As dolls estavam vestidas com roupas estranhas. Pareciam trajes de época, mais precisamente da Idade Média. Todas as dolls usavam vestidos compridos e justos no busto, graças aos espartilhos que usavam. Mas as dolls não estavam sozinhas. Estavam acompanhadas de diversas mulheres que apresentavam vestimentas semelhantes. Enquanto algumas usavam os cabelos soltos, outras punham redes nos cabelos. As outras mulheres cercavam as cinco dolls, que estavam de mãos dadas formando um círculo. Parecia que uma espécie de ritual estava acontecendo ali. Havia algo (ou alguém) que as dolls protegiam no centro do círculo. O ritual parecia estar indo bem até que um grupo de cerca de quinze homens armados apareceu no lugar. Em seguida, lá estavam as dolls, juntamente com as outras mulheres, em plena praça. Diante delas, uma multidão gritava loucamente. Enquanto umas mulheres estavam numa espécie de palco, outras estavam no chão. As mulheres que estavam no palco, já tinham cordas nos pescoços. Iriam ser enforcadas. No chão, havia fogueiras já preparadas, onde outras mulheres iriam ser queimadas. Cada uma já estava amarrada a um tronco, onde seria queimada viva. As cinco dolls estavam condenadas à fogueira.
- Que seja iniciada a execução! Por ordem, a forca! – dizia uma grossa voz.
Assim que o alçapão foi aberto pelo carrasco, instantaneamente, as mulheres que estavam no palco caíram e ficaram penduradas com a corda no pescoço. Imóveis. Mortas.
Aplausos e mais aplausos vindo da multidão.
- Agora... – dizia a mesma voz de antes. – Acendam as fogueiras!
Dois carrascos pegaram tocheiros e começaram a tacar fogo nas fogueiras.
- Queimem, bruxas! – gritava uma mulher alegremente na multidão.
- Queimem! Queimem! – gritava a multidão em coro.
- Nic... – dizia Ashley com a voz fraca. O fogo começava a subir pelos seus pés. A sensação era insuportável. – Por que isso aconteceu? – e Ashley soltou um grito de dor.
- Ash... Eu não sei... – e Nicole parava para respirar. O fogo da sua fogueira estava rápido demais a ponto de suas pernas já começarem a queimar. A morena gritava dolorosamente.
- Queimem! Queimem! – gritava a multidão sem parar.
- Aaaaaaaaaaahh! – Ashley acordou sentada na cama. A loura arfava bastante. Eram quase quatro da manhã. – Meu Deus... – e dizendo isso ela pôs a mão no coração. Batia aceleradamente. – O que foi isso?
- Ash? Você tá bem? – dizia Jessica acabando de entrar no quarto da loura. – Você gritou tão alto que...
- Um pesadelo, Jessi! – dizia Ashley começando a chorar automaticamente. – Um pesadelo horrível!
- Calma, Ash... Já passou! – e dizendo isso, Jessica sentou-se na cama ao lado de Ashley e a abraçou.
- O que foi, gente? – dizia Melody, com uma cara de sono, que acabava de entrar no quarto de Ashley.
- Mel, traz um copo d’água pra Ash, por favor. – pediu Jessica enquanto acalmava Ashley.
Algumas horas depois, já pela manhã, bem cedo, a conversa não poderia ser outra enquanto as dolls tomavam café.
- Mas foi horrível aquele pesadelo... – dizia Ashley passando geleia na sua torrada integral.
- Ai, Ash! Chega de falar disso! – exclamou Kimberly, angustiada.
- É, Ash... – começou Nicole, meio sem graça. – A Kim tem razão.
Ashley baixou a cabeça, tristonha.
- Vocês não entendem... – começou Ashley outra vez. Agora, fazendo uma cara de preocupação. – E se...
- Se? – repetiu Melody franzindo a testa.
- E se eu tive uma premonição? – disse Ashley de uma vez e, em seguida, deu um longo suspiro.
Todas as dolls ficaram em silêncio e se entreolharam.
- Mas... – começou Jessica quebrando o silêncio. – Bem... Você... Nós... Não temos mais poderes né? Então...
- E também... – disse Melody, pensativa. – Acho que não se pode ter uma premonição do passado né? Será que isso seria possível?
Nicole começava a pensar bem no que Ashley falara. E na noite anterior, Nicole tinha sentido uma certa atração pelo Cristal de Etafa. Será que elas estavam novamente com os poderes? Não. Isso só poderia ser muita coincidência mesmo.
- Nic?! – exclamou Kimberly em tom alto. – Hei! Acorda! Estamos te chamando já umas três vezes e você nem respondeu. Tá viajando nos pensamentos hein?
- Ah... Desculpa, meninas! – disse Nicole, sem graça. – O que vocês falavam?
- Sobre o programa da Oprah! – disse Jessica, ansiosa.
- Sei que ainda é cedo... Mas devíamos começar a repassar a coreografia logo. – anunciou Kimberly.
- Ah! Sim, sim... Certo! – disse Nicole, agora, livre dos seus pensamentos sobre o cristal.
Assim que terminaram o café, as dolls foram para a sala de dança e deram uma ensaiada nas coreografias que apresentariam logo mais no programa da Oprah.
- Isso, Kim! Tá certo assim... – dizia Nicole em tom de aprovação.
- Ufa! Ainda bem! – disse Kimberly dando um longo suspiro. – Eu tava com medo de errar essa parte...
- Mas tá certíssimo agora! – reafirmou Nicole dando uma piscadela para a amiga.
Depois de mais algumas coreografias ensaiadas, as dolls se deram conta de que já estava na hora de parar o ensaio.
- Meninas! – exclamou Melody olhando para o relógio na parede da sala de dança. – Já são quase oito da manhã!
- Nossa! – exclamou Nicole. – Vamos adiantar as coisas!
Enquanto algumas dolls corriam pra tomar banho, outras ainda revisavam alguns passos da apresentação.
Depois que todas terminaram de se arrumar, elas partiram para os estúdios da ABC, onde era gravado o programa da Oprah. As dolls decidiram que fariam a maquiagem no camarim assim que chegassem lá.
Não demorou muito e as dolls já estavam chegando ao estúdio de gravação. O programa já havia começado, mas como as dolls entrariam no penúltimo bloco, ainda restava tempo de sobra para se maquiarem.
Os maquiadores entraram logo em ação e, em menos de uma hora, todas as dolls já estavam lindamente maquiadas e perfeitas, como sempre.
- Já vamos. – disse um dos maquiadores. – É mesmo uma perda de tempo maquiar vocês... – e ele sorriu para as dolls.
- Com certeza! – concordou o outro maquiador. – Elas já são lindas por natureza... A maquiagem é praticamente desnecessária.
- Ah, meninos! – exclamou Ashley. – Vocês também são lindos!
E todos ficaram trocando risos.
- Dentro de cinco minutos estamos no ar! – disse o produtor do programa entrando no camarim. – Estamos no intervalo comercial agora e quando voltarmos, vocês já estarão no palco. O penúltimo bloco inicia com a apresentação de vocês e encerra com a primeira parte da entrevista...
- E o último bloco inicia com a parte final da entrevista e depois nós cantamos novamente. – adiantou-se Nicole, rindo. – Nós sabemos!
O produtor abriu um largo sorriso para as dolls e, em seguida, deu uma piscadela para Nicole.
Os minutos que faltavam para o início do próximo bloco passaram rapidamente. As dolls já estavam posicionadas no palco, escondidas em meio ao cenário.
- Estamos de volta! – anunciou Oprah Winfrey em meio aos aplausos calorosos da plateia. – Vocês já sentiram que o cenário tá diferente agora né?
Oprah deu uma olhada pro cenário encontrado no palco. Era algo como uma pista de dança. Havia um grande globo de discoteca no centro do cenário. Também eram encontradas cinco imitações de caixas de som, só que num tamanho bem maior. O que o público não sabia era que as dolls estavam escondidas, cada uma em uma caixa de som.
- Agora com vocês... – anunciou Oprah radiante. – Não só uma diva, mas cinco! Sim! São elas... The Pussycat Dolls!
E a plateia aplaudia sem parar.
A reação da plateia foi exatamente a esperada: ficaram sem entender nada, pois a introdução de “Buttons” já tinha começado a tocar e as dolls não tinham aparecido ainda.
Quando chegou a hora de Nicole começar a cantar os versos iniciais de “Buttons”, a música parou. A plateia mais uma vez ficou ansiosa e sem entender. Um breve momento de silêncio. Até a própria Oprah fazia caras e bocas na hora, sem entender.
Com um som de explosão, as cinco dolls chutaram a tampa da frente que fechava as falsas caixas de som em que estavam escondidas e então, começaram a cantar o refrão de “Bottle Pop”.
A plateia dançava animadamente ao som da música e logo após acabar o refrão, outra surpresa para o público: as luzes se apagaram no estúdio. Poderiam achar que tivesse ocorrido uma queda de luz, mas na verdade, aquilo fazia parte da apresentação das dolls. E logo em seguida, o grande globo começou a girar e luzes coloridas da discoteca no cenário começaram a tomar conta de todo o estúdio do programa. A música da vez era “Hush Hush; Hush Hush”. A plateia vibrava ao som das dolls. Em seguida, uma mixagem rápida na música e as dolls já começavam a cantar e dançar “Buttons”. Oprah já começava a suar de tanto que dançava. Pra encerrar a perfeita apresentação, as dolls cantaram “Jai Ho” enquanto as luzes da discoteca percorriam todo o cenário.
- Fa-bu-lo-so! – disse Oprah pausadamente, assim que apresentação terminou. Ela estava sem fôlego. – Sensacional! Essas são as Pussycat Dolls, aqui, no “The Oprah Winfrey Show”!
A plateia aplaudia sem parar. Realmente tinha sido uma apresentação muito boa. Enquanto as câmeras davam closes em Oprah, os contra-regras cuidavam agilmente do cenário. Eles retiravam rapidamente cada elemento do cenário usado pelas dolls e recompunham o cenário original do programa.
- Venham, meninas! – dizia Oprah caminhando na direção do sofá, já localizado no cenário.
Ao lado do sofá, mais três poltronas.
- Vamos dar início à entrevista! – anunciou Oprah, sorridente. – Primeiramente, queria dizer que até agora estou emocionada com a apresentação que vocês fizeram aqui, meninas...
As dolls sorriram.
- Bom... A turnê está no finzinho né? Qual é a sensação? – pergunto Oprah consultando uma de suas fichas.
- Sensação de... – começou Nicole olhando para cima e sorrindo. – Missão cumprida, sabe?
- Sei... – disse Oprah sorrindo. – Kimberly, eu realmente fico impressionada quando você faz aquele lance com a perna! – e Oprah soltou uma gargalhada. – Você pode fazer pra gente ver de novo?
Kimberly sorriu e respondeu:
- Claro! – e ela se levantou da poltrona em que estava sentada, foi para o centro do palco e fez sua abertura de 180º. A plateia gritava e aplaudia sem parar, enquanto Kimberly voltava a se sentar na poltrona.
- Fantástico! – disse Oprah, animada. – Confesso que eu já tentei fazer isso em casa, mas... – e ela parou de falar. – Bom... Deixa pra lá... Meu ortopedista sabe o resto da história!
Todos riram bastante do comentário da apresentadora.
A entrevista continuou por mais alguns minutos até que Oprah anunciou o comercial.
Nos bastidores, a apresentadora e as dolls conversaram intimamente.
- Meninas, vocês estão lindas demais! – disse Oprah dando uma piscadela.
- Obrigada! – respondeu Nicole em nome de todas.
- Eu não consigo tirar da minha cabeça os versos de “Jai Ho”. – disse Oprah fazendo uma cara engraçada.
As dolls riram.
Dentro de alguns minutos, o programa continuou com a entrevista e logo em seguida, para encerrar o último bloco, as dolls cantaram um mix de “I Hate This Part” e “Stickwitu”.
Um pouco distante dos estúdios da ABC, numa pequena casa, numa rua estranhamente deserta para àquela hora da manhã, uma telespectadora acompanhava seriamente o final do programa da Oprah. O cômodo em que a telespectadora estava era bastante escuro, graças às cortinas que impediam a passagem da luz do sol. Ela aparentava ser uma bonita jovem de dezoito ou dezenove anos. Tinha a pele levemente bronzeada, longos cabelos louros e olhos azuis.
O impressionante é que os créditos finais do programa da Oprah já começavam a aparecer na tela e essa telespectadora sequer piscava os olhos. Depois de mais alguns segundos, ela, enfim, fechou os olhos por um tempo e quando os abriu, parecia estar mais determinada do que nunca. Levantou-se da poltrona próxima a TV e olhou firme para o chão do seu quarto.
No chão, estava desenhado, com giz branco, um grande pentagrama. E nesse pentagrama, em cada uma das pontas, estava escrita uma palavra, também em giz. As palavras eram: Água, Terra, Fogo, Ar e Espírito.
A jovem revirou umas gavetas de uma antiga cômoda e pegou cinco recortes de revistas. Em seguida, a jovem se agachou perto do pentagrama e espalhou cada recorte pelas pontas do pentagrama.
- Ela só pode ser... Espírito! – e dizendo isso, baixinho, a jovem colocou um recorte com a foto de Nicole onde se encontrava a palavra “espírito”.
A jovem, erroneamente, colocou a foto de Kimberly na ponta onde estava escrito “água” e a foto de Ashley onde tinha “ar”. As fotos de Jessica e Melody, coincidentemente ou não, estavam respectivamente nas pontas “terra” e “fogo”.
- Eu sabia que eram elas... – disse a jovem consigo mesma. – Meus sonhos não foram simples sonhos... Foram visões!
E a jovem continuou olhando para o pentagrama, no chão.
- Melissa! Ande logo! Saia desse quarto! – gritava uma voz feminina bastante rude do outro lado da porta. – Santo Deus, dá-me paciência! Se sua querida mamãe fosse viva, aposto que você a obedeceria e...
- Não ouse falar de minha mãe nesse tom! – disse a jovem, chamada Melissa, raivosamente ao abrir a porta do quarto e dar de cara com a madrasta.
- Abaixe esse dedo, mocinha! – gritou a mulher que aparentava uns quarenta e poucos anos de idade. Ela estava com os olhos arregalados de ódio. – Por conta de sua inexplicável rebeldia, vai ficar sem almoço hoje! – e dizendo isso, a mulher fechou, violentamente, a porta do quarto de Melissa. – Quem essa medíocre pensa que é pra falar assim comigo?
Melissa agüentou firme para não chorar de tanta raiva que tinha no momento. Ela era órfã de mãe. Seu pai se casou com essa mulher em seguida e, atualmente, por seu pai estar em fraco estado de saúde, a madrasta passava a mandar na casa.
Melissa não queria esquentar sua cabeça. Ela só queria pensar numa coisa naquele momento: como conseguir um momento para falar com as Pussycat Dolls?
2 comentários:
quando você vai postar um novo capitulo?
Oi!
Então...Até terça-feira (ou no máximo, até quinta-feira) nessa semana eu prometo que já posto o cap.25 da Segunda Temporada!
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