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Aqui nesse blog, você pode conferir toda a Primeira Temporada Completa de Elementais e, agora, também poderá conferir a Segunda Temporada.
Pra quem não conhece, Elementais é uma fanfic, ou seja, uma história de ficção que envolve como personagens, as cantoras da banda Pussycat Dolls.
Como sabemos, a banda, hoje, se desfez. Cada cantora segue sua carreira solo, porém, nós fãs ainda mantemos um carinho pra lá de especial com cada uma das dolls e, por conta disso, eu quis escrever Elementais 2: A Idade das Trevas.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CAP.24 - ONZE MULHERES E UM SEGREDO


Já era quase noite quando Nicole despertou do seu sono.
- Meninas, levantem! Já é noite! – exclamava Nicole, surpresa, levantando-se da cama. Como poderia ter dormido tanto?
As outras dolls e Melissa começaram a despertar, assustadas.
- Como? – dizia Melody, ainda sonolenta.
- Já tá tudo escuro! – exclamou Nicole, andando, afoita, pelo quarto.
- Nossa! Dormimos demais! – dizia Ashley se espreguiçando na cama.
- Será que elas colocaram alguma coisa na nossa comida? – palpitou Kimberly, rindo.
As outras riram bastante com o comentário.
- Vejo que já acordaram... – disse Kendra, abrindo a porta do quarto e encontrando as dolls dando altas gargalhadas. – E vejo também que estão muito animadas!
- Ah, sim... – disse Nicole se recompondo.
- Que bom, meninas! – disse Kendra, animada. – Vocês precisam estar bem relaxadas e com o corpo preparado para o treinamento que faremos mais tarde.
- Confesso que eu estou bastante insegura. – murmurou Melissa.
- Não adianta ficar assim, querida. – começou Kendra animando-a. – Só deixe que seus poderes falem por você, na hora. Deixe que eles fluam livremente...
Melissa ficou um pouco confusa com o comentário da bruxa, mas assentiu com a cabeça.
- Bom, vamos jantar. – concluiu Kendra, por fim. – Vou esperar por vocês, lá embaixo.
A bruxa saiu do quarto e as dolls e Melissa continuaram a conversar.
- Sorte que tomamos banho pela manhã... – resmungou Melody. – Essa vida de Idade Média não é fácil! Esse banheiro do lado de fora da casa...
As outras riram, embora concordassem.
- Só nos castelos é que as rainhas e princesas tomavam banho nos quartos. As criadas traziam uma espécie de barril cheio d’água e... – começava Melissa, freneticamente. Realmente ela adora estudar e falar sobre História.
As dolls ouviram, interessadas, toda a narração de Melissa. Depois disso, desceram para o jantar com as outras bruxas.
- Muito bem, minhas queridas. Sentem-se. – pediu Kendra já sentada à mesa.
As dolls e Melissa saborearam, no jantar, uma deliciosa sopa de legumes. Embora sentisse muita falta de Nova Iorque, do futuro; ali, elas estavam sendo bem acolhidas.
- Bom, espero que esse treino seja excepcional para todas. – disse Althea, animada.
- Será realmente um grande momento para a execução dos poderes em conjunto, depois de cada uma ter feito seu ritual de iniciação. – disse Kendra após comer um pedaço de pão.
- Mas... Eu nem fiz meu ritual de iniciação. – disse Melissa, baixinho. – Não sei se será possível combinar meus poderes com os delas.
- Querida, hoje, será um desafio pra você. – disse Edwina, séria.
- A intenção é essa: fazer com que você consiga provocar seus poderes, mesmo não tendo feito um rito de iniciação antes. – concluiu Indra, sorrindo.
- Mas e se eu... – dizia Melissa, já pensando em desistir.
- Você vai conseguir. – interrompeu Diana, que estava quieta até o momento. – Pense positivo, meu bem.
O jantar seguiu tranquilamente e as bruxas tentaram acalmar as dolls o máximo possível. Para isso, usaram frases e mais frases de incentivo.
- Prontas? – disse Indra, voltando à sala, depois de ter terminado de lavar a louça com a ajuda de Edwina.
- É, acho que sim. – disse Nicole respirando fundo.
- Faremos o mesmo esquema da noite anterior. – começou Kendra, séria. – Vestiremos nossos capuzes e sairemos em direção à floresta.
- Temos capuzes para todas, irmã? – perguntou Edwina, baixinho.
- Sim. – disse Kendra, séria. – Indra, por favor, vá lá em cima e traga mais capuzes.
- Certo. – disse a bruxa subindo as escadas e indo ao segundo andar da casa.
Indra voltou carregando mais cinco capuzes. Juntando com os que elas tinham, no andar de baixo, daria para todas se vestirem.
Althea distribuiu alguns candeeiros e Edwina, Nicole, Kimberly e Melissa se responsabilizaram por segurá-los.
Enquanto as onze mulheres partiam silenciosa e apressadamente para a escura floresta, as dolls e Melissa sentiam-se nervosas. Estavam num grupo bastante grande. Algumas, mais temerosas, rezavam para que a Inquisição não as flagrasse.
[- Não podem achar a gente... Meu Deus! Não podem descobrir a gente, aqui.] pensava Ashley e, surpreendentemente, Melody conseguira ouvir seus pensamentos.
Parecia que os poderes da baby doll estavam mesmo de volta ao lugar.
- Calma, Ash... – disse Melody segurando o ombro de Ashley enquanto caminhavam pela escura estrada que levava à floresta.
- Eu... Eu tô calma, Mel. – mentiu Ashley, fazendo uma expressão confusa.
[- Eu acho que não vou conseguir...] pensava Melissa, assustada.
[- Tenho muita fé nessas meninas... Elas não vão me decepcionar.] pensou Kendra.
[- Queria tanto estar com o Lewis...] pensava Nicole, aflita.
[- Nossa, tá muito escuro aqui!] pensava Jessica, preocupada.
[- Será que vou conseguir ficar invisível de novo?] pensou Kimberly, intrigada.
Foi quando Melody parou de caminhar e, cambaleando, quase caiu no chão. As outras pararam para saber o que tinha acontecido.
[- O que aconteceu com ela?] pensou Althea, nervosa.
- Melody? Você está bem? – disse Nicole, preocupada.
A baby doll estava escutando todos os pensamentos daquelas dez mulheres, ao mesmo tempo. Aquilo tinha provocado uma agonia tão intensa em sua cabeça que a estava deixando tonta.
Melody balançou a cabeça em sinal negativo e, depois, caiu no chão.
- Mel! – exclamaram algumas dolls, ao mesmo tempo.
- Ela desmaiou! – exclamou Althea, nervosa.
- Mel, acorda! – dizia Nicole dando tapinhas no rosto da amiga.
Melody abriu os olhos com uma expressão sonolenta.
- O que aconteceu com você, Mel? – perguntou Nicole, preocupada, ajudando a amiga a se sentar no chão.
- Eu... – e Melody punha a mão na testa. – Comecei a escutar os pensamentos de todas vocês e... – ela fez uma expressão de dor, enquanto a mão ainda tocava a testa. – Não conseguia me controlar. Comecei a ouvir tudo o que vocês pensavam, num ritmo muito rápido, e fiquei tonta.
- Ah, Mel, que coisa terrível! – exclamou Ashley, aflita. – Mas... Já passou né?
- Acho que sim... – disse a baby doll se levantando do chão, com a ajuda de Nicole.
- Como eu disse... Seus poderes, minhas queridas, estão aumentando cada vez mais. – começou Kendra, séria. – E vocês precisam estar fortemente preparadas para dominá-los.
Melody entendeu bem o recado. Ela sempre adorou seu poder de escutar pensamentos, mas, naquele momento, quis nunca ter tido aquele dom. A sensação de tontura fora extremamente ruim. Ela sabia que teria que ser forte para controlar seu poder e não deixar que ele a controlasse.
As onze mulheres continuaram a caminhada, em seguida. Melody parecia estar realmente mais controlada. Passado um tempo depois e elas reduziram os passos.
- Aqui está bom. – disse Kendra, séria.
Elas pararam numa parte bastante escura, na floresta, e só era possível ver a linda lua cheia, no céu, porque estavam numa espécie de clareira.
- Vamos dar início ao treinamento. – pediu Althea, calma.
- Iremos guiá-las sobre como fazer a combinação dos seus poderes. – começou Kendra. – Embora, eu saiba que vocês já fizeram esse tipo de combinação, antes.
As dolls confirmaram que sim. Lembravam dos momentos de tensão, no Egito, ao enfrentar os Elementais Negros.
- Pois bem, vamos começar. – disse Kendra numa voz firme e calma. – Ficaremos em círculo, antes de qualquer coisa.
As onze mulheres começaram a dar as mãos e, dentro de segundos, um grande círculo humano estava feito no meio da floresta.
- Fechemos os olhos, irmãs. – pediu Kendra, serena.
Todas as bruxas e as dolls fecharam os olhos. As bruxas, tranqüilas; as dolls e Melissa, nervosas.
- Procuremos sentir o ambiente... – continuou Kendra.
As dolls já sabiam como fazer isso, pois tinham treinado em seus respectivos ritos de iniciação, no dia anterior. Melissa ficou meio insegura, mas conseguiu se concentrar. Todas as onze mulheres estavam de olhos fechados, de mãos dadas e concentradas.
Melissa conseguiu sentir o vento, ali, os sons dos animais noturnos... Cerca de dois minutos se passaram.
- Muito bem. – disse Kendra, interrompendo o silêncio. – Agora, vocês seis precisam formar um círculo, juntas. – e dizendo isso, Kendra e as outras bruxas romperam a corrente humana e se afastaram, deixando que as dolls e Melissa, sozinhas, fizessem o círculo. As bruxas ficaram ao redor, observando.
- Trago um novo desafio. – disse Kendra, séria. – Desta vez, vocês terão que recitar o mesmo encantamento, as mesmas palavras...
- Se concentrem... Principalmente você, Melissa. – adiantou-se Althea, firme.
- Memorizem as palavras e repitam quando estiverem prontas. – disse Kendra. – “Neste dia e nesta hora, faremos a magia, agora. Para que nossa corrente tenha bastante rigidez; combinaremos nossos poderes de uma só vez. Invocamos nossos poderes Elementais que nos foram destinados: Terra, Água, Fogo, Ar e Espírito.”
As dolls e Melissa se entreolharam, confusas. Como iriam recitar um encantamento tão grande?
- Você pode repetir, por favor? – perguntou Kimberly, sem graça.
- Claro, minha querida. – disse Kendra, calma.
A bruxa repetiu as palavras, mais lentamente, por mais ou menos cinco vezes. As dolls e Melissa tentaram e, por fim, conseguiram gravar o encantamento.
- Prontas? – perguntou Edwina, curiosa.
- Sim. – disseram todas as dolls e Melissa, em coro, ainda de mãos dadas.
- Muito bem! Podem começar, quando quiserem. – pediu Kendra, segura.
- Não se esqueçam de fechar os olhos! – lembrou Diana, ansiosa.
Elas seguravam as mãos umas das outras, bem firme, e respiravam fundo. Nicole fez sinal com a cabeça e todas começaram o coro, fechando os olhos:
- “Neste dia e nesta hora, faremos a magia, agora. Para que nossa corrente tenha bastante rigidez; combinaremos nossos poderes de uma só vez. Invocamos nossos poderes Elementais que nos foram destinados: Terra, Água, Fogo, Ar e Espírito.”
Um vento mais forte passou por ali, mas aparentemente nada havia acontecido. Melissa sentia seu coração batendo bem forte.
- Nada... – murmurou Ashley, cabisbaixa, abrindo os olhos. As outras fizeram o mesmo.
- Esse encantamento só funcionará quando todas vocês estiverem suficientemente concentradas. Cada uma de vocês é como um elo dessa corrente... – começou Kendra, séria. – Se um elo estiver fraco, a corrente se parte.
Melissa sentiu que o problema deveria ser com ela.
- Meninas... – murmurou Melissa, nervosa. – Sou eu... Eu sou o elo fraco da corrente.
- Mel, não fala isso! – exclamou Nicole, preocupada. – Todas estamos aqui para te ajudar a descobrir melhor os seus poderes; para nós aprendermos a controlar os nossos; e para ajudarmos a não acontecer a premonição da Ashley.
- É, eu sei... – disse Melissa sorrindo torto.
- Fique calma, Mel. – pediu Melody. – Todas nós também ficamos nervosas, tensas... É normal.
- Eu mesma estou sempre preocupada. – admitiu Ashley. – Sei que a tarefa de ter a premonição sobre Megan e sobre a Inquisição depende de mim...
- Viu só? – disse Nicole, sorrindo. – Todas nós ficamos inseguras com tudo isso, mas é normal. O que precisamos fazer é nos concentrarmos ainda mais.
- É, Nic... Vocês têm razão. – concordou Melissa, séria.
- Vamos tentar outra vez. – pediu Nicole, olhando para cada uma das dolls.
Melissa se agarrou firme em seus pensamentos. A imagem do seu primeiro beijo com John lhe veio à mente e a ajudou a ficar mais concentrada. Depois, veio a imagem de seu pai sorrindo. Eram as lembranças que Melissa precisava para se sentir mais forte.
As dolls e Melissa recitaram o encantamento da combinação de poderes mais uma vez e, de novo, nada parecia ter acontecido. As bruxas, porém, tinham percebido que algo estava diferente. As dolls e Melissa, de mãos dadas e de olhos fechados, começavam a flutuar, sem sentir, e ficaram a pouco mais de cinqüenta centímetros do chão.
- Fantástico! – exclamou Indra, baixinho, admirando a cena.
As dolls e Melissa abriram os olhos e sentiram, só agora, que seus pés já não tocavam mais o chão.
- Continuem se concentrando. – pediu Kendra. – Firmes!
Jessica começou a sentir uma sensação estranha vinda de dentro do coração. Parecia que já havia sentido aquilo, mas não tinha certeza. Do peito de Jessica, uma forte luz verde, em formato esférico, foi emitida e, flutuando, pairou sobre as cabeças delas.
- Uau! – exclamou Jessica, nervosa.
Em seguida, o mesmo aconteceu com Ashley. De dentro dela, uma bola de luz azul, bem brilhante, saiu e pairou sobre elas. Melody emitiu uma bonita bola de luz vermelha; Kimberly, lilás e Nicole, branca. Elas lembravam quando haviam feito algo parecido, numa tumba do Egito. A diferença, porém, era a presença de Melissa. O cristal de Etafa, no pescoço de Nicole, parecia brilhar.
As cinco bolinhas coloridas pairavam, flutuando, sobre as dolls e de Melissa, que até agora não havia emitido seu poder. Será que a combinação seria completada? Melissa começou a sentir um enorme formigamento no corpo todo. Parecia que estava sentindo câimbra. Ela mantinha os pensamentos em seu pai e em John. Para a sua surpresa, e a de todas, de dentro de Melissa saíram cinco bolinhas de luz, em tamanhos menores que as das dolls. Cada bolinha apresentava uma cor ligada aos poderes Elementais: verde, azul, vermelha, lilás e branca. O cristal de Etafa flutuava, também, ainda preso à corrente, no pescoço de Nicole. A constante agitação do cristal significava que ele estava ajudando às dolls, naquele momento, com seu grande poder.
As bolinhas, menores, flutuaram e se encontraram com as outras, emitidas por cada uma das dolls. Dez bolinhas coloridas, duas de cada cor, flutuavam sobre as cabeças das dolls e de Melissa até que, surpreendentemente, começaram a se unir e a formar uma só bola luz, branco-amarelada, ofuscante e grande. Essa intensa bola, que continha poderes de todos os elementos, causou uma rápida explosão, embora inaudível, no ar. Parecia um fogo de artifício que acabava de estourar. As dolls e Melissa já pisavam o chão outra vez.
Kendra puxou as palmas e as outras bruxas acompanharam aplaudindo.
- Simplesmente perfeito! – exclamou Kendra.
- Estou sem palavras... – balbuciou Indra, emocionada. Seus olhos lacrimejavam.
- Estão se sentindo bem? – perguntou Althea, animada.
Só então as dolls e Melissa pararam para se perguntar. Não estavam se sentindo bem, estavam se sentindo incrivelmente ótimas. A combinação dos poderes parecia ter dado mais confiança, determinação e força para cada uma delas. Até Melissa, antes, insegura, agora, apresentava bastante tranqüilidade em seus pensamentos.
- Estamos ótimas. – respondeu Nicole, por todas.
- Maravilha! – disse Diana, orgulhosa.
- Usem a combinação dos poderes quando sentirem que precisarão enfrentar algo mais grandioso... – disse Kendra, vagamente. Estaria a bruxa se referindo à Inquisição?
- Bom, vocês completaram o treinamento muito rápido. – disse Indra, sorrindo. – Portanto, já podemos voltar para casa.
- Acho que... – começou Nicole, pensativa. – Nós devemos partir amanhã, bem cedo. O que acham?
- Está bem, querida. – concordou Kendra. – Só espero que voltem em breve. Ainda precisamos fazer os ritos de iniciação com Melissa. Ela precisa fazer todos os cinco ritos que vocês fizeram, individualmente. Melissa tem os cinco poderes Elementais e precisa fazer isso.
- Certo. – concordou Nicole.
- Vai ser ótimo. – disse Melissa, confiante.
- Vamos andando, minhas queridas. – disse Kendra, animada.
As onze mulheres, que escondiam um mágico segredo dos outros habitantes da vila, caminhavam sob a luz da lua. Estavam mais confiantes do que nunca. Aquele encantamento de combinação dos poderes fizera bem a todas. Ashley sentia-se mais relaxada para ter suas premonições e Melissa, mais calma com relação aos seus poderes. Tudo parecia estar voltando ao seu lugar...
Em Nova Iorque, no futuro, fazia exatamente duas horas e meia que as dolls tinham saído de lá. Por sorte, o telefone não havia tocado uma vez sequer. Ninguém tinha procurado pelas dolls.
- Ai, ai, ai... – dizia Leo, impaciente.
- Quase três horas já e nada. – resmungava Gabriel, preocupado.
Para surpresa dos dois, a campainha da casa tocou.
Os dois se entreolharam, assustados.
Leo se adiantou e checou no olho mágico, na porta, para ver quem era.
- Caramba! – sussurrou Leo, boquiaberto. – É o Lewis!
- E agora? – sussurrou Gabriel, nervoso.
- Eu sei que vocês estão aí... – dizia Lewis, rindo, do outro lado da porta. – Abram, meninas! Sou eu o Lewis. Os seguranças não avisaram minha chegada porque já me conhecem, claro...
Eles não responderam.
- Dá pra ver a sombra de vocês embaixo da porta. – continuou Lewis, sério.
Leo e Gabriel faziam caras assustadas.
- O que a gente faz? – perguntava Leo, baixinho.
- Não podemos deixar ele entrar. – disse Gabriel, nervoso.
- Vamos enrolando ele, lá fora, e rezar pra que elas voltem logo. – disse Leo, tenso.
Ao abrir a porta, Leo encontrou Lewis, já impaciente.
- Ah, vocês também estão aqui?! – exclamou o piloto.
- Pois é... – disse Leo encostando a porta, assim que ele e Gabriel saíram de casa.
- O que foi? – perguntou Lewis, confuso.
- Nada, nada... – mentiu Gabriel. – É que...
- As dolls estão ensaiando. – mentiu Leo, por fim.
- Ensaiando? – disse Lewis, confuso. – Mas a turnê delas já acabou, estão de férias.
- Isso! Justamente... Estão ensaiando uma coreografia de uma música nova. – mentiu Gabriel, desajeitado.
- Hum... Entendi. – disse Lewis querendo entrar na casa. Leo e Gabriel o barraram.
- O que é? – perguntou Lewis, confuso. – Não posso nem entrar?
- Não! – exclamaram os dois, juntos.
- Quer dizer... É que elas pediram pra gente que... – começou Leo, nervoso.
- Não era pra ninguém atrapalhar o ensaio delas. – terminou Gabriel. – Elas estão na sala de dança e querem total privacidade.
Lewis revirou os olhos, impaciente.
- Olha, se vocês querem ficar aqui fora, tudo bem. – disse Lewis, sério, cruzando os braços. – Mas eu vou lá falar com a Nicole.
- Calma, Lewis... Espere. – Leo engolia em seco, preocupado.


Continua no próximo capítulo...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

CAP.23 - FORASTEIRAS

Assim que Nicole retornou à casa das bruxas, na companhia de Kendra, encontrou as outras dolls, Melissa e as outras bruxas a sua espera. Nicole estava cansada, assim como algumas dolls. Naquela noite, as dolls haviam exercitado seus poderes e, fantasticamente, tinham conseguido obter resultados satisfatórios nos rituais de iniciação.
- E aí? Como foi? – perguntava Melissa, curiosa, assim que Nicole entrou na casa.
- Consegui. – respondeu a doll, tensa. – Mas não tanto quanto eu gostaria...
- Nicole ainda está aprendendo a usar sua projeção astral... Isso requer mais treino. É normal. – adiantou-se Kendra despindo seu capuz.
- Acho que já passamos da hora de irmos dormir. – disse Althea, preocupada.
- Concordo, irmã. – disse Prudence ajeitando os cabelos.
- Amanhã será mais um longo dia. Faremos outra sessão de treinamentos, mas desta vez, com todas vocês juntas. – disse Kendra olhando para cada uma das dolls. – E incluindo você, mocinha. – e ela olhou para Melissa.
- E-eu?! – Melissa espantou-se. – Mas eu nem sei controlar meus poderes e...
- Aprenderá, querida. Com certeza, aprenderá. – concluiu Kendra, sorrindo.
- Eu e Willa partiremos assim que o sol nascer. – disse Prudence. – Não queremos que ninguém desconfie de nosso sumiço, na vila.
- Pois é... Se vocês morassem, aqui, nesta casa... – disse Althea, pensativa.
- Mas não poderíamos deixar nossas funções na vila. – disse Willa, séria. – Somos as únicas parteiras desta região. Algumas pessoas acham estranhos os nossos rituais e as ervas que usamos, mas dizemos que é tudo uma questão de costumes herdados.
- Mas há quem diga que somos bruxas... Alguns suspeitam. – concluiu Prudence, sarcástica, fazendo uma cara engraçada.
Todas riram na hora. As parteiras dessa época, embora acusadas de bruxaria, eram respeitadas pela população, que não tinha sequer hospitais para conduzir os partos, feitos dentro das próprias casas. As parteiras em questão, Willa e Prudence, eram, de fato, bruxas, mas o mesmo não se podia dizer de outras parteiras das outras vilas...
No dia seguinte, pela manhã, as dolls e Melissa acordaram bastante cedo e, na companhia de Althea, resolveram dar uma volta pelo comércio da pequena vila.
- Mas não demorem muito. – alertou Kendra, séria. – Lembrem-se que a Inquisição suspeita quando muitas mulheres andam, juntas, em grupo e...
- Teremos cuidado, irmã. – adiantou-se Althea pegando duas cestas vazias, que seriam destinadas às compras no comércio. – Só as levarei para conhecer um pouco a vila.
As sete saíram pela floresta e depois de cerca de dez minutos caminhando, avistavam a pequena vila camponesa. A vila era humilde, mas incrível. De longe, se avistavam os casebres e as casas mais sofisticadas, poucas. Também podia se ver muitas barracas montadas, o que indicava que era o dia da feira. As dolls avistaram, também, o bonito castelo que viram na primeira vez que foram ao passado e, também ao longe, uma grande igreja.
- Vamos! – disse Althea, animada. – Pra evitar qualquer confusão, vamos nos dividir em dois grupos, tudo bem?
As dolls e Melissa concordaram que sim.
- Somos sete... Hum... – dizia a bruxa, pensativa. – Melissa e Jessica, venham comigo. Vocês, quatro, fiquem juntas. – disse ela olhando para Nicole, Kimberly, Ashley e Melody.
Enquanto Althea, Melissa e Jessica andavam por algumas barracas, as outras quatro dolls passeavam pelo campo em volta da vila. Algumas pessoas cochichavam quando Althea passava por elas.
- Quem são essas, Althea? Forasteiras? – perguntou uma senhora gorda e baixinha com uma feição um tanto rabugenta.
- Sim, são minhas primas. – respondeu a bruxa, seca.
- E aquelas outras, ali? Também nunca as vi, aqui, na vila. – disse a gorda, apontando na direção das quatro dolls, longe dali.
- É... Eu... Bom... – Althea se atrapalhou. – Não as conheço também. – mentiu ela e, em seguida, deu de ombros.
O passeio pela vila continuou aparentemente normal, embora, de vez em quando, algum morador viesse perguntar a Althea quem eram as tais moças novas. Após muitas indagações, porém, os habitantes pareceram não se incomodar com a presença das dolls e de Melissa. Mas será que todos os habitantes não ligariam realmente para isso?
- Já comprei verduras fresquinhas para o almoço de hoje. – disse Althea, feliz, entregando duas cestas para Jessica e Melissa segurarem. – Vamos embora.
- E como vamos avisar às outras meninas? – perguntou Jessica, aflita.
- Vamos indo... – concluiu Althea. – Assim que elas nos virem andando, elas nos seguirão. Tenho certeza disso.
E foi isso o que aconteceu: as três saíram andando em direção à estrada que dava início à longa caminhada para a vila fantasma. Em menos de três minutos, as quatro dolls pegaram o mesmo caminho e, logo, se encontraram com as outras.
- Uh! Achei que vocês iam embora sem a gente! – dizia Melody, ofegante. Pelas expressões das quatro dolls dava a entender que elas tinham acelerado bastante os passos para poder alcançar Althea, Melissa e Jessica.
Althea sorriu e concluiu:
- Minhas queridas, me perdoem. – e ela pôs a mão no coração. – Eu só fiz isso para despistar qualquer um que estivesse nos espionando e...
- Entendemos você. – adiantou-se Nicole. – Por sinal, a gente sentiu que tinha umas pessoas que olhavam toda hora em nossa direção.
- Vamos andando. – disse Althea, preocupada, olhando em volta. – Vamos conversando enquanto caminhamos.
Enquanto as sete caminhavam pela deserta estrada, nem notaram, mas um cavaleiro (vestido com armaduras dessa época medieval) as observava de longe. Quem seria aquele misterioso homem?
- Engraçado... – começou Ashley olhando para os lados, mas não virando-se totalmente a ponto de ver o cavaleiro. – Sinto que tem alguém nos observando.
Todas pararam ao ouvir Ashley dizer aquilo. Foi quando Althea virou-se e, enfim, viu o cavaleiro que cavalgava, lentamente, na direção delas.
As dolls e Melissa ficaram boquiabertas, assustadas, enquanto Althea mantinha a expressão séria.
- Althea, temos que correr! – exclamou Nicole, nervosa. Seu coração batia depressa.
- Vamos fugir! – anunciou Melody, tensa.
As dolls e Melissa ainda não entendiam a reação de Althea: a bruxa continuava parada. Seu olhar demonstrava um misto de curiosidade, ansiedade e medo.
O cavaleiro foi se aproximando cada vez mais das sete mulheres e, para surpresa de todas (ou quase todas), ele tirou o elmo da cabeça, revelando um bonito homem cujos cabelos negros levavam alguns fios grisalhos. Ele desceu do cavalo, mas não empunhou a espada para elas.
- Anthony! – exclamou Althea numa voz trêmula.
Althea e o cavaleiro correram um em direção ao outro e, surpreendentemente, se envolveram num apertado abraço e, em seguida, num longo beijo.
As dolls e Melissa se entreolhavam, boquiabertas, estranhando aquela cena. Althea e o cavaleiro estavam se beijando.
- Anthony, eu tive tanto medo... – disse a bruxa acariciando o rosto do amado.
- Eu disse que conseguiria me sair bem. – adiantou-se ele afagando os cabelos dela. – Ninguém suspeitou de nada.
- Graças a Grande Deusa! – e ela olhou para os céus, ainda abraçada com o cavaleiro.
Uns segundos depois, Althea pareceu se lembrar de que havia mais gente, ali, olhando a cena: as dolls e Melissa.
- Oh! – disse ela se afastando do cavaleiro. – Me perdoem, meninas! Não fiz as devidas apresentações...
- Sim, meu amor... Eu já ia te perguntar quem eram essas belas moças. – disse o cavaleiro educadamente.
- Podes não acreditar, querido... – começou Althea, animada. – Mas essas lindas jovens vieram do futuro só para nos ajudar.
Anthony parecia confuso, incrédulo e admirado ao mesmo tempo.
- Do fu-futuro? – ele pôs a mão na cabeça, assustado. – Isso é possível, meu bem?
- Sim, querido. Graças à magia! – exclamou Althea, enérgica.
- Althea... – começou Nicole, depois de dar um longo suspiro. – Me desculpe, mas... Este rapaz é um cavaleiro e, pelas roupas e símbolos que ele traz na roupa, parece que vem daquele castelo e...
- Será que ele é mesmo confiável ou só usando você pra dedurar a Irmandade à Inquisição? – Melody interrompeu Nicole, fazendo de uma vez a acusação que Nicole queria começar a fazer. A baby doll havia cruzado os braços, o que dava a ela um ar de superioridade, mesmo sendo baixinha.
- Oh, não, não! – apressou-se Althea em dizer. Ela abraçou o cavaleiro na hora. – Anthony e eu... – e ela enrubesceu - Nós vivemos juntos há alguns anos, mas claro que ninguém sabe de nós, exceto minhas irmãs bruxas...
- Antigamente eu era um dos cavaleiros que, junto à Inquisição, assaltava as casas em busca de mulheres acusadas de bruxaria. – e Anthony parou de falar por um momento. Seus olhos se enchiam de lágrimas. – Eu... Fui muito mau, levei muitas mulheres à morte até que... – ele parecia não conseguir mais falar, estava muito emocionado.
- Até que um dia, quando eu ainda morava em outra casa, mais perto da vila, Anthony veio em sua cavalaria e assaltou nossa casa. – começou Althea relembrando o episódio. – Eu morava sozinha, na época, e soube através de uma premonição de Diana, que viriam atrás de mim, por isso, me escondi no alçapão.
- Só que... – disse Anthony enxugando as lágrimas do rosto. – Enquanto meus companheiros procuravam em outros cantos da casa, eu achei a passagem secreta e consegui encontrar Althea.
Ninguém falava no momento.
- Mas ao vê-la, ali, escondida... Fiquei admirado com tamanha beleza... Althea estava tão encolhida, com medo da morte que sabia que se aproximava dela... Senti o medo estampado em seus olhos e tive compaixão: fechei a porta do alçapão e menti aos meus companheiros, dizendo que não havia ninguém naquela casa. – concluiu Anthony. – Meu amor por Althea foi à primeira vista... Sabia que teria que viver com aquela mulher, sabia que ela seria minha assim como eu seria seu...
- Que lindo! – exclamou Ashley quase chorando.
- Incrível história! – concordou Melody, empolgada.
- Desde aquele dia, então, Anthony continua nas missões da Inquisição, porém, ajudando muitas bruxas a escapar. Ele é uma espécie de espião. – disse Althea, orgulhosa.
- Vocês devem ir agora. – pediu ele, cortando o clima de alegria. – Ouvi pessoas comentando na vila sobre algumas forasteiras que foram vistas hoje e...
- Oh não! – exclamou Althea, nervosa.
- Fique tranqüila, meu amor. – disse Anthony segurando as mãos dela. – Já me assegurei de que essa conversa não chegue aos ouvidos da Inquisição. Mas voltem para casa. Não devem ser vistas andando em um grupo tão grande assim...
Althea e Anthony se beijaram mais uma vez. Um beijo longo, de um casal que acabava de se reencontrar após dias...
- Agora, vão! – pediu ele.
- Que a Grande Deusa continue te orientando, meu querido! – pediu Althea.
Ele fez que sim com a cabeça, subiu no cavalo e partiu, enquanto as dolls, Melissa e Althea continuaram seguindo viagem pela estrada que as levaria para a Vila Fantasma.
Na hora do almoço, as dolls saborearam um delicioso banquete preparado pelas bruxas. As verduras compradas naquela manhã tinham sido usadas na preparação do almoço.
- Quero que descansem bastante depois do almoço. – dizia Kendra servindo-se da apetitosa comida.
- É verdade, irmã. – concordou Althea. – Elas precisam estar bem descansadas para o treinamento que faremos à noite.
- Exatamente. – disse Indra, ansiosa. – Será um treino muito importante, pois vocês aprenderão a combinar seus poderes.
- Ah! – exclamou Kimberly – Já fizemos isso no Egito...
- Pois bem, precisam aperfeiçoar, ainda mais, esse tipo de magia. – concluiu Kendra. – A combinação de poderes é algo extremamente valioso, quando feito exatamente certo.
Assim que as dolls e Melissa terminaram de almoçar, subiram para o quarto em que estavam hospedadas e cada uma deitou na sua cama.
- Nossa! Acho que comi demais! – disse Melody alisando a barriga.
- Eu também exagerei um pouco... – confessou Kimberly, rindo.
- Eu não comi muito... – revelou Melissa. – Tô muito nervosa com esse treinamento de hoje...
- Ah, Mel, fica calma! – disse Ashley se levantando da sua cama e indo até a cama em que Melissa estava deitada. – Eu também sempre fico nervosa, mas o certo é a gente relaxar. Se ficarmos nervosas, do que adianta?
Melissa deu um longo suspiro e concluiu:
- É, Ash... Você tem razão. Vou tentar me acalmar e dormir um pouco.
- Isso! – aprovou Nicole. – Vamos todas tirar uma boa soneca para que mais tarde, estejamos bem descansadas e preparadas para usarmos nossos poderes.
E depois disso, as dolls e Melissa foram dormir. Tentavam manter a calma, porém, a ansiedade, para que a noite chegasse logo, era inevitável...


Continua no próximo capítulo...