Na Idade Média, para a alegria das dolls e de Melissa, a tarde havia chegado e com ela, a tão esperada reunião com as bruxas da Irmandade da Grande Deusa. Pouco a pouco as bruxas da irmandade foram chegando e ocupando todas as cadeiras, bancos e poltronas da sala de reunião. A sala era a mesma onde as dolls estavam, na manhã, só que agora com mais lugares para se sentar. Além das bruxas conhecidas, as dolls e Melissa agora se viam na companhia de mais seis integrantes da irmandade. Todas estavam, agora, sentadas e esperavam a chegada de Megan. Enquanto isso, conversavam a respeito das dolls e sobre a visão de Ashley.
- Eu ainda estou quase sem acreditar. – dizia uma bruxa loura, de aparência mais velha que Althea. Seu nome era Willa e era uma das mais antigas integrantes da irmandade.
- É realmente impressionante termos as presenças dessas incríveis moças, diretamente do futuro. – completou Audrey, uma bruxa morena tão jovem quanto Guinevere. Ela possuía uma extensa cabeleira encaracolada e negra.
- Tenho medo de como iremos contar à Megan sobre a visão desta jovem. – disse Grace, uma bruxa de cabelos louros e curtos, apontando para Ashley, na hora.
- Não sei se é melhor sermos mais diretas ou irmos mais devagar quando formos contar à ela. – completou Kendra, pensativa.
- Eu acredito que seja melhor nós começarmos mais devagar. – adiantou-se Laura, uma bruxa de pele bastante alva, cabelos castanhos e olhos verdes. Ela se mantinha numa posição perfeitamente elegante, na cadeira. – Megan está grávida e pode não ser bom para o bebê se ela tiver confusões emocionais.
- Laura está certa. – concluiu Althea. – Não podemos ir dando essa notícia assim de forma tão rápida.
- Bom, mais uma coisa é certa. – começou Helena, uma bruxa de cabelos lisos e louros. Ela tinha a pele bem clara e rosada, era baixinha e gordinha. – De qualquer forma, Megan ouvirá a notícia, seja de forma rápida ou mais demorada.
- O que fazemos então? Não podemos deixar que nada aconteça ao bebê. – disse Lena, preocupada.
As dolls e Melissa assistiam bastante atentas ao debate entre as bruxas.
- Acho que devíamos preparar uma poção para Megan. – adiantou-se Velda, uma bruxa de aparência mais rígida e carrancuda, embora fosse uma das mais carinhosas da irmandade. – A poção da calma.
- Mas não há mais tempo! – exclamou Indra, nervosa. – Ela deve estar chegando a qualquer momento.
- A poção da calma não demora tanto assim para fazer. – disse Lena, pensativa. – Se começarmos agora...
- Então vamos! – disse Prudence, uma bruxa elegantemente magra e de cabelos castanho-escuros bem cacheados. Ela se levantou da poltrona onde estivera sentada até o momento. – Não há tempo a perder.
Velda, Indra, Audrey e Lena a seguiram até a cozinha, ou o que pode se chamar de cozinha, já que na Idade Média a geladeira, o freezer, o fogão e o forno microondas nem sonhavam em fazer parte do cenário.
As outras bruxas continuaram, na sala, na companhia das dolls e de Melissa.
- Espero que nossas irmãs consigam fazer a poção o mais rápido possível. – anunciou Althea, ansiosa.
- Calma, Althea, vai dar tudo certo. – encorajou-a Nicole.
- Eu espero que sim, minha querida. – concluiu Althea, levantando-se. – Vou ver se elas precisam de ajuda. – e se dirigiu em direção à cozinha.
Na cozinha, que era composta basicamente por uma grande mesa velha de madeira, uma bancada e um fogão a lenha, as bruxas preparavam a poção.
- Estão com todos os ingredientes em mãos? – perguntou Althea assim que adentrou a cozinha.
- Sim, irmã. – respondeu-lhe Prudence. – Estão todos aqui.
- Excelente! – animou-se Althea.
- Temos pouca raiz de mandrágora. – disse Lena checando uns armários. – Mas o pouco que temos já deve servir.
- Há de servir, irmã. – disse Velda encorajando a amiga.
Na sala de reunião, as dolls estavam ansiosas, assim como as outras bruxas, pela chegada de Megan. Por questão de segundos, ouviram-se batidas apressadas na porta.
- Ó, deve ser Megan! – exclamou Kendra, levantando-se da poltrona rapidamente.
- O que fazemos? – indagou Guinevere.
- Vamos distraí-la conversando até que a poção fique pronta. – adiantou-se Betha.
- Certo. – disse Diana se preparando para ir até a porta de entrada e receber a irmã que faltava na reunião.
Da cozinha, as bruxas haviam escutado as batidas na porta e já haviam concluído que Megan havia chegado.
Assim que Diana abriu a porta, se deparou com a mesma Megan que conhecia, porém com um barrigão.
- Ó, irmã, estás linda! – disse Diana abraçando Megan cuidadosamente. – Há de ser mesmo uma linda menina! Que a Deusa a abençoe sempre.
- Faz mesmo muito tempo que não a vejo, Diana. – disse Megan, uma das mais belas bruxas da irmandade. Tinha os cabelos castanhos levemente encaracolados, a pele alva e olhos cor de mel. Parecia uma boneca de porcelana.
- Venha, sente-se. – adiantou-se Betha. – Deve ter andado demais para uma mulher grávida.
- De fato, estás certa. – disse Megan, sorrindo.
Era o sorriso mais angelical que Melissa já vira na vida. Ela estava quase chorando de emoção ao poder conhecer a mulher que geraria a primeira linhagem de mulheres com poderes Elementais. Afinal, era a filha de Megan que seria a primeira ancestral de Melissa.
Foi extremamente mágico o que aconteceu a seguir: ao sentar-se próxima de Melissa, Megan sentiu algo estranho em seu coração. Melissa sentia o mesmo. Graças à filha que carregava, Megan pôde sentir uma ligação bastante forte com Melissa, sendo que nem a conhecia ainda.
- Então, irmãs? – começou Megan, enquanto acariciava a barriga. – Qual o motivo dessa reunião? Já fui avisada tão em cima da hora e...
- Todas nós fomos avisadas em cima da hora, querida. – adiantou-se Betha. – Mas não se preocupe, não é nada... Nada de tão grave assim.
- Irmãs, podem me contar o que quer que seja. – disse Megan tentando mostrar-se confiante e preparada.
As bruxas, porém, não quiseram arriscar logo assim e preferiram ir contornando a situação.
Megan não pôde deixar de notar a presença estranha das dolls e de Melissa, com quem sentiu uma estranha ligação, mas mesmo assim, por educação, não havia ainda questionado quem seriam as estranhas, ali, presentes.
- Irmãs, quem são... – começou Megan, tímida, mas foi interrompida. A bruxa certamente iria perguntar sobre a presença das dolls e de Melissa.
- Megan, querida! – disse Althea acabando de chegar à sala de reunião. – Que bom que veio!
Althea deu um leve, mas demorado, abraço em Megan.
- Como vão seus tios? – perguntou Althea fingindo curiosidade.
- Estão todos bem. – disse Megan, pensativa.
- E estão cuidando bem de você? – continuou Althea. – Por que eu quero que essa criança nasça com a melhor saúde possível.
- Estão cuidando bem de mim, sim, Althea. – adiantou-se Megan. – Embora até hoje minha tia reclame que eu serei uma mãe solteira.
- Ah, querida! Você não tem culpa... – disse Althea alisando os bonitos cabelos de Megan. – Quem iria imaginar que aquele marinheiro iria te abandonar?
- Eu deveria ter imaginado... – lamentou-se Megan, tristonha. – Afinal de contas, marinheiros são assim... Mas ele se mostrava tão apaixonado e... – ela fez uma pausa. O bebê havia chutado. – Luna está chutando! – ela exclamou com alegria, esquecendo do assunto anterior.
- Não vejo a hora de ver essa menina linda nascer. – disse Helena, empolgada.
- Sinto que será uma menina bastante forte. – informou Megan, animada. – Sinto uma energia poderosa dentro de mim.
- Que maravilha! – exclamou Althea.
- Onde estão as outras irmãs? – indagou Megan, sem entender.
- Ali, na cozinha. – informou Guinevere. – Estão preparando um chá pra você. Achamos uma receita de chá calmante para o bebê.
- Hum... Interessante. – disse Megan, inocente.
Na cozinha, a poção já estava com todos os ingredientes misturados. As bruxas só estavam esperando a poção alcançar o ponto ideal de fervura.
Na sala de reunião, a curiosidade de Megan era maior que qualquer coisa. Por que ninguém tinha lhe dado a chance de perguntar sobre quem seriam aquelas mulheres estranhas? Por que ninguém, então, lhe explicara quem eram aquelas mulheres?
- Irmãs... – começou Megan alisando a barriga novamente. – Vocês estão me escondendo alguma coisa?
A pergunta de Megan fez com que todas ali presentes, incluindo as dolls, ficassem com expressões de preocupação.
- Ah... Escondendo? Como assim, querida? – Betha fingiu surpresa.
Megan revirou os olhos, impaciente.
- Irmãs, eu chego aqui e percebo a presença dessas seis estranhas em nossa Irmandade e vocês sequer me explicam quem elas são. – disse Megan franzindo a testa.
- Calma, Megan. – adiantou-se Althea, séria. – Vamos lhe explicar tudo.
- Apenas tenha calma, irmã. – pediu Guinevere, também séria.
- Assim é que vou ficar nervosa. – disse Megan olhando ao redor. Todos os olhares se concentravam nela. – Algo está estranho aqui e eu acho que não estou gostando muito disso...
Foi exatamente o tempo em que a poção ferveu e as bruxas a trouxeram para Megan.
- Olá, Megan! – saudou Lena, que carregava uma bandeja de prata bastante arranhada que sustentava uma xícara de porcelana velha com um líquido de cor levemente amarelada. – Trouxemos um chá pra você.
- Ah, sim. – disse Megan balançando a cabeça. – O chá calmante para o bebê...
- Isso! – adiantou-se Althea.
- Beba o quanto antes... – disse Willa, ansiosa.
- Ainda está quente. – informou Megan. – Vou esperar esfriar um pouco e enquanto isso vocês podiam me explicar o que está acontecendo aqui.
- Não, querida... – começou Lena encostando as costas da mão na xícara. – Veja, não está tão quente assim. Acho que está na temperatura ideal de se beber.
- Tudo bem então. – disse Megan pegando, com toda a elegância possível, a xícara e a levando aos lábios.
A ansiedade para que Megan tomasse a poção era alta. Com o primeiro gole, os efeitos já eram visíveis: Megan disse sentir-se um pouco zonza.
- Pois bem, Megan. – disse Althea, séria. – Pra começar, o que você está tomando não é um chá e sim, uma poção.
- Uma poção? Como assim? – dizia Megan altamente calma, tanto na voz quanto nos gestos. Ela parecia estar morrendo de sono. E continuou ingerindo o líquido.
- Sim, querida. – disse Kendra. – Demos-lhe a poção da calma.
- Ah! Por isso que eu estou assim tão... – e Megan terminara de dar o último gole da poção. – Tão serena.
- Exato. – concluiu Kendra.
- Mas por que me deram essa poção? – perguntou Megan quase bocejando de tão calma que estava.
- Por que precisamos lhe esclarecer o que está acontecendo. – informou Grace.
- E não queremos que você fique nervosa, pois pode afetar a sua gestação. – continuou Audrey.
- Tudo bem então. – dizia Megan alisando a barriga, mais calma do que nunca.
- Essas mulheres a quem você chamou de estranhas, nada mais são que viajantes que vieram do futuro diretamente para cá. – disse Althea de uma só vez.
Megan fez que iria arregalar os olhos, mas com o efeito da poção, desistiu involuntariamente.
- Elas têm os poderes Elementais. – continuou Indra, séria. – E vieram nos ajudar.
- Ajudar? Como? – Megan parecia confusa.
- Veja, Megan, Nicole tem o Cristal de Etafa em seu pescoço. – disse Guinevere, ansiosa.
Só então Megan percebeu o cristal e mostrou-se surpresa.
- Elas vieram do futuro, como Althea já disse, e estão aqui com a missão de nos ajudar porque... – começou Betha.
- Uma delas... – disse Diana dando uma piscadela para Ashley – Teve uma premonição onde nós seríamos pegas pela Inquisição e... – Diana deu um suspiro longo. – Morreríamos na fogueira ou enforcadas.
Novamente Megan se preparou para arregalar os olhos, em espanto, mas graças à poção, ela retraiu sua ação.
- E... – começou Megan, sem jeito. – Isso me inclui também, certo?
- Não sabemos direito. – adiantou-se Lena.
- Porém, outro fator nos foi posto em questão. – explicou Helena. – Luna, a menina que carregas em seu ventre, será a primeira mulher a apresentar os poderes Elementais.
- Meu Deus! – exclamou Megan em tom calmo.
- E essa jovem aqui presente... – continuou Helena, apontando para Melissa. – É descendente legítima de Luna.
- A questão é que... Se a visão acontecer e nós formos queimadas ou enforcadas. – disse Willa engolindo em seco. – Talvez essa jovem, Melissa, deixe de existir ou perca seus poderes. Não sabemos ao certo...
- É bastante confuso, mas... – começou Guinevere.
- Há coisas na magia que não devemos questionar. – adiantou-se Althea com sua clássica frase.
- Eu... – começou Megan pondo a mão no coração. – Estou emocionada, mas acho que estaria bem mais se não fosse a poção.
E Megan olhou bem para Melissa, que desviou rapidamente o olhar, envergonhada.
- Venha cá, minha querida. – pediu Megan.
Melissa levantou-se e foi até Megan.
Megan pegou as mãos de Melissa e as colocou na sua barriga. Melissa teve a chance de sentir os chutes que Luna dava na barriga de Megan.
Sem saber por quais motivos, a não ser o momento incrivelmente mágico, Melissa e Megan deixaram escapar lágrimas dos seus olhos. As duas estavam incrivelmente emocionadas.
- Por que estás chorando, querida? – perguntava Megan, ainda em lágrimas.
- N-Não sei... – gaguejou Melissa enquanto ainda tocava a barriga de Megan.
- A emoção é forte, irmãs. – disse Althea segurando a vontade de chorar.
Ao olhar ao seu redor, Althea identificou que algumas bruxas também haviam se comovido com a cena e choravam, no momento. Ashley e Kimberly também choravam com a cena. Jessica segurava, assim como Althea, o choro. Nicole e Melody apenas sorriam, encantadas, com aquele momento.
- A emoção é forte, irmãs. – tornou a dizer Althea. – É forte porque nesse momento nós estamos vendo o encontro de duas forças importantes do mundo: a magia e o amor.
Continua no próximo capítulo...
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