma forcinha…
- Como ele pode ter me enganado… E eu acreditei… Meu Deus!
- Kim, pare de pensar nele pelo menos até você dormir. Amanhã a gente pode resolver isso direito. Podemos entrar em contato com ele e pedir pra ele contar tudo que sabe.
- Não, Jess. Não quero mais ver ele!Ele é um traidor, ele me usou!
- Eu sei, Kim. E isso deve ta sendo difícil pra você. Sinto muito.
E Jessica ficou ali por mais um tempo, esperando Kimberly terminar o café. Depois, desceu e foi tomar café com as outras.
- Ela está inconsolável… – disse Jessica.
- Coitada… – disse Nicole.
- Eu até disse a ela que nós poderíamos entrar em contato com o Gabriel depois pra tentar descobrir mais coisas… Mas ela disse que não quer mais ver ele. – disse Jessica.
- Também… Depois de uma revelação dessas… – disse Melody.
- Mas a Kim vai ter que encarar essa barra, pois nós teremos que falar com ele depois. Se ele sabe de tudo e é cúmplice da tal Martha, nós podemos oferecer dinheiro ou sei lá o que a ele e em troca quem sabe, ele pode ficar do nosso lado. – disse Nicole.
- Uma boa idéia, Nic, apesar de eu saber que a Kimberly não vai concordar com isso… – disse Ashley.
- Ela falou algo sobre aquilo que ele disse mais baixo? – perguntou Melody.
- Não. – disse Jessica. – E eu fiquei com receio de perguntar e ela se irritar ou ficar mais triste, sei lá…
- Você fez bem! – disse Nicole.
No dia seguinte, logo pela manhã, Thomas acordou e foi logo ver se sua “adorada” Martha precisava de alguma coisa. Ele bateu umas três vezes à porta, mas ela não respondeu. Thomas então resolveu ir até a recepção do hotel perguntar por Martha.
- A senhora do quarto 254 saiu muito cedo do hotel. – disse a recepcionista à Thomas.
- Como? – ele tremeu na hora. – Ela foi embora?
- Não, senhor. Ela não fechou as despesas com o hotel, então, ainda está hospedada aqui.
- Sei… Então ela saiu muito cedo foi?
- Sim, senhor.
- Você sabe dizer se ela estava carregando algo?
- Bom, acho que ela carregava uma grande bolsa…
- O-obrigado! – e dizendo isso, Thomas subiu correndo para o seu quarto e foi ligar para Gabriel.
- Alô?Gabriel?
- Thomas?O que foi?
- Acho que a Martha fugiu com a arca!
- Ah não!
- O estranho é que a recepcionista disse que ela saiu com uma bolsa e tal, só que ela não encerrou as contas com o hotel.
- Então ela não fugiu!
- Será?
- Calma, Thomas. Espere um pouco. Vou verificar o rastreador e ver onde ela está.
Após alguns segundos, Gabriel concluiu pelo rastreador, que Martha ainda estava no Egito.
- Ela ainda está aí, sim!Você se lembra do dia que a gente foi até aquela pirâmide né? Pegue um táxi e vá pra lá. Pode ser que a Martha esteja lá com a arca.
- O.K.
Fazendo o que Gabriel pediu, Thomas dentro de alguns instantes logo estava na pirâmide onde as dolls perderam a arca. Ele foi entrando devagar e silenciosamente e assim que chegou mais perto, avistou Martha assim como no outro dia: ela estava no centro da tumba e ao seu redor, quatro seres estranhos. Só que desta vez, Thomas conseguia entender o que eles falavam, já que tanto Martha como os outros estavam falando normal.
- Então o Gabriel estava certo quando falou de poderes… – disse ela para si mesma. – Então, se eu os criei quem são vocês?
O homem com o capuz vermelho incandescente deu um passo a frente de Martha, fez uma reverência a ela e começou a falar:
- Somos os Quatro Elementais Negros. Estávamos adormecidos há bastante tempo, desde que o Egito foi invadido pelos hicsos. Sou o Sol Negro e tenho o poder do fogo. – disse ele criando uma imensa bola de fogo nas mãos e em seguida fazendo a desaparecer.
- Inacreditável. – disse Martha com um enorme sorriso maléfico. – Perfeito.
– E estes são… Dama Perdida e seu poder é a Água. – continuou ele. A mulher de cor azul-arroxeada deu um passo a frente e fez uma reverência a Martha.
- Senhora da Árvore e seu poder, Terra. – desta vez, a outra mulher que tinha uma cor verde-acinzentada se curvou para Martha.
- E finalmente, o Barbalo Negro, que comanda o Ar. – o homem negro como a noite também se curvou para Martha.
- Fantástico!Eu só não entendi ainda porque fui escolhida para…
- Você é a alma negra! – disse Sol Negro. – Você conseguiu nos invocar e não foi a toa. Certamente você devia ter uma ambição muito forte para isso.
- Eu quis abrir a arca para ver se o cristal estava dentro e também tentar descobrir onde está o tesouro. – disse Martha.
- O cristal não está mais na arca. Ele já está em outras mãos… – disse Dama Perdida.
- O que significa que os poderes Elementais do Bem já estão sendo usados. – disse Senhora da Árvore.
- Então só podem ser elas… As Pussycat Dolls! – disse Martha arregalando os olhos. – Elas estão com o cristal!
- O Cristal de Etafa só concede os poderes Elementais. O tesouro não está propriamente ligado a ele. – disse Barbalo Negro.
- Não? – perguntou Martha sem entender.
- Não. Para você conseguir o tesouro, é preciso que os Elementais combinem seus poderes com o quinto elemento e juntos, abram o portal para a sala do tesouro. – disse Sol Negro.
- Então vamos combinar nossos poderes!É só isso? – disse Martha ansiosa.
- Não. Nós não temos esse poder. Somos Elementais do Mal. Somente os do Bem conseguem abrir o portal. – disse Senhora da Árvore.
Thomas via e ouvia àquilo tudo e estava perplexo.
- E não há outro jeito de chegar ao tesouro sem ser com os poderes dos Elementais do Bem? – perguntou Martha.
- Só há um jeito. – disse Dama Perdida com seu olhar obscuro pairando sobre Martha. – Se tivermos o Cristal de Etafa sob nosso poder.
- Perfeito! – disse Martha rindo. – Então vai ser fácil, fácil. É só eu mandar o Gabriel se infiltrar na casa das dolls e roubar o cristal.
- Mas tem uma coisa que você não sabe… – começou Barbalo Negro.
- O que é? – disse Martha meio invocada.
- Se nós ficarmos em poder do cristal, você terá que aceitar uma condição. – disse ele maléfico.
- Qual? – disse Martha impacientemente.
- Queremos a destruição do mundo. Queremos um novo mundo, onde só os maus sobreviverão e nós quatro, governaremos. – continuou o Barbalo.
- Quer dizer que então eu não governaria o tal mundo novo com vocês? – disse Martha com desdém. - Mas eu ficaria com todo o tesouro então não é?
- Sim. – os quatro responderam numa só voz.
- Combinado. – disse Martha rindo diabolicamente.
E em seguida selaram o pacto. Cada um estendeu o braço a frente e foi colocando uma mão uma em cima da outra.
- Agora podem voltar. – disse Martha abrindo a arca.
Os quatro Elementais negros se transformaram numa grande luz negra e adentraram a arca. Martha a fechou em seguida e a guardou na grande bolsa. Depois disso, foi caminhando em direção a saída da pirâmide. Thomas saiu correndo dali antes que ela o visse e se escondeu dela.
Enquanto isso, em Nova Iorque, as dolls se preparavam para um show que teriam que fazer dali a dois dias. Só que na hora do ensaio, Kimberly não apareceu na sala de dança, que ficava nos fundos da casa.
- Ah!Droga!Errei de novo. – resmungou Melody. – Eu não consigo fazer essa parte direito sem a Kim.
- Eu sei Mel. Esses passos são mais complicados e eles nos deixam dependentes umas das outras. – disse Nic desligando o som. – Mas a Kim ainda está muito mal com tudo o que aconteceu e ela não vai querer mesmo ensaiar hoje.
- Mas o show já é depois de amanhã. Ela tem que ensaiar. – disse Ashley.
- É. Se não na hora vai dar tudo errado. – disse Jessica.
As dolls se sentaram no chão bastante desanimadas.
- Meninas?Que caras são essas? – disse Kimberly entrando na sala.
- Kim? – exclamaram as outras em coro.
- Qual é o espanto? – perguntou ela rindo.
- É você mesmo? – disse Melody intrigada.
- Tá certo. Eu não vou mentir pra vocês. Ainda estou muito abalada com tudo isso que aconteceu, mas eu to tentando bancar a forte aqui. – começou Kimberly.
- Muito bem, amiga!É assim que se fala! – disse Jessica.
- Eu andei pensando muito nessas últimas horas e acho que eu tenho que seguir minha vida normalmente né?Quer dizer, não tão normal assim, já que eu posso ficar invisível e comandar o ar… – disse Kimberly sorrindo.
- É isso mesmo, Kim. – disse Nic abraçando ela. – É assim que se tem que fazer.
- Kim, sem querer ser chata e inconveniente, mas já sendo… Você vai conseguir esquecer o Gabriel assim tão rápido? Sei lá… Você gostava tanto dele e… – disse Melody, mas foi interrompida por Jessica que deu uma pisadela no seu pé, fazendo a baby doll ver estrelas.
- Ai! – resmungou Melody e Jessica olhou feio para ela.
- Tudo bem, Mel. Sei que vai ser difícil esquecer ele… Mas, vou conseguir sim. Tenho fé nisso. O pior de tudo é que acho que ainda gosto muito dele. Mas talvez eu ainda seja apaixonada pelo Gabriel que entregava pizzas e não pelo Gabriel que rouba arcas…
Houve uma pequena pausa. Todas ficaram em silêncio na hora.
- Chega de conversa então. Vamos ensaiar. – disse Ashley.

CAP.16 – DESCOBERTAS E FRUSTRAÇÕES

CAP.16 – DESCOBERTAS E FRUSTRAÇÕES

No dia seguinte, Martha acordou com uma enxaqueca horrível. A dor de cabeça foi tanta que a megera terminou dormindo de novo. Gabriel já tinha se despedido de Thomas. Ele resolveu ir logo para o aeroporto, mesmo que só fosse viajar pela tarde. Ali estaria mais seguro de Martha. Ele já havia comprado a passagem para as duas horas da tarde e ainda eram oito da manhã.
Gabriel não pôde voltar para Nova Iorque no dia anterior e como Kimberly não conseguia falar com ele, ela estava bastante preocupada. Logo pela manhã, a loura foi pedir ajuda a Ashley.
- Ash… Faz uma premonição pra mim vai… Por favor. – pedia Kim.
- Kim. Eu não sei como controlar isso, mas acho que se você me der o bracelete de novo, quem sabe eu não tenho uma visão né?
- Hum… É verdade. Toma. – a doll deu o bracelete para Ashley.
Ashley segurou o bracelete e fechou os olhos. Ela então começou a ver nitidamente Gabriel sentado e lendo uma revista… No aeroporto do Egito. Ashley acordou tão assustada da sua visão que de suas mãos saíram jatos d’água que rapidamente encharcaram o bracelete.
- Hei!Você molhou meu bracelete todo! – gritou Kimberly.
- Desculpa, Kim. Nossa!Eu lancei água com as mãos. Nem acredito! – disse Ashley vibrando.
- Que poder mais… Molhado esse seu! – brincou Kimberly enxugando o bracelete na blusa. – E então?Viu alguma coisa?
- Eu… eu…Não… – mentiu Ash.
- Tem certeza?
- É… Se eu falasse você não iria acreditar mesmo…
- O que você viu?
- Vi ele… No aeroporto do Egito!Eu sei, eu sei… É impossível.
- Você só pode ta brincando. Primeiro você disse que viu ele no Egito e agora, no aeroporto. Ash… Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira, Kim!Foi a minha visão…
- E se for uma visão de um futuro bem distante e não do presente? – insistiu Kim.
- É… Pode ser né? – disfarçou Ashley. – Você já procurou o Gabriel?
- Não. Não consigo falar com ele desde ontem…
- Nossa!Já foi no trabalho dele?
- Não. Ele me disse que não era pra eu procurar ele no trabalho porque o chefe odiava que os funcionários recebessem visitas em horário de expediente.
- Ah… Mas é por uma boa causa. E além do mais, você é uma Pussycat Doll! O chefe não vai reclamar, vai aceitar na boa.
- É. Você tem razão. Vou lá.
Kimberly pegou a bolsa, deu mais uma ajeitada no cabelo e saiu para ir à pizzaria que (falsamente) Gabriel trabalhava.
Chegando a pizzaria, ela foi logo falar com o gerente que imediatamente quis tirar foto com ela e pediu autógrafos para as filhas.
- Meu Deus!Minhas meninas são fãs das Pussycat Dolls!Se elas estivessem aqui agora… – disse o gerente quase pulando de alegria.
- É uma pena elas não estarem aqui. – disse Kimberly sorrindo.
- Mas então?O que traz essa minha cliente especial aqui?
- Na verdade, vim saber se o senhor tem notícias do Gabriel.
- Quem?
- Gabriel Cortez. Seu funcionário… Entregador de pizzas.
- Desculpe, Kimberly, mas aqui não tem nenhum Gabriel.
- Impossível, senhor. Deve ter se enganado. Gabriel, um rapaz alto… Que trabalha aqui já há uns anos.
- Não, moça. É sério. Se tem uma coisa que eu não esqueço é o nome dos meus funcionários. Então lhe digo com total certeza: nenhum Gabriel trabalhou comigo, nem mesmo temporariamente. Você deve ter se enganado.
- Engraçado. Achei que era aqui que ele trabalhava. Será que ele não trabalha então em outra filial dessa pizzaria?Vocês têm filiais em vários pontos né?
- Sim. Posso consultar pra você.
O homem digitou no computador o nome “Gabriel” e foi encontrada a foto de um funcionário velho e careca. Um zelador de outra filial da pizzaria.
- É esse?Não né? – disse o gerente rindo.
- Não! – disse ela espantada.
- Então você deve ter se enganado com o nome do rapaz… Mas me diga. Era alguma queixa dele ou do atendimento?Algo do tipo?
- Não… Não foi nada… tu-tudo bem então.Devo ter me enganado mesmo. – disse ela fingindo. Ela estava em choque, paralisada.
Se despediu do gerente da pizzaria e foi diretamente para casa.No caminho, Kimberly se controlou para não bater o carro. Estava chorando descontroladamente. Gabriel não trabalhava naquela pizzaria. Quem era ele então?Era o que ela se perguntava. E em meio a esses pensamentos, ela já começava a acreditar que talvez as visões da Ashley estivessem certíssimas. Kimberly chegou em casa batendo a porta com a maior força quando entrou.
- Kim? – disse Jessica saindo da cozinha com um copo d’água na mão. – O que foi?
Ela não respondeu e foi subindo correndo as escadas. Jessica não entendeu nada.
Kimberly foi logo ao quarto da Ashley e chorando, começou a dizer:
- Ash…
- Que foi, Kim? – disse a doll se levantando da cama e indo até a porta do quarto.
- Ele… Ele mentiu pra mim…
- Gabriel?
Kimberly concordou que sim com a cabeça enquanto chorava.
- Deixa eu fechar a porta aqui. – e dizendo isso, Ashley trancou a porta para poder conversar melhor com a amiga.
As duas sentaram na cama. Kimberly estava com as mãos tremendo.
- Kim, tenta se acalmar e me conta tudo.
Ela deu um longo suspiro e enxugando as lágrimas, começou:
- Eu… Fui até a pizzaria que ele disse que trabalha e perguntei ao gerente sobre ele.
- Continue…
- Só que o gerente disse que… – seus olhos começaram a lacrimejar de novo. – Disse que lá nunca trabalhou nenhum Gabriel. Ele até consultou nas filiais da pizzaria, mas não foi encontrado nada sobre o Gabriel.
- Meu Deus! – disse Ashley levando a mão à boca.
- É. Eu fui enganada. – dizia Kimberly chorando. – Não acredito que logo quando achei que tinha encontrado o cara certo…
- Calma, Kim. Você tem que conversar com ele. Tem que ver essa historia direito. Venha. Vamos descer. Vou fazer um chá pra você.
- Não. Não quero.
- Quer sim. Vamos.
E as duas desceram para a cozinha. Jessica ainda estava lá e continuava sem entender, ainda mais agora que viu Kimberly chorando.
- Kim?O que foi? – perguntou Jessica assustada com a reação dela.
- Jess… Depois a Kimberly explica ta?Não leve a mal… – disse Ashley calmamente.
- Tudo bem então. Olha, vou subir. Qualquer coisa podem me chamar. – disse Jessica saindo da cozinha.
Enquanto Ashley ia preparando o chá, as duas iam conversando.
- Isso só pode ser um pesadelo…
- Kim, não adianta se precipitar tanto assim.
- Mas… É que tudo se encaixa agora. Primeiro você teve visões do Gabriel no Egito e depois no aeroporto, e agora eu descubro que ele não é um entregador de pizzas.
- Só agora que você foi acreditar nas minhas visões né?
- Desculpa, Ash. Eu devo ter te magoado né?
- Sim.
- Você me desculpa então?
- Claro que te desculpo, Kim. Não foi culpa sua estar acreditando nele…
As horas voaram. Por volta das três da tarde Martha acordou. A enxaqueca tinha melhorado.
- Thomaasss! – gritava ela sem parar quando olhou as horas.
O coitado ouviu os gritos dela do fim do corredor e foi correndo ver o que era.
- Sim, madame?– disse ele entrando. Ela já havia deixado a porta aberta assim que começou a gritar.
- Que horas são? – ela perguntava como se fosse engolir Thomas.
- São quase três da tarde. – disse ele verificando o relógio.
- Como ousa me deixar dormir até essa hora?
- Mas a senhora não pediu pra…
- Não interessa!Você colocou alguma coisa na minha bebida ontem?
- Não, senhora!Jamais faria isso e…
- Colocou sim! – ela fez uma cara diabólica.
- Não coloquei! – disse Thomas alteando a voz.
- Não me responda nesse tom!
- Desculpe. – disse ele abaixando a cabeça.
- Então você não colocou nada na minha bebida ontem né?E o que aconteceu mesmo então?
- Acho que a senhora… Bebeu demais… Só isso e…
- Como ousa dizer isso de mim?Seu inútil!Dê o fora daqui agora mesmo!
E ele saiu do quarto dela. Thomas odiava trabalhar para ela. Ele já tinha quase quarenta anos, mas aparentava ter mais. Teve uma vida bastante sofrida e isso o desgastou muito. Ele só continuava trabalhando para Martha porque ela tinha o ajudado numa época difícil e terminou acumulando essa dívida com ela. Época em que Martha era casada com um homem muito rico, mas logo em seguida, ele morreu. Ela então herdou a herança do marido, só que gastou tudo em jóias, o que a deixou quase na miséria. Foi então que Martha resolveu entrar para a máfia, roubando artefatos e jóias para revender a preços altíssimos. E foi num desses roubos, que ela conheceu Gabriel, que nessa época trabalhava sozinho. Desde esse tempo, Thomas passou de motorista (do falecido marido de Martha) para uma espécie de escravo de Martha.
Só porque ela emprestou uma quantia em dinheiro para ele e ele nunca conseguiu pagar, ela o obrigava até hoje a trabalhar para ela. Thomas tinha pedido a quantia para tentar pagar uma consulta para a esposa, que estava muito doente. O maior sonho dele era se livrar da megera, voltar para sua casa e viver com sua esposa. Gabriel também tinha o sonho de se livrar de Martha, mas para isso, queria antes passar a perna nela e lhe roubar todo o dinheiro. Ele não agüentava mais fingir que gostava dela, apesar de ela notar o verdadeiro interesse dele. Martha deveria ter seus cinqüenta e poucos anos e Gabriel, vinte e oito anos.
Por volta das seis da tarde, Kimberly já estava mais calma e tinha conversado com as outras meninas sobre tudo que ela descobriu. Agora ela estava no sofá da sala, deitada, não dormia, mas tentava relaxar. De repente a campainha tocou.
Kimberly foi atender. Um susto: era ele… Gabriel.
A doll ficou paralisada, totalmente sem ação, boquiaberta…
- Oi, amor. – disse ele entrando na casa e beijando-lhe a boca.
Ela continuou parada e o que mais intrigava ela é que ele estava vestido naquele momento com o uniforme da pizzaria.
- Kim?Por que você está assim?O que foi, meu amor?
- “Meu amor”? Não me chame assim! – disse ela com a voz segura, mas meio trêmula.
- O que foi, Kim?
- Como você pode ser tão… Tão cínico, Gabriel?
- Não estou entendendo… Vim aqui por que você já tinha chegado de viagem e você ta assim comigo…
- Quem não está entendendo nada sou eu! – disse ela prendendo o choro e quase gritando.
As dolls ouviram os gritos de cima, mas acharam melhor não descer para interromper. Quem deveria resolver aquela situação era ela própria.
- Você mentiu pra mim. – disse ela tentando segurar o choro e respirando profundamente.
Ele não disse nada.
- Eu fui até seu trabalho procurar você ontem. O gerente disse que nenhum Gabriel trabalhou lá. Nenhum!E nem nas filias!
- Kim, eu posso explicar…
- Acho bom mesmo, Gabriel… Se é que é esse seu verdadeiro nome não é?
- Olha… – ele estava atordoado. Não sabia o que dizer. Não sabia se mentia mais ou se contava a verdade. Pensou em dizer que era um paparazzi disfarçado, mas achou que não estava mais preparado para enganar a doll e resolveu por fim,abrir o jogo. – Eu… Eu não sou mesmo um entregador de pizzas.
- Sim, isso eu já sei! – dizia ela impacientemente, mas ao mesmo tempo triste em ouvir da boca dele que aquilo tudo era verdade.
- Como vou explicar? – dizia ele com as mãos na cabeça. – Eu… Trabalho para uma mulher e…Nós roubamos artefatos antigos para revender.
Kimberly olhava indignada para ele. Não agüentou e deixou algumas lágrimas caírem dos olhos.
- E eu… Me disfarcei de entregador de pizzas para tentar roubar a arca de vocês. – dizia Gabriel de uma vez só. Nem ele acreditava que tinha contado tudo.
- Então… Você só me namorou pra… Roubar a arca? – Kimberly sentia uma dor muito forte no coração. – Que horror!
- Calma, Kimberly.
- Então… Foi você que roubou a arca?E nós achamos que tinha sumido… Então… Você estava mesmo no Egito! – ela ia falando o que pensava na hora. Os fatos foram ligados e realmente ela pôde confirmar que as visões da Ashley estavam certas.
- Na verdade, foi a Martha que achou a arca… Foi depois do desabamento que ocorreu na pirâmide.
- Então a arca está com vocês!Nós precisamos da arca de volta…
- Entendo, só que a arca está com a Martha agora. E eu espero que ela não fuja com a arca.
Kimberly nem acreditava naquilo. O homem que ela achava que era o maior amor da sua vida, era na verdade um ladrão de artefatos e jóias.
- Agora Kimberly,como sei que esta é a última vez que nos veremos,quero contar algo que você não sabe…
- Acho que não quero ouvir mais nada que venha de você, Gabriel.
- Eu vou dizer mesmo assim. – disse ele abaixando a voz, quase sussurrando - Quando a Martha abriu a arca, uma luz negra saiu de dentro e tomou Martha. Em seguida, ela começou a falar em outra língua, acho que em egípcio. E depois surgiram quatro pessoas muito estranhas do chão. E cada um tinha… – mas antes que ele completasse seu comentário, Kimberly gritou de uma vez só:
- Vá embora!Saia daqui!
- Deixe eu continuar!
- Não!Não quero mais ver você!Vá embora! – e enquanto dizia isso, ela agitava violentamente as mãos, o que graças ao seu poder Elemental, terminou causando uma enorme ventania na direção dele, que o arrastou até o lado de fora da casa.
Ela fechou a porta e subiu as escadas correndo. As dolls estavam no corredor esperando ela subir.

CAP.15 – EGITO X NOVA IORQUE


CAP.15 – EGITO X NOVA IORQUE

Chega enfim o último dia das dolls no Egito. Elas nem queriam acreditar que no dia seguinte teriam que voltar pra casa e sem a arca. Apesar de Leo deixar bem claro que ele ficaria mais uns dias tentando localizar a arca, elas ainda não se perdoavam por ter perdido a arca. Mas a sensação maior de culpa era da Nic, já que foi nas mãos dela que a arca estava na hora do desabamento.
Já era de tarde e as dolls se juntaram com os arqueólogos e saíram pra passear. Como elas já tinham ido ao restaurante no dia anterior, desta vez, decidiram ir a um lugar diferente. Eles se dividiram em dois carros e foram para um lugar mais distante do que o normal. Eles foram visitar um importante museu que Leo tinha recomendado. Chegando lá, como tinham demorado pra chegar, o museu já estava fechado, mas mesmo assim, eles ficaram na sacada do lado de fora do museu. De lá, uma vista maravilhosa era apreciada. Eles podiam ver as pirâmides bem distantes e agora que anoitecia tudo se tornava mais mágico, principalmente as estrelas que começavam a aparecer no céu e a cidade, que ia se iluminando à medida que escurecia.
Dos onze que ali estavam apenas sete sabiam do grande segredo. Coincidentemente (ou não) Daniel estava bem ao lado de Kimberly enquanto todos estavam ali apreciando a vista. Todos ficaram calados, só se ouvia a respiração de cada um. Em meio a esse momento, Kimberly nem se deu conta, mas sua mão e a de Daniel estavam se tocando. O silêncio e o clima só foi quebrado quando Sandrine abriu a boca:
- E então?O próximo cd vai ser todo com tema egípcio?
- Como? – perguntou Nicole sem se lembrar na hora que essa era a desculpa que tinham dado.
- O cd, Nic… – continuou Sandrine.
- Ah… – fingiu Nicole já se lembrando de tudo. – É… Sim.
- “Sim” o que? – insistiu ela.
- Pegamos algumas inspirações egípcias sim… – disse NIc.
- Ah! E como… – brincou Melody. – E bote inspiração nisso!
Todos riram na hora.
- Puxa… É uma pena que vocês já tenham que voltar amanhã. – disse Michael.
- É verdade. Elas nem ficaram tanto tempo assim aqui. Nem deu pra conhecer direito os outros lugares. – disse Richard.
- Quem sabe a gente não volta outra vez? – disse Jessica sorrindo para Leo.
- É… Podemos voltar mesmo… – disse Ashley pensativa.
- Sabe… Espero que a gente se encontre mais vezes. – disse Kimberly para Daniel.
- Eu também espero. – disse ele olhando fixamente para ela.
- Ele é lindo não é? – disse Vanessa se intrometendo entre Kim e Daniel.
- É… Ele é muito bonito sim… – disse Kimberly meio envergonhada por Vanessa estar perguntando o que ela achava de Daniel e logo na frente dele.
- Pois é. Me apaixonei desde a primeira vez que vi…ai,ai… – continuou Vanessa.
Kimberly olhou para Daniel meio confusa.Ele também não estava entendendo nada.
- Ai, ai… Eu sou apaixonada pelo Egito. Amo, amo muito.
Certamente Kimberly não estava pensando na mesma coisa que Vanessa.
Kim e Daniel se olharam e prenderam o riso.
E os onze ficaram ali por mais um tempo admirando as estrelas lindas daquela última noite no Egito.
No dia seguinte, logo cedo, as dolls já estavam saindo do hotel e indo para o aeroporto. Todos os arqueólogos foram levá-las ao aeroporto, menos Daniel.
- O que será que ele teve? – perguntou Kimberly sem entender.
- Nada. O Daniel não gosta muito de despedidas… – comentou Sandrine.
- Meninas, o vôo já vai sair! – informou Leo.
Jessica deu um beijo demorado nele e disse meio triste:
- Não demora muito ta?Vou sentir muita falta…
- Só vou ficar mais alguns dias pra procurar… – disse ele abaixando a voz para nem terminar de completar a frase e evitar que alguém perguntasse a respeito.
- Claro, claro…
Em seguida,as dolls pegaram o vôo e mais umas horas depois já estavam quase chegando em casa.
- Nossa!Acho que eu tava com saudade dessa rua… – disse Melody rindo.
- Mel!Só foram alguns dias fora… – disse Ashley amontoada de malas.
- Pois é… Alguns dias… E tantas malas né? – disse a baby doll rindo.
Nem Ashley agüentou com o comentário bobo de Melody e caiu na risada.
Ainda no Egito,Martha,Gabriel e Thomas acompanhavam pelo computador,que Kimberly estava em Nova Iorque.
- Então elas já foram mesmo embora… – comentou Martha intrigada.
- O que elas fariam aqui?Se a arca… – disse Gabriel pensativo.
- Volte para Nova Iorque! – ordenou Martha.
- Mas e você?
- Eu vou ficar aqui com o Thomas. Você volta para entrar em ação…
- O que você quer que eu faça agora?
- Nada… Apenas continue sendo o mesmo motoboy de sempre.
- E por que você não vem comigo?
- Não lhe interessa!Vou ficar aqui mais alguns dias… Breve eu retorno.
- Martha… Se você sumir com a arca… Eu juro que eu te…
- O que, querido? – disse ela com uma falsa voz doce.
- Nada.
- Assim que eu gosto… – sorriu ela diabolicamente.
- Quando eu devo voltar para Nova Iorque?
- O mais rápido possível!Se der, volte logo hoje ou amanhã.
Em Nova Iorque, as dolls estavam cansadas da viagem. Nesse momento estavam sentadas na sala.
- Ainda nem acredito que perdemos a arca… – disse Nicole angustiada.
- Ah Nic! Esquece isso… – disse Kimberly.
- Não dá pra esquecer. – disse Nic.
- Pelo menos ainda temos o Cristal de Etafa e nossos poderes elementais. – disse Jessica tentando animar a situação.
- Nic, tem certeza que ninguém te viu usando esse cristal lá? – perguntou Ashley.
- Sim. Tirando o Daniel e o Leo, claro, ninguém mais viu. Quando eu o usava, eu geralmente colocava por dentro da blusa para não chamar atenção de ninguém. – disse ela.
- É verdade. – comentou Melody.
- Então quer dizer que agora temos duas pessoas que sabem do nosso segredo. O Daniel e o Leo. – disse Jessica.
- Duas não!Três! – disse Ashley. – O Gabriel… Lembram?
- Ah é verdade. Tinha me esquecido que nossa querida Kimberly tinha contado tudo a ele. – disse Melody de cara feia.
- Eu já me desculpei! – disse Kimberly.
- Tudo bem, Kim. – disse Jessica.
- Acho que vou contar pro Alex… E você, Nic?Por que não conta logo pro Lewis. E você pro Kenny, Ash! – disse Melody provocante.
- Mel!Pára!Nem pense nisso!Não vamos espalhar esse segredo para mais ninguém por enquanto. – disse Nicole.
Kimberly saiu da sala e ia subindo as escadas.
- Kim!Venha!Não ligue pro que a Mel disse… – disse Jessica fazendo uma cara feia para Melody.
- Não foi nada, Jessi. Só vou ligar para o Gabriel… – disse ela enquanto subia as escadas.
-Ah… Tudo bem então. – disse Jessica.
Assim que entrou no seu quarto, Kimberly pegou o telefone e discou o número de Gabriel. O celular estava dando fora de área.
- Que estranho. – disse ela pra si mesma. – Fora de área?Como assim?
Kimberly ficou bastante intrigada e passou o resto do dia tentando ligar para ele. Já era quase noite. Mal ela sabia que seu querido (e falso) namorado estava no Egito a uma hora daquelas.
Gabriel conversava seriamente com Thomas no quarto.
- Thomas, fique alerta com a Martha. Se você sentir que ela ta querendo fugir, dê um jeito de pegar a arca e esconder.
- Mas senhor…
- Faça isso!Tanto você quanto eu sabemos que a Martha não é flor que se cheire. Ela não vale nada.
- Sim… É verdade. – e ele riu. Thomas estava tão feliz de poder estar ouvindo aquilo da Martha. Ele a odiava. – Ela é o diabo!
- Exatamente. – Gabriel riu. – Por isso, fique alerta. Se ela falar alguma coisa pra você que dê a entender que ela vai fugir…
- Eu pego a arca!
- Muito bem!
- Agora… Senhor…
- Me chame de Gabriel, Thomas… Não precisamos mais dessa formalidade toda.
- Gabriel… O senhor,digo,você vai voltar ainda hoje para Nova Iorque?
- Não. Na verdade, talvez volte amanhã pela tarde. Mas, você vai dizer a Martha que eu já fui embora hoje mesmo.
- Sim. Mas por que isso?
- Eu pretendo colocar um rastreador na arca ou em algum objeto da Martha hoje à noite quando ela estiver dormindo. Então ficarei escondido aqui no quarto e quando ela perguntar, diga que já viajei.
- Acho que não estou entendendo direito.
- Calma. É simples. Vou colocar esse rastreador porque se a megera resolver fugir podemos localizá-la.
- Hum… Entendi. Mas por que você vai fingir que já viajou.
- Por que certamente ela vai querer que você faça alguma coisa na minha ausência.Então…você poderá me contar tudo.
- Que confuso…
- Vamos colocar nosso plano em ação?Dê mais uns dez minutos e vá ao quarto dela.
- Tudo bem.
Após um tempo, como combinado, Thomas foi ao quarto de Martha e bateu três vezes à porta.
- Quem é? – gritou ela de dentro do quarto.
- Sou eu, madame.
- Entre, idiota!A porta está destrancada.
Assim que Thomas entrou, Martha fez logo a mesma cara desconfiada de sempre e perguntou:
- O que você quer?
- Vim avisar à senhora que o senhor Gabriel já partiu. Já tem quase uma hora que ele saiu do hotel.
- Ótimo!Mas… Estranho… Ele nem veio se despedir de mim?Mas… Tudo bem. Pode ir. Saia daqui.
Quando Thomas ia abrindo a porta para sair do quarto dela, ela falou:
- Thomas, querido… Vou lhe fazer um agrado hoje… Você vai jantar comigo!
- O-obrigado, senhora.
- Desça imediatamente e reserve uma boa mesa para nós.
- Sim, senhora. – e dizendo isso ele saiu do quarto dela e correu para ir ao outro quarto em que Gabriel estava.
- Gabriel! – disse Thomas arfando.
- Que foi? Você ta bem?
- S-sim. Já menti pra ela dizendo que você viajou.
- Certo. Algo mais?
- Ela quer que eu jante com ela hoje e que é pra eu ir reservar a mesa agora mesmo.
- Então vou ter a oportunidade de colocar esse rastreador quando vocês estiverem no restaurante do hotel.
- Sim.
- Perfeito.
- Como você vai entrar no quarto dela?
- Eu consegui a cópia da chave com o gerente do hotel. Foi um sacrifício…
Logo em seguida Thomas desceu para o restaurante, reservou a mesa e dentro de uma hora já estava jantando com a megera.
- Sabe por que eu chamei você pra jantar comigo?
- Nã-não, senhora.
- Porque tenho pena de você! – disse ela com uma voz de embriagada. Realmente Martha já estava bêbada. Tinha tomado vinho, uísque e agora tomava um coquetel de frutas com álcool.
- Você é um grande amigo, Thomas… Sabia disso? – dizia ela em meio a soluços repentinos.
- Obrigado, senhora.
- Eu amo você (soluço), Thomas… – e dizendo isso ela o abraçou. O coitado quase ficou tonto com o bafo de cachaça dela.
Enquanto isso, Gabriel já estava no quarto dela e estava indeciso. Onde por o rastreador?Embaixo da arca ou em algum objeto pessoal dela?Por fim, ele decidiu colocar o rastreador num bonito colar que Martha sempre usava. Depois disso, ele saiu do quarto e foi arrumar suas malas, porque no dia seguinte ele voltaria para Nova Iorque.
Lá por volta das dez da noite, Thomas voltou para o quarto. Gabriel já estava deitado, mas acordou quando ele chegou.
- E então?Alguma novidade?
- Não. Acabei de ter que levá-la ao quarto com a ajuda de dois seguranças do hotel. Está completamente bêbada.
Gabriel riu sem parar.
- Que vexame que a Marthinha deu hein?
- Nem fale. Até me abraçou e disse que me amava. – disse Thomas rindo sem parar.
- Thomas. Acho que vou voltar amanhã pela tarde.
- O.K. E voce conseguiu colocar o rastreador?
- Sim. Coloquei naquele colar preferido dela.
- Hum… Eu sei qual é.
E os dois ficaram tramando contra Martha por mais algumas horas. Em seguida foram dormir.