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Aqui nesse blog, você pode conferir toda a Primeira Temporada Completa de Elementais e, agora, também poderá conferir a Segunda Temporada.
Pra quem não conhece, Elementais é uma fanfic, ou seja, uma história de ficção que envolve como personagens, as cantoras da banda Pussycat Dolls.
Como sabemos, a banda, hoje, se desfez. Cada cantora segue sua carreira solo, porém, nós fãs ainda mantemos um carinho pra lá de especial com cada uma das dolls e, por conta disso, eu quis escrever Elementais 2: A Idade das Trevas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

CAP.22 – RAIOS



Enquanto as outras dolls e as bruxas já estavam chegando em casa, Nicole e Kendra continuavam com o ritual.
- Não fique envergonhada, querida. – disse Kendra calmamente ao ver Nicole bastante nervosa assim que havia pedido para ela tirar a roupa. – Eu posso ficar de costas, se você preferir.
- Certo. – dizia Nicole meio angustiada ao ter que tirar o vestido bem ali no meio da floresta e com aquela ventania toda.
- Pode ficar com o capuz, se preferir. – disse a bruxa sendo mais flexível com Nicole.
- Ah, ótimo! – disse Nicole mais segura – Vou querer, sim!
E depois de mais uns segundos, a morena já estava completamente despida, coberta apenas pelo longo e negro capuz.
- Muito bem, vamos dar início ao seu ritual de iniciação. – começou a bruxa, séria.
Nicole engoliu em seco. Estava nervosa. Nervosa por estar ali, no passado. Nervosa por estar nua, naquele frio. Nervosa por estar prestes a descobrir mais sobre o seu poder.
- O primeiro passo é sempre o mesmo: fechar os olhos e sentir todo o ambiente que a cerca. – disse Kendra, calma. – Esqueça as inquietações que está sentindo no momento: o chão incomodando seus pés, o frio, a nudez... Esqueça tudo isso e apenas sinta o ambiente.
- É... Bem... Certo, vou tentar. – disse Nicole, insegura.
Nicole fechou os olhos e, a princípio, não conseguiu esquecer das inquietações que a cercavam. Seus pés deviam estar pisando gravetos que incomodavam bastante. Seu corpo se arrepiava com o vento que ali passava.
- Se concentre, querida. Apenas se concentre. – tornou a dizer a bruxa.
Nicole então, ainda de olhos fechados, respirou fundo e começou a sentir o vento, mas não o vento que incomodava e que fazia seu corpo se arrepiar de  frio. Ela começou a se concentrar no vento que bagunçava seus longos cabelos negros. Começou a sentir o cheiro da grama, o som de alguns animais noturnos...
- Como se sente, Nicole? – perguntou a bruxa, séria.
- Me sinto... – disse Nicole, ainda de olhos fechados. – Maravilhosamente bem. Acho... Acho que eu consegui sentir o ambiente.
- Oh, sim! Com certeza conseguiu! – disse a bruxa, animada.
- Ah! Que bom então! – disse Nicole, agora, abrindo os olhos.
- Vamos continuar. – disse a bruxa, empolgada. – Faremos agora o exercício que estimulará o contato com seu poder Elemental, ESPÍRITO.
- Bom... Essa é até uma pergunta que eu queria fazer, Kendra. – começou Nicole. – Porque vocês se referem ao meu poder como Espírito e não como Energia?
- Ah, querida... Isso tudo é uma questão de determinação. – começou a bruxa. – Acredito que nos tempos antigos, no Egito, o quinto elemento era mais considerado como Energia. Já para nós, bruxas, o quinto elemento é muito mais que energia. Para nós, a quinta essência é algo que se eleva sobre os outros quatro elementos, por isso, a denominamos de Espírito, entende?
- É... Acho que sim. – disse Nicole meio confusa.
- Bom, agora chega de conversa! – disse Kendra estalando os dedos. – Repita essa frase com muita clareza e força: “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, ESPÍRITO”.
- É... Bom... – começou Nicole, sem jeito. – Mas então, Kendra... Como eu te disse, eu sempre conheci o meu poder sob o nome de Energia. Devo invocá-lo com o nome de Espírito ou de Energia mesmo?
Kendra parou por uns segundos. Nem a bruxa parecia saber ao certo a resposta para a pergunta que a doll acabara de fazer.
- Olhe, querida, eu poderia simplesmente lhe dizer: “faça o que você achar melhor, o que seu coração mandar”, mas... – e a bruxa deu uma pausa – Sinto que, como estamos, agora, invocando o quinto elemento essencialmente na cultura das bruxas e não mais tão focado na cultura egípcia, como vocês me falaram...
- Sim...? – Nicole parecia confusa.
- Então acho que você deve invocar seu poder com o nome de Espírito. – concluiu Kendra.
- Tudo bem então. – disse Nicole, séria. – Como é mesmo o encantamento?
Kendra repetiu a frase mais uma vez e Nicole, após fechar os olhos e respirar fundo, disse com bastante clareza e segurança:
- “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, ESPÍRITO”.
Após alguns segundos, Nicole achou que o vento parecia mais forte sobre seus cabelos, mas não sabia se era algum efeito do encantamento ou se era apenas impressão. No fim de quase um minuto de espera, tanto Nicole quanto Kendra perceberam que o encantamento não tinha realmente funcionado.
- É... Parece que não deu certo. – disse a bruxa com as mãos na cintura.
- Aah! – exclamou Nicole pondo as mãos na cabeça. – E agora?!
- Calma, querida! – adiantou-se Kendra, surpresa com a reação de Nicole. – É normal. Nem todas conseguem realizar um encantamento assim, na primeira vez que o faz.
- É? – disse Nicole franzindo a testa, preocupada.
- Claro! – disse a bruxa sorrindo. – Pois então respire fundo e tente outra vez. Temos a noite toda...
- Tudo bem então. – disse Nicole fechando os olhos, respirando fundo e, em seguida, recitando o encantamento mais uma vez. – “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, ESPÍRITO”.
Os pensamentos de Nicole, porém, estavam longe e, por conta disso, como era de se esperar, o encantamento não funcionou novamente.
- Ai, meu Deus! – exclamou Nicole, depois de alguns segundos. – Nada aconteceu!
- Nicole, minha querida, estou vendo que você não está se concentrando o suficiente. – disse Kendra, séria.
- Mas, eu... – murmurou Nicole.
No fundo, a morena sabia que a bruxa tinha razão: ela não estava nada concentrada. Embora Nicole já tivesse realmente em contato com o ambiente, seus pensamentos estavam longe dali. Ela pensava em Lewis, pensava em voltar pra casa, pensava se conseguiria dominar sua projeção astral, pensava se Ashley seria capaz de ter a premonição sobre as bruxas...
- Nicole? – disse Kendra, séria, ao ver que Nicole estava viajando em seus pensamentos. – Nicole?! – disse a bruxa, agora, mais alto.
- Ah! Oi... – disse Nicole, voltando a si.
- O que houve, querida?
- É que... Eu estou aqui pensando em tantas coisas... – disse Nicole baixando a cabeça.
- Entendo... Muitas preocupações, dúvidas, anseios... – disse a bruxa dando palmadinhas no ombro de Nicole. – Mas tente esquecer isso, pelo menos por enquanto.
- É, mas é difícil. – disse Nicole, tristonha.
- Nic, pense positivo. – adiantou-se a bruxa. – Vai dar tudo certo, as coisas vão se resolver... – era como se Kendra lesse os pensamentos de Nicole.
- Certo. – disse a morena tentando se animar.
- Vamos lá! – começou a bruxa. – Sacuda esses ombros, tire as energias e pensamentos negativos da cabeça, respire fundo, feche os olhos e repita o encantamento com toda a força possível! – Nicole ia fazendo cada coisa que a bruxa pedia à medida que ela ia falando.
Após mais uns segundos de pura concentração, Nicole se sentiu preparada o suficiente e, desta vez, disse com bastante concentração o encantamento. O vento, agora mais do que nunca, era realmente mais forte. Nicole foi abrindo os braços lentamente (sem Kendra orientar), foi algo como um impulso que veio de dentro dela. O que aconteceu a seguir deixou Kendra boquiaberta: sob os pés de Nicole, uma fraca luz começava a acender e, em seguida, apagar. Parecia que a morena estava pisando em pisca-piscas de Natal. A fraca luz passou então, a percorrer totalmente os pés de Nicole e, agora, não estava mais fraca. A luz começou a ganhar uma intensidade maior e foi, então, subindo para os tornozelos, depois para as pernas de Nicole.
Kendra levava as mãos à boca. O encantamento dera, enfim, certo. A luz branca, agora, já passava da cintura de Nicole e continuava a subir, envolvendo-a cada vez mais. Nicole, então, começou a sentir um certo formigamento em seu corpo e abriu os olhos para verificar o que estava acontecendo. Ao abrir os olhos, a doll ficou surpresa ao ver aquela luz a envolvendo.
- Kendra... – sussurrou Nicole, como se falar alto fosse atrapalhar ou cessar o encantamento.
- Fique calma e continue se concentrando. Está dando certo. – disse a bruxa, maravilhada com a cena que via.
Após mais uns segundos, Nicole estava completamente envolvida pela luz. Tanto Nicole quanto o casaco que ela trajava estavam totalmente acesos com tamanha energia que os envolvia. Era como se a doll tivesse uma luz própria que irradiasse de dentro dela. Nicole, agora, era literalmente uma estrela.
- Kendra... Isso é... – dizia Nicole, de olhos abertos, checando seus braços e pernas, envolvidos por tal energia. – Magnífico!
- É apenas um exemplo do tamanho do seu poder. – disse-lhe a bruxa sorrindo.
- Nossa! – exclamou a doll, encantada. Parecia que seu corpo tinha, em seu interior, um conjunto de lâmpadas fluorescentes.
- Fantástico, Nicole! – dizia Kendra batendo palmas. – Sensacional!
- Eu... O que... – Nicole parecia confusa com o que ela começava a sentir no momento. Uma onda de calor começou a tomar conta dela. – Eu tô sentindo uma coisa estranha...
- O que há, querida? – assustou-se a bruxa.
Nicole fechou os olhos e, por impulso, ergueu os braços para o céu. Imediatamente, uma grande força vinda dela fez com que, inesperadamente, Nicole lançasse aos céus alguns raios viva e eletricamente fortes. Os raios partiram das mãos da morena e atingiram o céu numa velocidade incrível. Nicole abriu os olhos, rapidamente, assustada. Já Kendra estava maravilhada com o que presenciara.
- Oh! Pelos poderes da Grande Deusa! – disse a bruxa olhando para o negro céu estrelado. Não havia mais sinal dos raios. Se alguém, ali, na Idade Média, tivesse olhado para o céu no momento em que tudo acontecera, certamente não entenderia o que aconteceu: numa bela e estrelada noite, quase sem nuvens e sem motivo algum para tempestades, raios apareceram nos céus. O mais engraçado, porém, é que os raios que apareceram naquela noite não vieram na direção céu-Terra, mas sim, Terra-céu, já que os raios saíram diretamente das mãos de Nicole. A luz brilhante que tomava conta do corpo de Nicole foi cessando, apagando, aos poucos.
- Muito bem! – dizia Kendra batendo mais palmas.
- Eu... – Nicole ainda estava em êxtase. – Não acredito que eu...
- Sim, querida... – adiantou-se a bruxa, animada. – Seu poder é realmente grande.
- Mas como eu fui capaz de lançar raios e... – Nicole parecia perturbada.
- Como nós conversamos... Seu poder é ENERGIA, é ESPÍRITO. – concluiu a bruxa, séria. – Seja qual o nome que você chamar, seu poder é algo que mexe com luz, com forças exteriores... Os raios são os fenômenos da natureza que mais se ligam ao seu poder... E isso... Isso é algo tão extraordinário... – a bruxa parecia não ter mais palavras para se expressar.
Nicole sentia o formigamento sumir totalmente do seu corpo.
- Muito bem! Vamos aproveitar esse momento de eterna alegria e satisfação que estamos vivendo agora e... – disse a bruxa animada. – Vamos prosseguir o seu rito de iniciação com o último exercício, que estimulará sua...
- Projeção astral. – completou Nicole, antes que a bruxa terminasse a frase.
- Pois bem – começou a bruxa, séria. – O próximo encantamento é um pouco diferente dos encantamentos que suas amigas tiveram que falar para estimular o poder agregado ao poder Elemental.
- Como assim? Diferente? – Nicole estava confusa.
- Assim que chegarmos em casa, pode conferir com suas amigas... – disse a bruxa vagamente.
- Tudo bem então.
- Certo. Repita essas palavras: “Invoco o poder Elemental do Espírito, poder supremo aos quatro poderes, para que me conceda o uso da projeção astral a mim destinada.” – disse a bruxa de uma só vez.
- Como é que é?! – espantou-se Nicole. – Que frase grande!
- Pois é. Por isso, vou repetir quantas vezes for necessário até que você esteja com ela na ponta da língua e possa fazer o encantamento correto. – disse a bruxa, séria.
A bruxa, como havia prometido, repetiu para Nicole cerca de cinco vezes a mesma frase, até que a doll havia começado a fixar.
- Pronta? – perguntou a bruxa, depois de um tempo.
- Acho que sim. – disse Nicole, nervosa.
- Então vamos. Quando você quiser... Pode começar. – disse Kendra, ansiosa.
- “Invoco o poder Elemental do Espírito, poder supremo aos quatro poderes, para que me conceda o uso da projeção astral a mim destinada.” – disse Nicole de modo bastante firme e confiante.
Nada, aparentemente, aconteceu.
- E agora? Fiz errado outra vez? – perguntou Nicole, preocupada.
- Na verdade, não sei responder. – começou a bruxa com a mão no queixo. – Iremos testar isso agora.
- Como?
- Da seguinte forma... – e dizendo isso, Kendra se abaixou para pegar o vestido e o espartilho que Nicole havia deixado no chão.
- O que você v... – começou Nicole sem entender.
- Calma, querida. – dizia a bruxa, agora, andando a certa distância e deixando o vestido e o espartilho de Nicole, no chão, longe da doll. Em seguida, a bruxa voltou para perto de Nicole e, depois, recuou dez passos.
- Eu... Não estou entendendo. – disse Nicole franzindo a testa.
- Eu quero... – a bruxa revirou os olhos como se procurasse a palavra certa para usar. – Provocar, isso! Provocar a sua projeção astral... Achar um jeito para que você sinta a necessidade de usá-la.
- Hum... – disse Nicole mordendo a boca.
- Escolha, agora, Nicole. – começou a bruxa. – Você precisa vir até mim, mas também precisa pegar o seu vestido, agora. O que você faz?
Nicole engoliu em seco.
- Eu... Posso ir até lá e... – disse Nicole, sem jeito.
- Não! Não pode! Você precisa vir até mim, agora, mas precisa pegar o seu vestido ali. – disse a bruxa apontando numa direção. – Precisa fazer as duas coisas ao mesmo tempo! E o que você faz?
Nicole não respondeu. Precisava estar em dois lugares ao mesmo tempo. Sentia que precisava usar a projeção astral, mas não sabia como.
- Anda, Nicole! O que você faz agora? Como sair dessa situação? – provocava a bruxa, ansiosa para que Nicole usasse o poder.
O coração da morena batia mais aceleradamente que nunca. Foi então que o mesmo que havia acontecido na casa das dolls, aconteceu outra vez: a mesma confusão mental de antes se estabeleceu dentro do cérebro dela a ponto de Nicole sentir o mesmo arrepio percorrendo-lhe todo o corpo.
Então Kendra viu Nicole parar bem diante dela e baixar a cabeça para frente, como se tivesse dormindo em pé. Instantaneamente, uma outra Nicole foi projetada em frente ao vestido e ao espartilho. Kendra virou-se para a outra Nicole e disse:
- Muito bem, Nic! Agora tente pegar o vestido!
Mesmo estando fora do corpo, Nicole sentia seu coração batendo acelerado, de nervoso. Quando tentou pegar o vestido, no chão, porém, ficou frustrada: não conseguiu. Em seguida, Nicole desapareceu no ar e quando se deu conta, estava novamente em frente a Kendra.
- Nossa! – disse a morena pondo a mão na testa. – Isso me deixa tonta e...
- É normal, querida. Você não está acostumada com esse poder. – disse a bruxa tentando animar a doll. – Ele ainda é muito novo pra você.
- Mas... Se eu consegui usar a projeção astral, por que não consegui pegar o vestido?
- Nicole... A projeção astral é realmente um poder complicado e de difícil uso. – disse a bruxa, séria. – Em breve, você se acostumará a usar esse poder e a movimentar coisas estando fora do corpo, pois ainda é muito cedo para você aprender tudo assim de uma vez só.
- É... Você tem razão. – concordou Nicole, sorrindo.
- Tudo bem então! – disse a bruxa batendo três palmas. – Chega por hoje! Você completou o ritual, e com sucesso. Agora, pode se vestir. Acredito que as outras meninas já estejam em casa...
- Certo. – disse Nicole indo até o vestido e se preparando para vesti-lo.
- Bom, você deverá sempre mentalizar todos os encantamentos deste rito de iniciação nos próximos dias... – começou a bruxa, pensativa. – E logo, logo, nem irá precisar ficar recitando ou mentalizando sempre, pois seu corpo e sua mente já estarão acostumados e...
Nicole ouvia as palavras da bruxa enquanto se vestia e já ficava ansiosa só de pensar no quão grande era seu poder e o tanto que faltava trabalhá-lo para que conseguisse dominá-lo perfeitamente.



Continua no próximo capítulo...

CAP.21 – PERSISTÊNCIA



Enquanto Melody comemorava a volta do seu poder, graças ao treinamento feito com Willa, Ashley treinava novos exercícios com Diana.
- Não, Ash. – disse a bruxa, calma. – Tente se concentrar mais.
- É... Esse é sempre o problema. – disse Ashley, chateada. – Concentração...
Diana tinha posto um pouco de água, do lago, num velho balde e tinha pedido à Ashley para retirar a água do balde apenas usando seu poder. Ashley tinha feito a água sair do balde quase como uma pequena explosão, mas não fora dessa maneira que  Diana havia lhe proposto. Ashley não tinha precisado tirar a roupa, pois já tinha feito seu rito de iniciação na noite anterior.
- Vamos tentar mais uma vez. – disse Diana indo até o balde e apanhando um pouco mais de água para que Ashley refizesse o exercício.
Enquanto isso, Jessica recebia todas as orientações de Indra. A ruiva se chateou bastante quando soube que teria que tirar a roupa para fazer seu ritual de iniciação.
- Tudo bem então. – disse a bruxa, por fim. – Deixo você ficar só com o capuz.
- Tá bom... – disse Jessica, baixinho.
Jessica não estava totalmente satisfeita com a decisão da bruxa, mas pelo menos não teria que ficar completamente nua. Assim como Kimberly, Jessica ganhara o direito de usar ao menos o capuz em seu ritual.
- Pronta? – perguntou a bruxa, já de costas, só esperando ouvir a confirmação de Jessica.
- Pronta. – disse Jessica puxando o capuz de modo a cobrir-lhe melhor o corpo.
- Então vamos começar. – disse Indra, séria.
Jessica sentiu suas mãos um pouco trêmulas.
- Feche os olhos e sinta o ambiente. – pediu a bruxa, com voz firme.
- Certo. – disse Jessica fazendo o que a bruxa pedira. A doll começou a sentir cada vez mais o frio que invadia seu corpo nu. Sentiu o chão coberto de folhas secas e gravetos. Ouviu o farfalhar das árvores e o canto dos grilos. Parecia que nada a incomodava mais naquele momento, nem o fato de estar sem roupas, só usando o capuz. Tudo estava na mais perfeita sintonia.
- Como se sente? – perguntou a bruxa, séria.
- Me sinto... – disse Jessica, ainda de olhos fechados. – Como se meu corpo estivesse em equilíbrio com a natureza.
- E é exatamente assim que é pra ser. – disse a bruxa em tom de alegria. – Vejo que você conseguiu completar essa primeira parte do ritual, de primeira! Muito bem!
Jessica surpreendeu-se com o resultado.
- Agora, vamos continuar. – disse a bruxa, empolgada. – Faremos agora o exercício que estimulará o contato com seu poder Elemental, TERRA.
- Hum... Entendi. – disse a doll, ansiosa.
- Então, é o seguinte... – disse Indra respirando fundo. – Repita esse encantamento: “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, TERRA”. Lembre-se de ficar de olhos fechados e de abrir os braços.
Jessica fechou os olhos mais uma vez, abriu os braços, respirou fundo e se concentrou bastante.
- “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, TERRA”. – disse a doll numa voz firme.
Aparentemente nada havia acontecido, porém, segundos depois, não só Jessica como Indra, começaram a sentir alguns tremores vindos do chão. Além disso, Jessica sentia uma estranha sensação em seu peito. Era uma sensação boa, de felicidade: era a manifestação do seu poder.
- Indra! – exclamou Jessica, abrindo os olhos, nervosa.
- Calma, Jessica! É o seu poder! – disse a bruxa tentando acalmar Jessica e a si mesma. – Feche os olhos, outra vez, e se concentre.
Jessica tornou a fechar os olhos e sentiu os tremores, que vinham do chão, ficando cada vez mais fortes. Indra teve a impressionante visão da força do poder de Jessica: do chão da floresta, começaram a surgir pequenas, mas grossas, raízes que foram se elevando no ar e se contorcendo até que, segundos depois, duas grandes e altas árvores estavam lado a lado de Jessica. As árvores pareciam tão grandes e vistosas como as outras. Jessica havia criado duas novas árvores em meio à escura floresta.
A doll, ao abrir os olhos, estranhou estar entre duas árvores, que não se encontravam ali antes.
- Indra... – murmurou Jessica, admirada com a força do seu poder.
- Terra é realmente um poder adorável. – comentou a bruxa, emocionada.  
- Então... Já está concluído o meu ritual? – perguntou Jessica, confusa.
- Não, não, não, querida. – disse a bruxa rapidamente. – Ainda falta mais um exercício.
Jessica não respondeu.
- Vamos estimular, agora, seu poder agregado ao poder Elemental. – começou a bruxa, pensativa. – A sua Telecinésia.
- Aah! – exclamou Jessica, animada. – Ótimo!
- Basta você se concentrar, claro, e repetir esse encantamento: “Invoco o poder Elemental da Terra para que me ajude a usar o poder de telecinésia a mim concedido.”
Jessica precisou de alguns minutos para fixar a frase em sua mente.
- Pronto. – disse a ruiva para si mesma. – Lá vai! – e ela fechou os olhos. - “Invoco o poder Elemental da Terra para que me ajude a usar o poder de telecinésia a mim concedido.”
- Agora, experimente erguer esses pequenos galhos, aqui no chão. – disse a bruxa apontando numa direção onde o chão estava cheio de galhos secos e retorcidos.
A doll ergueu o braço direito na direção que a bruxa pediu e mexeu o braço na tentativa de fazer os galhos levitarem. Jessica não havia se concentrado o bastante, por isso, nada aconteceu.
- E agora? – perguntou Jessica, sem jeito.
- Bom, vamos tentar mais uma vez. – disse Indra, séria. – Diga as palavras de modo mais firme e seguro.
- Vou tentar. – disse a doll dando um longo suspiro. - “Invoco o poder Elemental da Terra para que me ajude a usar o poder de telecinésia a mim concedido.”
Dessa vez, Jessica sabia que tinha dado certo, pois sentira a mesma sensação de antes. Seu poder parecia ter sido convocado outra vez, só que, agora, focado na telecinésia.
- Tente outra vez aqui. – disse a bruxa apontando, novamente, para a direção, no chão. – E tente usar seu olhar como fonte da telecinésia. Segundo o livro, canalizar o poder através das mãos é mais complicado ainda.
- Hum... – Jessica se lembrava que das vezes que usara seu poder, a maioria tinha sido com as mãos. Se as dolls não ficassem tanto tempo sem usar os poderes, talvez ainda tivessem experientes. Mas como elas poderiam saber, depois da grande batalha no Egito, que ainda continuavam com os poderes?
A doll mirou seu olhar na direção dos galhos, no chão. Em seguida, ela mexeu a cabeça para a direita e, incrivelmente, os galhos foram empurrados magicamente para a mesma direção.
- Muito bem, Jessica! Conseguiu! – disse a bruxa batendo palmas.
- Mas será que eu não devia tentar com as mãos também? – disse Jessica, ansiosa.
- Claro. Tente à vontade. – disse a bruxa, animada.
A doll estendeu a mão direita na direção dos galhos, no chão, e fez um movimento brusco em direção à esquerda. Os galhos não se moveram, assim como na primeira vez.
- Jessica, querida, talvez seja melhor treinar a canalização do seu poder através das mãos, numa outra hora. – disse a bruxa calmamente.
Jessica baixou a cabeça, frustrada. Antes, ela conseguia fazer isso...
- Não. – disse Jessica numa voz firme. – Vou tentar mais uma vez. Só mais essa vez. Se eu não conseguir...
- Tudo bem então. – disse a bruxa, compreensiva.
Jessica fechou os olhos e tentou se concentrar o máximo que pôde. Ela já estava usando seu poder de telecinésia, só que através do olhar. Ela queria, agora, usar o poder através das mãos, como antes.
A doll estendeu o braço direito na direção dos galhos e murmurava pra si mesma:
- Você consegue, Jessi... Você consegue...
Ela, então, agitou a mão, firme, para a esquerda e, enfim, os galhos voaram na direção ordenada.
- Consegui! – disse Jessica, animada.
- Excelente! – disse a bruxa, encantada. – Fez um ótimo trabalho! Gostei de ver a sua persistência.
Enquanto isso, em Nova Iorque, no presente, Leo e Gabriel já estavam mais que nervosos.
- O que a gente faz, cara? – perguntava Gabriel, tenso.
- O pior de tudo é que não há como manter contato com elas... – disse Leo, triste.
- Já tem... – disse Gabriel checando o relógio. – Nossa! Exatamente uma hora que elas estão fora.
- Já?! – espantou-se o arqueólogo.
- E agora, Leo? – perguntou Gabriel, preocupadíssimo.
- Não temos mesmo outra opção. Só esperar. – disse Leo dando um longo suspiro.
Um pouco distante dali, em Nova Iorque, Janet, a madrasta de Melissa acabava de entrar num velho e precário hotel.
- Ele está aqui? – perguntou Janet ao porteiro do hotel.
Um velho e asqueroso homem confirmou que sim.
Ela subiu até o quarto indicado e quando entrou, se deparou com um homem que aparentava a mesma idade que ela e tinha certas feições parecidas com as dela.
- Irmão! – disse Janet abraçando o homem.
- Está cada vez mais difícil te encontrar hein? – disse o estranho e misterioso homem. Usava um terno preto, era elegante e tinha os cabelos grisalhos.
- É sempre complicado sair assim no meio do dia. – disse Janet, rápida. – Aproveitei que a Melissa saiu e, assim que ouvi seu chamado, corri para cá.
- Irmã, você sabe que... – disse o homem baixando a voz. – Eles são contra os mortais, mas... – e ele a abraçou. – Janet, você é a única em nossa família que nasceu mortal e... Só me resta você, agora... Eu não iria permitir que te machucassem. Jamais!
- Eu sei, Charlie. – disse Janet segurando o choro. – Eu queria ter puxado ao lado demônio da família, mas...
- Shhh! – disse ele pondo a mão na boca da irmã. – Pare com isso. Se você nasceu mortal, não devemos contrariar as leis demoníacas...
- Mas eu sei que se eu ajudar você a ter os poderes da Melissa, os poderes Elementais, você vai se consagrar no submundo. – disse Janet, alegrando-se.
- E eu levaria você pra morar comigo, mesmo contra a vontade deles. – disse o irmão. – Eu teria autoridade suficiente para encarar qualquer um.
- Mas há de dar tudo conforme estamos planejando. – disse Janet, esperançosa. – Roubamos os poderes de Melissa, em primeiro lugar. – e ela deu um suspiro. – Em seguida, matamos aquele traste do pai dela, o Paul.
- E depois, viveremos no submundo! – disse ele, sorrindo.
- Isso! – aprovou Janet.
E os dois irmãos se abraçavam.
- Você acha mesmo que foi bom eu ter causado toda essa confusão envolvendo a viagem à Idade das Trevas? – perguntou Charlie, confuso.
- Eu achei fantástica a sua ideia. – começou Janet sentando-se na cama. – Pois envolver as Pussycat Dolls foi mais que brilhante. Só com a ajuda daquelas idiotas é que Melissa poderia ir ao passado... E se sua ideia de dedurar a ridícula Irmandade da Grande Deusa para a Inquisição funcionar... Então todas as bruxas morrerão queimadas, inclusive a mulher que gerará a primeira mulher que terá os poderes Elementais.
- Exato! – disse ele, ansioso. – E então... A nossa pobre Melissa tem grande chance de deixar de existir, só que antes disso...
- Você aparece e rouba os poderes dela! – exclamou Janet batendo três palminhas.
Os dois riram feito loucos.
- É mesmo uma pena que eu não possa roubar os poderes das Pussycat Dolls também. – disse Charlie, pensativo, ainda se recuperando da crise de risos.
- Bom... – disse Janet levantando-se da cama. – Na verdade, é só roubar o cristal não é?
- Acho que não... – disse ele, sério. – O poder delas é muito forte e muito antigo. Toda a lenda egípcia fala sobre uma arca também. Parece que é preciso ter o domínio da arca, primeiro, e em seguida, do cristal.
- Hum... Só se você enfeitiçasse a Melissa e... – começou Janet arquitetando mil planos.
- Não, não, não, irmã. – adiantou-se Charlie. – Não vamos nos preocupar com as Pussycat Dolls, pelo menos por enquanto. Nosso foco principal é ter os poderes de Melissa.
- É... Você tem razão. – Janet concordou.
No passado, Jessica, depois de ter completado seu ritual de iniciação, acabava de vestir seu longo e bonito vestido verde.
- Bom, Jessica, você ainda prefere ficar por aqui ou devemos ir pra casa? – perguntou a bruxa segurando, agora, a lamparina.
Jessica sentiu uma leve pontada de saudade no peito ao ouvir a palavra “casa”. Ela bem que queria ir pra casa, mas para a sua casa, a casa onde morava com as amigas. Ela queria ir para o presente, já estava com saudade de Leo.
- É... Sim, sim. – disse a doll, sem jeito. – Vamos pra casa.
A bruxa fechou os olhos e aspirou o ar frio.
- Hum... – gemeu a bruxa. – Pelo cheiro da noite, me parece que já está tarde. Levamos quase duas horas aqui...
- Nem parece. Passou tão rápido. – disse Jessica, surpresa.
- Vamos. – disse a bruxa. – Acredito que nossas irmãs já estejam a caminho de casa também, se é que já não chegaram.
De fato, Indra tinha razão. Kimberly e Prudence estavam sentadas no chão e apreciavam a bonita lua, pois haviam terminado o ritual antes das outras. Ashley e Diana acabavam de encerrar os exercícios. Melody e Willa, apesar de muitos exercícios feitos, também tinham conseguido completar o ritual de iniciação e já se preparavam para ir pra casa. Nicole e Kendra, porém, haviam se atrasado para o ritual, já que estavam tendo uma conversa longa, antes.
Nicole e Kendra estavam na parte mais afastada da floresta, onde havia uma pequena clareira. Naquela parte, como quase não havia árvores, a vista para a lua, no céu, era encantadoramente perfeita.
- Então foi isso... – continuou Nicole, séria. – Com toda essa agonia de vir ao passado e tudo mais, terminei me esquecendo de comentar com vocês sobre esse poder novo que se manifestou em mim.
- Isso é... Extremamente interessante. – disse Kendra, maravilhada.
Houve um rápido momento de silêncio.
- Mas... Acontece que... – começou Nicole, confusa. – Nunca soubemos nada a respeito desse poder de...
- Projeção astral. – completou a bruxa.
- Isso. – confirmou Nicole. – Nós nunca soubemos sobre a existência desse poder, nem mesmo depois de ir ao Egito e saber mais sobre a lenda do Cristal de Etafa. – e ela tocou no cristal, pendurado em seu pescoço. – E esse foi um dos motivos que nós nos animamos a voltar ao passado: além de ajudar vocês, claro, ajudar a Melissa a descobrir melhor os poderes dela e...
- Entender melhor o seu poder. – completou Kendra.
- Exatamente. – disse Nicole ajeitando o cabelo que, com o vento, ficava sendo bagunçado.
- É realmente curiosa a manifestação da projeção astral somente agora. – disse a bruxa, séria.
- Como assim? – perguntou Nicole, confusa. – Então já era pra eu ter manifestado esse poder antes?
- Bem... – disse a bruxa dando um longo suspiro. – Na verdade, sim. Creio que já li no livro a respeito desse poder. O livro informa, se não me engano, que a Grande Deusa tinha o poder de projeção astral e que era um dos mais difíceis de ser controlados.
- Nossa! – exclamou Nicole, surpresa. – Então já era pra eu ter controlado antes... Mas... Se eu nem sabia que eu tinha esse poder, como iria aprender a controlá-lo?
- Eu não te culpo, querida. – disse a bruxa sorrindo. – Esse poder é difícil de ser controlado e também, talvez você não tenha tido nenhuma situação onde precisasse estar em dois lugares ao mesmo tempo, exceto ultimamente, quando você descobriu a existência desse poder.
- Eu achava que só tinha o poder de Energia. – disse Nicole, pensativa. – Nem o Leo havia falado nada sobre isso na lenda egípcia.
- É que talvez sua projeção astral esteja mais ligada a nós, bruxas atuais, do que à cultura egípcia da magia. – disse Kendra, segura de si.
Nicole achou engraçado o fato de Kendra ter referido as bruxas da Idade das Trevas como “bruxas atuais”, já que elas estavam no passado e não no presente.
- Mas como...?
- “Há coisas na magia que não devemos questionar.” – disse Kendra reproduzindo a típica fala de Althea.
Nicole riu.



Continua no próximo capítulo...