Chegando ao hotel, bem mais inferior do que o que as doll estavam, em níveis de instalação e serviços, os três foram diretamente para o quarto de Martha. Ela tinha feito questão de ficar hospedada sozinha em um quarto e no outro, colocar Gabriel e Thomas.
Gabriel a colocou na cama e depois lhe deu água.
- Está se sentindo melhor? – perguntou ele.
- Sim.
- Martha, o que deu em você lá na tumba?
- Eu… Eu não sei. Eu só me lembro de estar abrindo a arca e depois, estava deitada no chão, olhando pra você…
- Acho que você foi possuída por alguma coisa lá na tumba…
Thomas fazia apressadamente o sinal da cruz.
- Pare de inventar bobagens!Deve ter sido o abafamento e a poeira que me fizeram desmaiar. – disse ela tomando mais um gole d’água.
- Martha, eu não estou mentindo!Você abriu a arca e saiu luzes negras de dentro que atingiram você e depois surgiram duas mulheres e dois homens estranhos e…
- Calado!Quero dormir agora!
- Mas nem almoçamos ainda e…
- Se quiser almoçar, vá com o Thomas!Me deixe dormir!Andem!Dêem o fora daqui! – disse ela quase gritando.
Assim que Gabriel bateu a porta, Thomas olhou para ele com uma cara assustada.
- Acho que ela já está melhor… Está nos tratando mal! – disse Gabriel.
Thomas riu e em seguida falou:
- Senhor, o senhor viu aquilo tudo lá não é?
- Claro, Thomas.
- Ufa!Pensei que estivesse ficando maluco!
- Foi tudo verdade. Aconteceu aquilo mesmo e o pior é que ela não está se lembrando disso.
- É mesmo. E ainda diz que nós estamos inventando essa história.
- Mas uma hora ela vai ter que se lembrar de tudo. Vamos almoçar. Já tá na hora.
E os dois desceram para o humilde restaurante do hotel onde iriam almoçar.
No dia seguinte, pela tarde, as dolls voltaram à pirâmide com Leo para tentar ver se achavam a arca. Depois de procurarem por quase duas horas seguidas no local onde ocorrera o desabamento, eles desistiram.
- Desisto! – disse Melody arfando. – Já estou cansada!
- Só você? – disse Ashley sentando no chão.
- Gente, essa arca não está em canto nenhum. – disse Jessica suspirando.
- Não é possível! Quase não vem ninguém nessa pirâmide… – disse Leo pensativo. – É muito estranho ter sumido assim…
- Mas foi bem aqui que a arca sumiu. – dizia Nic olhando para o chão.
- Não tem jeito… Acho que a perdemos mesmo. – disse Kim.
- Acho melhor irmos embora, pois já está anoitecendo. – disse calmamente Leo. – Eu pretendo voltar aqui depois pra procurar com mais calma.
- Pior é que depois de amanhã nós temos que ir embora. – disse Nicole.
- É mesmo! – disse Jessica.
- Então… Nós vamos voltar pra casa sem a arca? – perguntou Ashley intrigada.
- Provavelmente… – disse Melody suspirando.
- Meninas, não desanimem assim!Calma! – disse Leo. – Vamos voltar pro hotel e lá conversamos melhor sobre o que faremos a respeito.
Todas concordaram e eles seguiram pro hotel. Para Daniel ainda era tudo muito complicado. Ele estava completamente apaixonado pela Kimberly e agora descobrira que tanto ela quanto as outras tinham poderes. Ele já tinha decidido que iria falar com a Kimberly sobre o que ocorrera na pirâmide, mas não sobre os poderes e sim sobre o beijo.
Assim que as dolls e Leo chegaram ao hotel, se depararam com Daniel esperando por eles ansiosamente no saguão de entrada.
- Oi. – disse ele. – E então? A arca?
- Nada. Não achamos… – disse Nicole.
- Foi uma pena que eu não pude ir. Teria ajudado a procurar também, mas já tinha prometido ao pessoal que iríamos fazer umas pesquisas em outro local hoje e então… Não poderia desmarcar assim do nada senão ficaria muito suspeito… – disse Daniel muito certo do que falava.
- Você fez bem. O segredo das meninas tem que estar mantido em total segurança. – disse Leo muito sério.
- Bom… – começou Daniel meio envergonhado. – Eu também estou aqui por que… Queria falar com você, Kim.
Na hora todos olharam para ela que ficou envergonhada também.
- O que foi? – disse ela fingindo não saber do que se tratava.
- Quero falar com você a sós. – disse ele olhando fundo nos olhos dela.
- Tudo bem, pessoal. Vamos indo então. – adiantou-se Leo em dizer.
- Hum… Tá rolando alguma coisa aí viu? – comentou Melody baixinho para Ashley.
Eles seguiram para o hall dos elevadores enquanto Kim e Daniel continuaram parados no mesmo lugar onde estavam.
Os dois continuavam parados e ninguém dizia nada até que ele se manifestou:
- Preciso que venha comigo. Quero falar com você.
- Por que não pode ser aqui? – perguntou ela meio áspera.
- Preciso que seja em outro lugar, mais reservado.
- Tudo bem então. – disse ela meio irritada.
Daniel foi dirigindo até o restaurante onde eles jantaram no primeiro dia que chegaram de viajem. No meio do caminho, Kimberly não deu uma só palavra. Ele até insistia em conversar, mas ela ou concordava que sim ou negava com a cabeça.
Eles ficaram em uma mesa no canto, o mais reservado possível.
- Então… O que você quer? – disse Kimberly fingindo ler o cardápio e nem sequer olhou para ele quando disse isso.
- Me desculpar com você. – disse ele pegando na mão direita dela.
Ela imediatamente tirou a mão dele.
- Kim, não fica assim comigo! – disse ele com uma voz meio triste.
- Você me beijou, Daniel!E você sabe que eu tenho namorado. – disse ela séria.
- Eu sei, eu sei. Mas é que eu sou apaixonado por você. Eu realmente amo você.
Kimberly ficou sem saber o que dizer. Aquilo tudo estava a deixando confusa. Ela apenas deu um longo suspiro e começou:
- Olha… Se eu não tivesse namorando um cara tão legal como o Gabriel é e tudo mais, com certeza poderíamos namorar. Você é um cara bonito, inteligente, tem um jeito legal de ser… Acho você incrível, mas… Você não disse que também tinha namorada?
- É… Foi mentira.
- Hum… Entendo.
- Olha… A gente só consumiu duas águas até agora… Acho que não vamos ter mais nada pra conversar depois disso né?
- Também não precisa ser assim, Daniel. Não é por que a gente não pode namorar que também não podemos ser amigos.
- Hum…
- Eu gosto de você… Mas… Só podemos ser amigos né?E eu faço questão de ter sua amizade.
Daniel forçou um sorriso. Ele iria aceitar, lógico, ser amigo da Kim, mas o que ele queria mesmo era tê-la como namorada.
Os dois ficaram o resto da tarde conversando sem parar. Trocaram várias experiências engraçadas e complicadas também enquanto provavam pratos deliciosos do restaurante.
Já era quase noite quando os dois voltaram pro hotel. Kimberly saiu do carro e se despediu dele dando-lhe um beijo no rosto. E depois, ele seguiu para o outro hotel onde ele e os outros arqueólogos estavam hospedados.
Assim que Kimberly entrou no seu quarto, lá estava Melody ouvindo música no seu iPod enquanto lia uma revista.Mas Melody deveria somente estar aguardando a amiga chegar,pois assim que ela viu Kim passando para o banheiro,jogou a revista pra cima e correu na direção dela.
- Kim!Me conta tudo!Vai!Por favor… – dizia Melody quase pulando ao redor da loura.
- Calma!Não teve nada de mais… A gente só conversou sobre o beijo e…
- BEIJO?Que beijo?
Nessa hora que Kimberly foi se dar conta de que não tinha contado a ninguém sobre o beijo que tinha acontecido no dia anterior.
- Ele me beijou ontem, quando eu fiquei presa na tumba…
- Oh Meu Deus do céu!E você nem me contou?!
- Não queria contar pra ninguem… E, aliás, vê se você fica de bico calado!
- Claro… Mas me conta mais… Então ele te beijou e ai…
- E aí que não teve nada de mais, eu já disse. Foi só. E hoje ele tava querendo se desculpar por isso…
- Oh!Coitadinho… Ah Kim, ele é mais bonito que o Gabriel… Eu se fosse você ficaria com ele…
- Mas não é!
- Calma!Eu só estava comentando…
- Sei… E então, o Leo falou mais alguma coisa sobre a arca?
- Ele disse que não vai voltar com a gente depois de amanha, pois ele vai ficar mais uns dias procurando pela arca.
- Hum… Espero que ele encontre…
E as duas ficaram conversando por um bom tempo até que anoiteceu. As dolls terminaram decidindo ir jantar no mesmo restaurante que Kimberly tinha ido com Daniel. Ela nem acreditava que iria ali novamente. Duas vezes num mesmo dia!
Elas sentaram numa mesa bem no centro do restaurante. Dali, Kimberly olhava para a mesa do cantinho, onde ela e Daniel tinham ficado conversando a tarde inteira. De repente, a doll se pegou pensando no rapaz. No seu jeito de ser, no modo de falar, de se vestir…
- Você acha melhor este prato ou esse? – perguntava Ashley, apontando no cardápio, para Kimberly.
A doll não respondeu. Estava viajando nos seus pensamentos.
- Kim!Acorda! – disse Ashley quase gritando enquanto cutucava a amiga.
- Ah!Oi, Ash. Que foi? – perguntava ela como se estivesse acordando.
- Eu tava querendo saber qual desses dois pratos você prefere.
- Hum… Tanto faz…
- Que é que você tem? – perguntou Jessica.
- Nada. Estou… Com um pouco de sono… – mentiu Kimberly.
- Não dormiu um pouco de tarde? – perguntou Nicole.
- Não… Eu saí e cheguei já quase no fim da tarde…
Melody deu uma risadinha.
- O que foi, Mel? – perguntou Ashley.
- Nada… – disse ela tentando disfarçar a risada.
E o jantar foi maravilhoso. As dolls estavam curtindo a penúltima noite ali no Egito com bastante entusiasmo.
Enquanto isso, um pouco distante dali, Martha, Gabriel e Thomas estavam reunidos no hotel em que estavam hospedados. Estavam no quarto de Martha.
- Então… Agora que temos a arca… Podemos ir embora daqui não é, meu amor? – disse Gabriel forçando para chamar Martha de “meu amor”.
- Não… Você esqueceu que só temos essa arca idiota?O que eu quero é o que provavelmente deve estar nas mãos das Pussycat Dolls: o cristal.
- Mas você não disse que com a arca, poderíamos descobrir um tesouro. Você até falou que a arca era composta de vários códigos que serviam como uma espécie de mapa…
- Eu sei o que eu disse!Não precisa me lembrar!Mas… É que não é tão fácil assim como parece… Eu não consigo interpretar esses símbolos.
- Sério?E eu achava que você era formada em Arqueologia…
- Era. Já faz muito tempo. Não me lembro de absolutamente nada. E sabe o que mais?Não tenho de ficar dando satisfações a você! A propósito, nosso plano em questão agora é continuar vigiando as dolls e tentar roubar o cristal delas.
- Mas e se elas conseguirem roubar o tesouro antes de nós? – proclamou Thomas. Naquele momento ele ate se arrependeu de não continuar calado.
- Não, seu idiota!Se arca está conosco, como elas conseguirão procurar o tesouro? – disse Martha irritadíssima.
- Desculpe, madame. – disse ele com a cabeça baixa.
- Thomas, trate de se retirar! – ordenou ela.
- Sim, senhora. – e ele saiu do quarto.
- Martha, querida… Sei que você não gosta muito quando eu toco neste assunto, mas… Você não se lembra mesmo de nada do que aconteceu ontem?Eu ainda sinto calafrios quando me lembro de você falando em outra língua e aqueles monstros, sei lá o que, surgindo…
- Gabriel, querido… Assim que chegarmos de viagem, procurarei um médico para você… Essas alucinações e calafrios que você anda tendo não deve ser coisa boa… – disse ela com um sorriso sarcástico no rosto.
- Mas Martha… É verdade. Aconteceu isso tudo e…
- Chega!Toda hora você me vem com essa conversa sem graça… Me poupe!
- Mas querida…
- Cale a boca!E saia do meu quarto!Agora!
- Martha…
- A-go-ra!
- Tudo bem então…
Ele saiu do quarto de Martha e foi para o outro quarto onde ele e Thomas estavam hospedados.
- Thomas… – começou Gabriel quando entrou no quarto.
- Sim, senhor?
- Nós temos que fazer alguma coisa para a Martha acreditar em nós. Aquilo tudo aconteceu e ela não se lembra.
- É.E ela está pensando que nós estamos malucos.
- É verdade. Pelo menos nós dois sabemos que tudo realmente foi verdade.
- Sim.
E logo em seguida foram se deitar enquanto as dolls ainda se divertiam no restaurante.
Nessa mesma noite, Martha teve um sonho. O sonho mais real que ela já teve na vida. Ela podia sentir tudo o que acontecia no sonho, como se estivesse mesmo acontecendo naquele momento.
Martha estava na tumba e os quatro cavaleiros ao seu redor. Ela conversava na mesma língua de sempre e eles concordavam com a cabeça. Só que dessa vez, ela conseguia entender o que ela falava e o que eles falavam.
- Precisamos derrotar as Elementais! – dizia ela segurando a arca nos braços.
- Sim. – todos concordavam.
Em seguida, Martha acordou. Ela respirava freneticamente.
“Meu Deus! Que sonho mais estranho…” pensava ela no momento enquanto olhava fixamente para a arca, que estava em cima de uma mesinha perto da cama.
Nenhum comentário:
Postar um comentário