Enquanto as outras dolls e as bruxas já estavam chegando em casa, Nicole e Kendra continuavam com o ritual.
- Não fique envergonhada, querida. – disse Kendra calmamente ao ver Nicole bastante nervosa assim que havia pedido para ela tirar a roupa. – Eu posso ficar de costas, se você preferir.
- Certo. – dizia Nicole meio angustiada ao ter que tirar o vestido bem ali no meio da floresta e com aquela ventania toda.
- Pode ficar com o capuz, se preferir. – disse a bruxa sendo mais flexível com Nicole.
- Ah, ótimo! – disse Nicole mais segura – Vou querer, sim!
E depois de mais uns segundos, a morena já estava completamente despida, coberta apenas pelo longo e negro capuz.
- Muito bem, vamos dar início ao seu ritual de iniciação. – começou a bruxa, séria.
Nicole engoliu em seco. Estava nervosa. Nervosa por estar ali, no passado. Nervosa por estar nua, naquele frio. Nervosa por estar prestes a descobrir mais sobre o seu poder.
- O primeiro passo é sempre o mesmo: fechar os olhos e sentir todo o ambiente que a cerca. – disse Kendra, calma. – Esqueça as inquietações que está sentindo no momento: o chão incomodando seus pés, o frio, a nudez... Esqueça tudo isso e apenas sinta o ambiente.
- É... Bem... Certo, vou tentar. – disse Nicole, insegura.
Nicole fechou os olhos e, a princípio, não conseguiu esquecer das inquietações que a cercavam. Seus pés deviam estar pisando gravetos que incomodavam bastante. Seu corpo se arrepiava com o vento que ali passava.
- Se concentre, querida. Apenas se concentre. – tornou a dizer a bruxa.
Nicole então, ainda de olhos fechados, respirou fundo e começou a sentir o vento, mas não o vento que incomodava e que fazia seu corpo se arrepiar de frio. Ela começou a se concentrar no vento que bagunçava seus longos cabelos negros. Começou a sentir o cheiro da grama, o som de alguns animais noturnos...
- Como se sente, Nicole? – perguntou a bruxa, séria.
- Me sinto... – disse Nicole, ainda de olhos fechados. – Maravilhosamente bem. Acho... Acho que eu consegui sentir o ambiente.
- Oh, sim! Com certeza conseguiu! – disse a bruxa, animada.
- Ah! Que bom então! – disse Nicole, agora, abrindo os olhos.
- Vamos continuar. – disse a bruxa, empolgada. – Faremos agora o exercício que estimulará o contato com seu poder Elemental, ESPÍRITO.
- Bom... Essa é até uma pergunta que eu queria fazer, Kendra. – começou Nicole. – Porque vocês se referem ao meu poder como Espírito e não como Energia?
- Ah, querida... Isso tudo é uma questão de determinação. – começou a bruxa. – Acredito que nos tempos antigos, no Egito, o quinto elemento era mais considerado como Energia. Já para nós, bruxas, o quinto elemento é muito mais que energia. Para nós, a quinta essência é algo que se eleva sobre os outros quatro elementos, por isso, a denominamos de Espírito, entende?
- É... Acho que sim. – disse Nicole meio confusa.
- Bom, agora chega de conversa! – disse Kendra estalando os dedos. – Repita essa frase com muita clareza e força: “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, ESPÍRITO”.
- É... Bom... – começou Nicole, sem jeito. – Mas então, Kendra... Como eu te disse, eu sempre conheci o meu poder sob o nome de Energia. Devo invocá-lo com o nome de Espírito ou de Energia mesmo?
Kendra parou por uns segundos. Nem a bruxa parecia saber ao certo a resposta para a pergunta que a doll acabara de fazer.
- Olhe, querida, eu poderia simplesmente lhe dizer: “faça o que você achar melhor, o que seu coração mandar”, mas... – e a bruxa deu uma pausa – Sinto que, como estamos, agora, invocando o quinto elemento essencialmente na cultura das bruxas e não mais tão focado na cultura egípcia, como vocês me falaram...
- Sim...? – Nicole parecia confusa.
- Então acho que você deve invocar seu poder com o nome de Espírito. – concluiu Kendra.
- Tudo bem então. – disse Nicole, séria. – Como é mesmo o encantamento?
Kendra repetiu a frase mais uma vez e Nicole, após fechar os olhos e respirar fundo, disse com bastante clareza e segurança:
- “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, ESPÍRITO”.
Após alguns segundos, Nicole achou que o vento parecia mais forte sobre seus cabelos, mas não sabia se era algum efeito do encantamento ou se era apenas impressão. No fim de quase um minuto de espera, tanto Nicole quanto Kendra perceberam que o encantamento não tinha realmente funcionado.
- É... Parece que não deu certo. – disse a bruxa com as mãos na cintura.
- Aah! – exclamou Nicole pondo as mãos na cabeça. – E agora?!
- Calma, querida! – adiantou-se Kendra, surpresa com a reação de Nicole. – É normal. Nem todas conseguem realizar um encantamento assim, na primeira vez que o faz.
- É? – disse Nicole franzindo a testa, preocupada.
- Claro! – disse a bruxa sorrindo. – Pois então respire fundo e tente outra vez. Temos a noite toda...
- Tudo bem então. – disse Nicole fechando os olhos, respirando fundo e, em seguida, recitando o encantamento mais uma vez. – “Sob a luz da lua, invoco meu elemento, ESPÍRITO”.
Os pensamentos de Nicole, porém, estavam longe e, por conta disso, como era de se esperar, o encantamento não funcionou novamente.
- Ai, meu Deus! – exclamou Nicole, depois de alguns segundos. – Nada aconteceu!
- Nicole, minha querida, estou vendo que você não está se concentrando o suficiente. – disse Kendra, séria.
- Mas, eu... – murmurou Nicole.
No fundo, a morena sabia que a bruxa tinha razão: ela não estava nada concentrada. Embora Nicole já tivesse realmente em contato com o ambiente, seus pensamentos estavam longe dali. Ela pensava em Lewis, pensava em voltar pra casa, pensava se conseguiria dominar sua projeção astral, pensava se Ashley seria capaz de ter a premonição sobre as bruxas...
- Nicole? – disse Kendra, séria, ao ver que Nicole estava viajando em seus pensamentos. – Nicole?! – disse a bruxa, agora, mais alto.
- Ah! Oi... – disse Nicole, voltando a si.
- O que houve, querida?
- É que... Eu estou aqui pensando em tantas coisas... – disse Nicole baixando a cabeça.
- Entendo... Muitas preocupações, dúvidas, anseios... – disse a bruxa dando palmadinhas no ombro de Nicole. – Mas tente esquecer isso, pelo menos por enquanto.
- É, mas é difícil. – disse Nicole, tristonha.
- Nic, pense positivo. – adiantou-se a bruxa. – Vai dar tudo certo, as coisas vão se resolver... – era como se Kendra lesse os pensamentos de Nicole.
- Certo. – disse a morena tentando se animar.
- Vamos lá! – começou a bruxa. – Sacuda esses ombros, tire as energias e pensamentos negativos da cabeça, respire fundo, feche os olhos e repita o encantamento com toda a força possível! – Nicole ia fazendo cada coisa que a bruxa pedia à medida que ela ia falando.
Após mais uns segundos de pura concentração, Nicole se sentiu preparada o suficiente e, desta vez, disse com bastante concentração o encantamento. O vento, agora mais do que nunca, era realmente mais forte. Nicole foi abrindo os braços lentamente (sem Kendra orientar), foi algo como um impulso que veio de dentro dela. O que aconteceu a seguir deixou Kendra boquiaberta: sob os pés de Nicole, uma fraca luz começava a acender e, em seguida, apagar. Parecia que a morena estava pisando em pisca-piscas de Natal. A fraca luz passou então, a percorrer totalmente os pés de Nicole e, agora, não estava mais fraca. A luz começou a ganhar uma intensidade maior e foi, então, subindo para os tornozelos, depois para as pernas de Nicole.
Kendra levava as mãos à boca. O encantamento dera, enfim, certo. A luz branca, agora, já passava da cintura de Nicole e continuava a subir, envolvendo-a cada vez mais. Nicole, então, começou a sentir um certo formigamento em seu corpo e abriu os olhos para verificar o que estava acontecendo. Ao abrir os olhos, a doll ficou surpresa ao ver aquela luz a envolvendo.
- Kendra... – sussurrou Nicole, como se falar alto fosse atrapalhar ou cessar o encantamento.
- Fique calma e continue se concentrando. Está dando certo. – disse a bruxa, maravilhada com a cena que via.
Após mais uns segundos, Nicole estava completamente envolvida pela luz. Tanto Nicole quanto o casaco que ela trajava estavam totalmente acesos com tamanha energia que os envolvia. Era como se a doll tivesse uma luz própria que irradiasse de dentro dela. Nicole, agora, era literalmente uma estrela.
- Kendra... Isso é... – dizia Nicole, de olhos abertos, checando seus braços e pernas, envolvidos por tal energia. – Magnífico!
- É apenas um exemplo do tamanho do seu poder. – disse-lhe a bruxa sorrindo.
- Nossa! – exclamou a doll, encantada. Parecia que seu corpo tinha, em seu interior, um conjunto de lâmpadas fluorescentes.
- Fantástico, Nicole! – dizia Kendra batendo palmas. – Sensacional!
- Eu... O que... – Nicole parecia confusa com o que ela começava a sentir no momento. Uma onda de calor começou a tomar conta dela. – Eu tô sentindo uma coisa estranha...
- O que há, querida? – assustou-se a bruxa.
Nicole fechou os olhos e, por impulso, ergueu os braços para o céu. Imediatamente, uma grande força vinda dela fez com que, inesperadamente, Nicole lançasse aos céus alguns raios viva e eletricamente fortes. Os raios partiram das mãos da morena e atingiram o céu numa velocidade incrível. Nicole abriu os olhos, rapidamente, assustada. Já Kendra estava maravilhada com o que presenciara.
- Oh! Pelos poderes da Grande Deusa! – disse a bruxa olhando para o negro céu estrelado. Não havia mais sinal dos raios. Se alguém, ali, na Idade Média, tivesse olhado para o céu no momento em que tudo acontecera, certamente não entenderia o que aconteceu: numa bela e estrelada noite, quase sem nuvens e sem motivo algum para tempestades, raios apareceram nos céus. O mais engraçado, porém, é que os raios que apareceram naquela noite não vieram na direção céu-Terra, mas sim, Terra-céu, já que os raios saíram diretamente das mãos de Nicole. A luz brilhante que tomava conta do corpo de Nicole foi cessando, apagando, aos poucos.
- Muito bem! – dizia Kendra batendo mais palmas.
- Eu... – Nicole ainda estava em êxtase. – Não acredito que eu...
- Sim, querida... – adiantou-se a bruxa, animada. – Seu poder é realmente grande.
- Mas como eu fui capaz de lançar raios e... – Nicole parecia perturbada.
- Como nós conversamos... Seu poder é ENERGIA, é ESPÍRITO. – concluiu a bruxa, séria. – Seja qual o nome que você chamar, seu poder é algo que mexe com luz, com forças exteriores... Os raios são os fenômenos da natureza que mais se ligam ao seu poder... E isso... Isso é algo tão extraordinário... – a bruxa parecia não ter mais palavras para se expressar.
Nicole sentia o formigamento sumir totalmente do seu corpo.
- Muito bem! Vamos aproveitar esse momento de eterna alegria e satisfação que estamos vivendo agora e... – disse a bruxa animada. – Vamos prosseguir o seu rito de iniciação com o último exercício, que estimulará sua...
- Projeção astral. – completou Nicole, antes que a bruxa terminasse a frase.
- Pois bem – começou a bruxa, séria. – O próximo encantamento é um pouco diferente dos encantamentos que suas amigas tiveram que falar para estimular o poder agregado ao poder Elemental.
- Como assim? Diferente? – Nicole estava confusa.
- Assim que chegarmos em casa, pode conferir com suas amigas... – disse a bruxa vagamente.
- Tudo bem então.
- Certo. Repita essas palavras: “Invoco o poder Elemental do Espírito, poder supremo aos quatro poderes, para que me conceda o uso da projeção astral a mim destinada.” – disse a bruxa de uma só vez.
- Como é que é?! – espantou-se Nicole. – Que frase grande!
- Pois é. Por isso, vou repetir quantas vezes for necessário até que você esteja com ela na ponta da língua e possa fazer o encantamento correto. – disse a bruxa, séria.
A bruxa, como havia prometido, repetiu para Nicole cerca de cinco vezes a mesma frase, até que a doll havia começado a fixar.
- Pronta? – perguntou a bruxa, depois de um tempo.
- Acho que sim. – disse Nicole, nervosa.
- Então vamos. Quando você quiser... Pode começar. – disse Kendra, ansiosa.
- “Invoco o poder Elemental do Espírito, poder supremo aos quatro poderes, para que me conceda o uso da projeção astral a mim destinada.” – disse Nicole de modo bastante firme e confiante.
Nada, aparentemente, aconteceu.
- E agora? Fiz errado outra vez? – perguntou Nicole, preocupada.
- Na verdade, não sei responder. – começou a bruxa com a mão no queixo. – Iremos testar isso agora.
- Como?
- Da seguinte forma... – e dizendo isso, Kendra se abaixou para pegar o vestido e o espartilho que Nicole havia deixado no chão.
- O que você v... – começou Nicole sem entender.
- Calma, querida. – dizia a bruxa, agora, andando a certa distância e deixando o vestido e o espartilho de Nicole, no chão, longe da doll. Em seguida, a bruxa voltou para perto de Nicole e, depois, recuou dez passos.
- Eu... Não estou entendendo. – disse Nicole franzindo a testa.
- Eu quero... – a bruxa revirou os olhos como se procurasse a palavra certa para usar. – Provocar, isso! Provocar a sua projeção astral... Achar um jeito para que você sinta a necessidade de usá-la.
- Hum... – disse Nicole mordendo a boca.
- Escolha, agora, Nicole. – começou a bruxa. – Você precisa vir até mim, mas também precisa pegar o seu vestido, agora. O que você faz?
Nicole engoliu em seco.
- Eu... Posso ir até lá e... – disse Nicole, sem jeito.
- Não! Não pode! Você precisa vir até mim, agora, mas precisa pegar o seu vestido ali. – disse a bruxa apontando numa direção. – Precisa fazer as duas coisas ao mesmo tempo! E o que você faz?
Nicole não respondeu. Precisava estar em dois lugares ao mesmo tempo. Sentia que precisava usar a projeção astral, mas não sabia como.
- Anda, Nicole! O que você faz agora? Como sair dessa situação? – provocava a bruxa, ansiosa para que Nicole usasse o poder.
O coração da morena batia mais aceleradamente que nunca. Foi então que o mesmo que havia acontecido na casa das dolls, aconteceu outra vez: a mesma confusão mental de antes se estabeleceu dentro do cérebro dela a ponto de Nicole sentir o mesmo arrepio percorrendo-lhe todo o corpo.
Então Kendra viu Nicole parar bem diante dela e baixar a cabeça para frente, como se tivesse dormindo em pé. Instantaneamente, uma outra Nicole foi projetada em frente ao vestido e ao espartilho. Kendra virou-se para a outra Nicole e disse:
- Muito bem, Nic! Agora tente pegar o vestido!
Mesmo estando fora do corpo, Nicole sentia seu coração batendo acelerado, de nervoso. Quando tentou pegar o vestido, no chão, porém, ficou frustrada: não conseguiu. Em seguida, Nicole desapareceu no ar e quando se deu conta, estava novamente em frente a Kendra.
- Nossa! – disse a morena pondo a mão na testa. – Isso me deixa tonta e...
- É normal, querida. Você não está acostumada com esse poder. – disse a bruxa tentando animar a doll. – Ele ainda é muito novo pra você.
- Mas... Se eu consegui usar a projeção astral, por que não consegui pegar o vestido?
- Nicole... A projeção astral é realmente um poder complicado e de difícil uso. – disse a bruxa, séria. – Em breve, você se acostumará a usar esse poder e a movimentar coisas estando fora do corpo, pois ainda é muito cedo para você aprender tudo assim de uma vez só.
- É... Você tem razão. – concordou Nicole, sorrindo.
- Tudo bem então! – disse a bruxa batendo três palmas. – Chega por hoje! Você completou o ritual, e com sucesso. Agora, pode se vestir. Acredito que as outras meninas já estejam em casa...
- Certo. – disse Nicole indo até o vestido e se preparando para vesti-lo.
- Bom, você deverá sempre mentalizar todos os encantamentos deste rito de iniciação nos próximos dias... – começou a bruxa, pensativa. – E logo, logo, nem irá precisar ficar recitando ou mentalizando sempre, pois seu corpo e sua mente já estarão acostumados e...
Nicole ouvia as palavras da bruxa enquanto se vestia e já ficava ansiosa só de pensar no quão grande era seu poder e o tanto que faltava trabalhá-lo para que conseguisse dominá-lo perfeitamente.
Continua no próximo capítulo...
Um comentário:
Priimeira a comentar \o/
ameei o cap, a nick soltando raios, bixa poderosa eem. haha.
amaando a fic *--*
anciosa para o proximo cap...
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