CAP.16 – DESCOBERTAS E FRUSTRAÇÕES
No dia seguinte, Martha acordou com uma enxaqueca horrível. A dor de cabeça foi tanta que a megera terminou dormindo de novo. Gabriel já tinha se despedido de Thomas. Ele resolveu ir logo para o aeroporto, mesmo que só fosse viajar pela tarde. Ali estaria mais seguro de Martha. Ele já havia comprado a passagem para as duas horas da tarde e ainda eram oito da manhã.
Gabriel não pôde voltar para Nova Iorque no dia anterior e como Kimberly não conseguia falar com ele, ela estava bastante preocupada. Logo pela manhã, a loura foi pedir ajuda a Ashley.
- Ash… Faz uma premonição pra mim vai… Por favor. – pedia Kim.
- Kim. Eu não sei como controlar isso, mas acho que se você me der o bracelete de novo, quem sabe eu não tenho uma visão né?
- Hum… É verdade. Toma. – a doll deu o bracelete para Ashley.
Ashley segurou o bracelete e fechou os olhos. Ela então começou a ver nitidamente Gabriel sentado e lendo uma revista… No aeroporto do Egito. Ashley acordou tão assustada da sua visão que de suas mãos saíram jatos d’água que rapidamente encharcaram o bracelete.
- Hei!Você molhou meu bracelete todo! – gritou Kimberly.
- Desculpa, Kim. Nossa!Eu lancei água com as mãos. Nem acredito! – disse Ashley vibrando.
- Que poder mais… Molhado esse seu! – brincou Kimberly enxugando o bracelete na blusa. – E então?Viu alguma coisa?
- Eu… eu…Não… – mentiu Ash.
- Tem certeza?
- É… Se eu falasse você não iria acreditar mesmo…
- O que você viu?
- Vi ele… No aeroporto do Egito!Eu sei, eu sei… É impossível.
- Você só pode ta brincando. Primeiro você disse que viu ele no Egito e agora, no aeroporto. Ash… Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira, Kim!Foi a minha visão…
- E se for uma visão de um futuro bem distante e não do presente? – insistiu Kim.
- É… Pode ser né? – disfarçou Ashley. – Você já procurou o Gabriel?
- Não. Não consigo falar com ele desde ontem…
- Nossa!Já foi no trabalho dele?
- Não. Ele me disse que não era pra eu procurar ele no trabalho porque o chefe odiava que os funcionários recebessem visitas em horário de expediente.
- Ah… Mas é por uma boa causa. E além do mais, você é uma Pussycat Doll! O chefe não vai reclamar, vai aceitar na boa.
- É. Você tem razão. Vou lá.
Kimberly pegou a bolsa, deu mais uma ajeitada no cabelo e saiu para ir à pizzaria que (falsamente) Gabriel trabalhava.
Chegando a pizzaria, ela foi logo falar com o gerente que imediatamente quis tirar foto com ela e pediu autógrafos para as filhas.
- Meu Deus!Minhas meninas são fãs das Pussycat Dolls!Se elas estivessem aqui agora… – disse o gerente quase pulando de alegria.
- É uma pena elas não estarem aqui. – disse Kimberly sorrindo.
- Mas então?O que traz essa minha cliente especial aqui?
- Na verdade, vim saber se o senhor tem notícias do Gabriel.
- Quem?
- Gabriel Cortez. Seu funcionário… Entregador de pizzas.
- Desculpe, Kimberly, mas aqui não tem nenhum Gabriel.
- Impossível, senhor. Deve ter se enganado. Gabriel, um rapaz alto… Que trabalha aqui já há uns anos.
- Não, moça. É sério. Se tem uma coisa que eu não esqueço é o nome dos meus funcionários. Então lhe digo com total certeza: nenhum Gabriel trabalhou comigo, nem mesmo temporariamente. Você deve ter se enganado.
- Engraçado. Achei que era aqui que ele trabalhava. Será que ele não trabalha então em outra filial dessa pizzaria?Vocês têm filiais em vários pontos né?
- Sim. Posso consultar pra você.
O homem digitou no computador o nome “Gabriel” e foi encontrada a foto de um funcionário velho e careca. Um zelador de outra filial da pizzaria.
- É esse?Não né? – disse o gerente rindo.
- Não! – disse ela espantada.
- Então você deve ter se enganado com o nome do rapaz… Mas me diga. Era alguma queixa dele ou do atendimento?Algo do tipo?
- Não… Não foi nada… tu-tudo bem então.Devo ter me enganado mesmo. – disse ela fingindo. Ela estava em choque, paralisada.
Se despediu do gerente da pizzaria e foi diretamente para casa.No caminho, Kimberly se controlou para não bater o carro. Estava chorando descontroladamente. Gabriel não trabalhava naquela pizzaria. Quem era ele então?Era o que ela se perguntava. E em meio a esses pensamentos, ela já começava a acreditar que talvez as visões da Ashley estivessem certíssimas. Kimberly chegou em casa batendo a porta com a maior força quando entrou.
- Kim? – disse Jessica saindo da cozinha com um copo d’água na mão. – O que foi?
Ela não respondeu e foi subindo correndo as escadas. Jessica não entendeu nada.
Kimberly foi logo ao quarto da Ashley e chorando, começou a dizer:
- Ash…
- Que foi, Kim? – disse a doll se levantando da cama e indo até a porta do quarto.
- Ele… Ele mentiu pra mim…
- Gabriel?
Kimberly concordou que sim com a cabeça enquanto chorava.
- Deixa eu fechar a porta aqui. – e dizendo isso, Ashley trancou a porta para poder conversar melhor com a amiga.
As duas sentaram na cama. Kimberly estava com as mãos tremendo.
- Kim, tenta se acalmar e me conta tudo.
Ela deu um longo suspiro e enxugando as lágrimas, começou:
- Eu… Fui até a pizzaria que ele disse que trabalha e perguntei ao gerente sobre ele.
- Continue…
- Só que o gerente disse que… – seus olhos começaram a lacrimejar de novo. – Disse que lá nunca trabalhou nenhum Gabriel. Ele até consultou nas filiais da pizzaria, mas não foi encontrado nada sobre o Gabriel.
- Meu Deus! – disse Ashley levando a mão à boca.
- É. Eu fui enganada. – dizia Kimberly chorando. – Não acredito que logo quando achei que tinha encontrado o cara certo…
- Calma, Kim. Você tem que conversar com ele. Tem que ver essa historia direito. Venha. Vamos descer. Vou fazer um chá pra você.
- Não. Não quero.
- Quer sim. Vamos.
E as duas desceram para a cozinha. Jessica ainda estava lá e continuava sem entender, ainda mais agora que viu Kimberly chorando.
- Kim?O que foi? – perguntou Jessica assustada com a reação dela.
- Jess… Depois a Kimberly explica ta?Não leve a mal… – disse Ashley calmamente.
- Tudo bem então. Olha, vou subir. Qualquer coisa podem me chamar. – disse Jessica saindo da cozinha.
Enquanto Ashley ia preparando o chá, as duas iam conversando.
- Isso só pode ser um pesadelo…
- Kim, não adianta se precipitar tanto assim.
- Mas… É que tudo se encaixa agora. Primeiro você teve visões do Gabriel no Egito e depois no aeroporto, e agora eu descubro que ele não é um entregador de pizzas.
- Só agora que você foi acreditar nas minhas visões né?
- Desculpa, Ash. Eu devo ter te magoado né?
- Sim.
- Você me desculpa então?
- Claro que te desculpo, Kim. Não foi culpa sua estar acreditando nele…
As horas voaram. Por volta das três da tarde Martha acordou. A enxaqueca tinha melhorado.
- Thomaasss! – gritava ela sem parar quando olhou as horas.
O coitado ouviu os gritos dela do fim do corredor e foi correndo ver o que era.
- Sim, madame?– disse ele entrando. Ela já havia deixado a porta aberta assim que começou a gritar.
- Que horas são? – ela perguntava como se fosse engolir Thomas.
- São quase três da tarde. – disse ele verificando o relógio.
- Como ousa me deixar dormir até essa hora?
- Mas a senhora não pediu pra…
- Não interessa!Você colocou alguma coisa na minha bebida ontem?
- Não, senhora!Jamais faria isso e…
- Colocou sim! – ela fez uma cara diabólica.
- Não coloquei! – disse Thomas alteando a voz.
- Não me responda nesse tom!
- Desculpe. – disse ele abaixando a cabeça.
- Então você não colocou nada na minha bebida ontem né?E o que aconteceu mesmo então?
- Acho que a senhora… Bebeu demais… Só isso e…
- Como ousa dizer isso de mim?Seu inútil!Dê o fora daqui agora mesmo!
E ele saiu do quarto dela. Thomas odiava trabalhar para ela. Ele já tinha quase quarenta anos, mas aparentava ter mais. Teve uma vida bastante sofrida e isso o desgastou muito. Ele só continuava trabalhando para Martha porque ela tinha o ajudado numa época difícil e terminou acumulando essa dívida com ela. Época em que Martha era casada com um homem muito rico, mas logo em seguida, ele morreu. Ela então herdou a herança do marido, só que gastou tudo em jóias, o que a deixou quase na miséria. Foi então que Martha resolveu entrar para a máfia, roubando artefatos e jóias para revender a preços altíssimos. E foi num desses roubos, que ela conheceu Gabriel, que nessa época trabalhava sozinho. Desde esse tempo, Thomas passou de motorista (do falecido marido de Martha) para uma espécie de escravo de Martha.
Só porque ela emprestou uma quantia em dinheiro para ele e ele nunca conseguiu pagar, ela o obrigava até hoje a trabalhar para ela. Thomas tinha pedido a quantia para tentar pagar uma consulta para a esposa, que estava muito doente. O maior sonho dele era se livrar da megera, voltar para sua casa e viver com sua esposa. Gabriel também tinha o sonho de se livrar de Martha, mas para isso, queria antes passar a perna nela e lhe roubar todo o dinheiro. Ele não agüentava mais fingir que gostava dela, apesar de ela notar o verdadeiro interesse dele. Martha deveria ter seus cinqüenta e poucos anos e Gabriel, vinte e oito anos.
Por volta das seis da tarde, Kimberly já estava mais calma e tinha conversado com as outras meninas sobre tudo que ela descobriu. Agora ela estava no sofá da sala, deitada, não dormia, mas tentava relaxar. De repente a campainha tocou.
Kimberly foi atender. Um susto: era ele… Gabriel.
A doll ficou paralisada, totalmente sem ação, boquiaberta…
- Oi, amor. – disse ele entrando na casa e beijando-lhe a boca.
Ela continuou parada e o que mais intrigava ela é que ele estava vestido naquele momento com o uniforme da pizzaria.
- Kim?Por que você está assim?O que foi, meu amor?
- “Meu amor”? Não me chame assim! – disse ela com a voz segura, mas meio trêmula.
- O que foi, Kim?
- Como você pode ser tão… Tão cínico, Gabriel?
- Não estou entendendo… Vim aqui por que você já tinha chegado de viagem e você ta assim comigo…
- Quem não está entendendo nada sou eu! – disse ela prendendo o choro e quase gritando.
As dolls ouviram os gritos de cima, mas acharam melhor não descer para interromper. Quem deveria resolver aquela situação era ela própria.
- Você mentiu pra mim. – disse ela tentando segurar o choro e respirando profundamente.
Ele não disse nada.
- Eu fui até seu trabalho procurar você ontem. O gerente disse que nenhum Gabriel trabalhou lá. Nenhum!E nem nas filias!
- Kim, eu posso explicar…
- Acho bom mesmo, Gabriel… Se é que é esse seu verdadeiro nome não é?
- Olha… – ele estava atordoado. Não sabia o que dizer. Não sabia se mentia mais ou se contava a verdade. Pensou em dizer que era um paparazzi disfarçado, mas achou que não estava mais preparado para enganar a doll e resolveu por fim,abrir o jogo. – Eu… Eu não sou mesmo um entregador de pizzas.
- Sim, isso eu já sei! – dizia ela impacientemente, mas ao mesmo tempo triste em ouvir da boca dele que aquilo tudo era verdade.
- Como vou explicar? – dizia ele com as mãos na cabeça. – Eu… Trabalho para uma mulher e…Nós roubamos artefatos antigos para revender.
Kimberly olhava indignada para ele. Não agüentou e deixou algumas lágrimas caírem dos olhos.
- E eu… Me disfarcei de entregador de pizzas para tentar roubar a arca de vocês. – dizia Gabriel de uma vez só. Nem ele acreditava que tinha contado tudo.
- Então… Você só me namorou pra… Roubar a arca? – Kimberly sentia uma dor muito forte no coração. – Que horror!
- Calma, Kimberly.
- Então… Foi você que roubou a arca?E nós achamos que tinha sumido… Então… Você estava mesmo no Egito! – ela ia falando o que pensava na hora. Os fatos foram ligados e realmente ela pôde confirmar que as visões da Ashley estavam certas.
- Na verdade, foi a Martha que achou a arca… Foi depois do desabamento que ocorreu na pirâmide.
- Então a arca está com vocês!Nós precisamos da arca de volta…
- Entendo, só que a arca está com a Martha agora. E eu espero que ela não fuja com a arca.
Kimberly nem acreditava naquilo. O homem que ela achava que era o maior amor da sua vida, era na verdade um ladrão de artefatos e jóias.
- Agora Kimberly,como sei que esta é a última vez que nos veremos,quero contar algo que você não sabe…
- Acho que não quero ouvir mais nada que venha de você, Gabriel.
- Eu vou dizer mesmo assim. – disse ele abaixando a voz, quase sussurrando - Quando a Martha abriu a arca, uma luz negra saiu de dentro e tomou Martha. Em seguida, ela começou a falar em outra língua, acho que em egípcio. E depois surgiram quatro pessoas muito estranhas do chão. E cada um tinha… – mas antes que ele completasse seu comentário, Kimberly gritou de uma vez só:
- Vá embora!Saia daqui!
- Deixe eu continuar!
- Não!Não quero mais ver você!Vá embora! – e enquanto dizia isso, ela agitava violentamente as mãos, o que graças ao seu poder Elemental, terminou causando uma enorme ventania na direção dele, que o arrastou até o lado de fora da casa.
Ela fechou a porta e subiu as escadas correndo. As dolls estavam no corredor esperando ela subir.
No dia seguinte, Martha acordou com uma enxaqueca horrível. A dor de cabeça foi tanta que a megera terminou dormindo de novo. Gabriel já tinha se despedido de Thomas. Ele resolveu ir logo para o aeroporto, mesmo que só fosse viajar pela tarde. Ali estaria mais seguro de Martha. Ele já havia comprado a passagem para as duas horas da tarde e ainda eram oito da manhã.
Gabriel não pôde voltar para Nova Iorque no dia anterior e como Kimberly não conseguia falar com ele, ela estava bastante preocupada. Logo pela manhã, a loura foi pedir ajuda a Ashley.
- Ash… Faz uma premonição pra mim vai… Por favor. – pedia Kim.
- Kim. Eu não sei como controlar isso, mas acho que se você me der o bracelete de novo, quem sabe eu não tenho uma visão né?
- Hum… É verdade. Toma. – a doll deu o bracelete para Ashley.
Ashley segurou o bracelete e fechou os olhos. Ela então começou a ver nitidamente Gabriel sentado e lendo uma revista… No aeroporto do Egito. Ashley acordou tão assustada da sua visão que de suas mãos saíram jatos d’água que rapidamente encharcaram o bracelete.
- Hei!Você molhou meu bracelete todo! – gritou Kimberly.
- Desculpa, Kim. Nossa!Eu lancei água com as mãos. Nem acredito! – disse Ashley vibrando.
- Que poder mais… Molhado esse seu! – brincou Kimberly enxugando o bracelete na blusa. – E então?Viu alguma coisa?
- Eu… eu…Não… – mentiu Ash.
- Tem certeza?
- É… Se eu falasse você não iria acreditar mesmo…
- O que você viu?
- Vi ele… No aeroporto do Egito!Eu sei, eu sei… É impossível.
- Você só pode ta brincando. Primeiro você disse que viu ele no Egito e agora, no aeroporto. Ash… Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira, Kim!Foi a minha visão…
- E se for uma visão de um futuro bem distante e não do presente? – insistiu Kim.
- É… Pode ser né? – disfarçou Ashley. – Você já procurou o Gabriel?
- Não. Não consigo falar com ele desde ontem…
- Nossa!Já foi no trabalho dele?
- Não. Ele me disse que não era pra eu procurar ele no trabalho porque o chefe odiava que os funcionários recebessem visitas em horário de expediente.
- Ah… Mas é por uma boa causa. E além do mais, você é uma Pussycat Doll! O chefe não vai reclamar, vai aceitar na boa.
- É. Você tem razão. Vou lá.
Kimberly pegou a bolsa, deu mais uma ajeitada no cabelo e saiu para ir à pizzaria que (falsamente) Gabriel trabalhava.
Chegando a pizzaria, ela foi logo falar com o gerente que imediatamente quis tirar foto com ela e pediu autógrafos para as filhas.
- Meu Deus!Minhas meninas são fãs das Pussycat Dolls!Se elas estivessem aqui agora… – disse o gerente quase pulando de alegria.
- É uma pena elas não estarem aqui. – disse Kimberly sorrindo.
- Mas então?O que traz essa minha cliente especial aqui?
- Na verdade, vim saber se o senhor tem notícias do Gabriel.
- Quem?
- Gabriel Cortez. Seu funcionário… Entregador de pizzas.
- Desculpe, Kimberly, mas aqui não tem nenhum Gabriel.
- Impossível, senhor. Deve ter se enganado. Gabriel, um rapaz alto… Que trabalha aqui já há uns anos.
- Não, moça. É sério. Se tem uma coisa que eu não esqueço é o nome dos meus funcionários. Então lhe digo com total certeza: nenhum Gabriel trabalhou comigo, nem mesmo temporariamente. Você deve ter se enganado.
- Engraçado. Achei que era aqui que ele trabalhava. Será que ele não trabalha então em outra filial dessa pizzaria?Vocês têm filiais em vários pontos né?
- Sim. Posso consultar pra você.
O homem digitou no computador o nome “Gabriel” e foi encontrada a foto de um funcionário velho e careca. Um zelador de outra filial da pizzaria.
- É esse?Não né? – disse o gerente rindo.
- Não! – disse ela espantada.
- Então você deve ter se enganado com o nome do rapaz… Mas me diga. Era alguma queixa dele ou do atendimento?Algo do tipo?
- Não… Não foi nada… tu-tudo bem então.Devo ter me enganado mesmo. – disse ela fingindo. Ela estava em choque, paralisada.
Se despediu do gerente da pizzaria e foi diretamente para casa.No caminho, Kimberly se controlou para não bater o carro. Estava chorando descontroladamente. Gabriel não trabalhava naquela pizzaria. Quem era ele então?Era o que ela se perguntava. E em meio a esses pensamentos, ela já começava a acreditar que talvez as visões da Ashley estivessem certíssimas. Kimberly chegou em casa batendo a porta com a maior força quando entrou.
- Kim? – disse Jessica saindo da cozinha com um copo d’água na mão. – O que foi?
Ela não respondeu e foi subindo correndo as escadas. Jessica não entendeu nada.
Kimberly foi logo ao quarto da Ashley e chorando, começou a dizer:
- Ash…
- Que foi, Kim? – disse a doll se levantando da cama e indo até a porta do quarto.
- Ele… Ele mentiu pra mim…
- Gabriel?
Kimberly concordou que sim com a cabeça enquanto chorava.
- Deixa eu fechar a porta aqui. – e dizendo isso, Ashley trancou a porta para poder conversar melhor com a amiga.
As duas sentaram na cama. Kimberly estava com as mãos tremendo.
- Kim, tenta se acalmar e me conta tudo.
Ela deu um longo suspiro e enxugando as lágrimas, começou:
- Eu… Fui até a pizzaria que ele disse que trabalha e perguntei ao gerente sobre ele.
- Continue…
- Só que o gerente disse que… – seus olhos começaram a lacrimejar de novo. – Disse que lá nunca trabalhou nenhum Gabriel. Ele até consultou nas filiais da pizzaria, mas não foi encontrado nada sobre o Gabriel.
- Meu Deus! – disse Ashley levando a mão à boca.
- É. Eu fui enganada. – dizia Kimberly chorando. – Não acredito que logo quando achei que tinha encontrado o cara certo…
- Calma, Kim. Você tem que conversar com ele. Tem que ver essa historia direito. Venha. Vamos descer. Vou fazer um chá pra você.
- Não. Não quero.
- Quer sim. Vamos.
E as duas desceram para a cozinha. Jessica ainda estava lá e continuava sem entender, ainda mais agora que viu Kimberly chorando.
- Kim?O que foi? – perguntou Jessica assustada com a reação dela.
- Jess… Depois a Kimberly explica ta?Não leve a mal… – disse Ashley calmamente.
- Tudo bem então. Olha, vou subir. Qualquer coisa podem me chamar. – disse Jessica saindo da cozinha.
Enquanto Ashley ia preparando o chá, as duas iam conversando.
- Isso só pode ser um pesadelo…
- Kim, não adianta se precipitar tanto assim.
- Mas… É que tudo se encaixa agora. Primeiro você teve visões do Gabriel no Egito e depois no aeroporto, e agora eu descubro que ele não é um entregador de pizzas.
- Só agora que você foi acreditar nas minhas visões né?
- Desculpa, Ash. Eu devo ter te magoado né?
- Sim.
- Você me desculpa então?
- Claro que te desculpo, Kim. Não foi culpa sua estar acreditando nele…
As horas voaram. Por volta das três da tarde Martha acordou. A enxaqueca tinha melhorado.
- Thomaasss! – gritava ela sem parar quando olhou as horas.
O coitado ouviu os gritos dela do fim do corredor e foi correndo ver o que era.
- Sim, madame?– disse ele entrando. Ela já havia deixado a porta aberta assim que começou a gritar.
- Que horas são? – ela perguntava como se fosse engolir Thomas.
- São quase três da tarde. – disse ele verificando o relógio.
- Como ousa me deixar dormir até essa hora?
- Mas a senhora não pediu pra…
- Não interessa!Você colocou alguma coisa na minha bebida ontem?
- Não, senhora!Jamais faria isso e…
- Colocou sim! – ela fez uma cara diabólica.
- Não coloquei! – disse Thomas alteando a voz.
- Não me responda nesse tom!
- Desculpe. – disse ele abaixando a cabeça.
- Então você não colocou nada na minha bebida ontem né?E o que aconteceu mesmo então?
- Acho que a senhora… Bebeu demais… Só isso e…
- Como ousa dizer isso de mim?Seu inútil!Dê o fora daqui agora mesmo!
E ele saiu do quarto dela. Thomas odiava trabalhar para ela. Ele já tinha quase quarenta anos, mas aparentava ter mais. Teve uma vida bastante sofrida e isso o desgastou muito. Ele só continuava trabalhando para Martha porque ela tinha o ajudado numa época difícil e terminou acumulando essa dívida com ela. Época em que Martha era casada com um homem muito rico, mas logo em seguida, ele morreu. Ela então herdou a herança do marido, só que gastou tudo em jóias, o que a deixou quase na miséria. Foi então que Martha resolveu entrar para a máfia, roubando artefatos e jóias para revender a preços altíssimos. E foi num desses roubos, que ela conheceu Gabriel, que nessa época trabalhava sozinho. Desde esse tempo, Thomas passou de motorista (do falecido marido de Martha) para uma espécie de escravo de Martha.
Só porque ela emprestou uma quantia em dinheiro para ele e ele nunca conseguiu pagar, ela o obrigava até hoje a trabalhar para ela. Thomas tinha pedido a quantia para tentar pagar uma consulta para a esposa, que estava muito doente. O maior sonho dele era se livrar da megera, voltar para sua casa e viver com sua esposa. Gabriel também tinha o sonho de se livrar de Martha, mas para isso, queria antes passar a perna nela e lhe roubar todo o dinheiro. Ele não agüentava mais fingir que gostava dela, apesar de ela notar o verdadeiro interesse dele. Martha deveria ter seus cinqüenta e poucos anos e Gabriel, vinte e oito anos.
Por volta das seis da tarde, Kimberly já estava mais calma e tinha conversado com as outras meninas sobre tudo que ela descobriu. Agora ela estava no sofá da sala, deitada, não dormia, mas tentava relaxar. De repente a campainha tocou.
Kimberly foi atender. Um susto: era ele… Gabriel.
A doll ficou paralisada, totalmente sem ação, boquiaberta…
- Oi, amor. – disse ele entrando na casa e beijando-lhe a boca.
Ela continuou parada e o que mais intrigava ela é que ele estava vestido naquele momento com o uniforme da pizzaria.
- Kim?Por que você está assim?O que foi, meu amor?
- “Meu amor”? Não me chame assim! – disse ela com a voz segura, mas meio trêmula.
- O que foi, Kim?
- Como você pode ser tão… Tão cínico, Gabriel?
- Não estou entendendo… Vim aqui por que você já tinha chegado de viagem e você ta assim comigo…
- Quem não está entendendo nada sou eu! – disse ela prendendo o choro e quase gritando.
As dolls ouviram os gritos de cima, mas acharam melhor não descer para interromper. Quem deveria resolver aquela situação era ela própria.
- Você mentiu pra mim. – disse ela tentando segurar o choro e respirando profundamente.
Ele não disse nada.
- Eu fui até seu trabalho procurar você ontem. O gerente disse que nenhum Gabriel trabalhou lá. Nenhum!E nem nas filias!
- Kim, eu posso explicar…
- Acho bom mesmo, Gabriel… Se é que é esse seu verdadeiro nome não é?
- Olha… – ele estava atordoado. Não sabia o que dizer. Não sabia se mentia mais ou se contava a verdade. Pensou em dizer que era um paparazzi disfarçado, mas achou que não estava mais preparado para enganar a doll e resolveu por fim,abrir o jogo. – Eu… Eu não sou mesmo um entregador de pizzas.
- Sim, isso eu já sei! – dizia ela impacientemente, mas ao mesmo tempo triste em ouvir da boca dele que aquilo tudo era verdade.
- Como vou explicar? – dizia ele com as mãos na cabeça. – Eu… Trabalho para uma mulher e…Nós roubamos artefatos antigos para revender.
Kimberly olhava indignada para ele. Não agüentou e deixou algumas lágrimas caírem dos olhos.
- E eu… Me disfarcei de entregador de pizzas para tentar roubar a arca de vocês. – dizia Gabriel de uma vez só. Nem ele acreditava que tinha contado tudo.
- Então… Você só me namorou pra… Roubar a arca? – Kimberly sentia uma dor muito forte no coração. – Que horror!
- Calma, Kimberly.
- Então… Foi você que roubou a arca?E nós achamos que tinha sumido… Então… Você estava mesmo no Egito! – ela ia falando o que pensava na hora. Os fatos foram ligados e realmente ela pôde confirmar que as visões da Ashley estavam certas.
- Na verdade, foi a Martha que achou a arca… Foi depois do desabamento que ocorreu na pirâmide.
- Então a arca está com vocês!Nós precisamos da arca de volta…
- Entendo, só que a arca está com a Martha agora. E eu espero que ela não fuja com a arca.
Kimberly nem acreditava naquilo. O homem que ela achava que era o maior amor da sua vida, era na verdade um ladrão de artefatos e jóias.
- Agora Kimberly,como sei que esta é a última vez que nos veremos,quero contar algo que você não sabe…
- Acho que não quero ouvir mais nada que venha de você, Gabriel.
- Eu vou dizer mesmo assim. – disse ele abaixando a voz, quase sussurrando - Quando a Martha abriu a arca, uma luz negra saiu de dentro e tomou Martha. Em seguida, ela começou a falar em outra língua, acho que em egípcio. E depois surgiram quatro pessoas muito estranhas do chão. E cada um tinha… – mas antes que ele completasse seu comentário, Kimberly gritou de uma vez só:
- Vá embora!Saia daqui!
- Deixe eu continuar!
- Não!Não quero mais ver você!Vá embora! – e enquanto dizia isso, ela agitava violentamente as mãos, o que graças ao seu poder Elemental, terminou causando uma enorme ventania na direção dele, que o arrastou até o lado de fora da casa.
Ela fechou a porta e subiu as escadas correndo. As dolls estavam no corredor esperando ela subir.
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